A batalha das concessões está só começando — e Ecorodovias e CCR preparam suas armas
Com uma série de leilões de infraestrutura previstos para os próximos meses, Ecorodovias e CCR se fortalecem para buscar novos contratos
Sun Tzu, em A Arte da Guerra, já disse: "As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas". Uma frase que, mais do que nunca, irá pautar as decisões de Ecorodovias e CCR no curto prazo, já que a batalha das concessões de infraestrutura vai esquentar daqui para frente.
Agarrar as oportunidades, afinal, é uma espécie de mantra para as duas companhias: cada contrato conquistado é um novo fluxo de caixa, longo e previsível; cada leilão vencido é uma garantia da continuidade dos negócios.
Só que, para entrar na briga, é preciso estar bem armado. Concessões de infraestrutura são disputadas por grupos nacionais e internacionais — e um passo mal calculado, uma oferta agressiva demais, um comprometimento financeiro irresponsável podem trazer problemas no longo prazo.
Tanto é que a Ecorodovias pretende melhorar seu arsenal: a companhia informou na sexta-feira que estuda uma oferta pública de ações com esforços restritos — um sinal de que tenta fortalecer seu caixa e chegar aos leilões com poder de fogo renovado.
Analisemos, portanto, a situação financeira e operacional de cada uma das empresas e as condições em que elas entram no campo de batalha.
Ecorodovias: passos calculados
Comecemos pela Ecorodovias, que tem um portfólio mais enxuto — suas atividades são quase que inteiramente voltadas ao segmento rodoviário. Veja como estava a carteira de ativos da companhia ao fim do primeiro trimestre:
Leia Também

Dentre essas concessões, três podem ser consideradas como as joias da coroa, tanto em termos de fluxo de veículos quanto em arrecadação de pedágio: a Ecovias, que faz a ligação entre São Paulo e a Baixada Santista; a Ecoponte, que administra a Ponte Rio-Niterói; e a Ecopistas, que cruza diversas cidades na porção leste do estado de São Paulo.
Note que a Ecoponte e a Ecopistas ainda têm prazos bastante longos de exploração, enquanto a Ecovias possui vencimento mais próximo. Mas, no início de maio, a companhia deu um importante passo: acertou a extensão do contrato da Anchieta-Imigrantes com o governo de São Paulo até 2033, comprometendo-se a investir mais R$ 1,1 bilhão nas estradas.
Portanto, ponto para a Ecorodovias, que ganhou bastante tranquilidade no âmbito da gestão do portfólio atual.
E, em abril, a empresa ampliou sua carteira de ativos, vencendo o leilão federal da BR-153, em Goiás e Tocantins — a concessionária Eco153 será responsável pelo trecho por 35 anos.
Dito isso: qual a situação financeira da Ecorodovias para administrar todos esses ativos e brigar por novas concessões? Veja abaixo a evolução da receita, Ebitda e lucro líquido nos últimos trimestres, bem como as posições de caixa e endividamento:

Ou seja: os resultados trimestrais da Ecorodovias têm mostrado uma melhora gradual na receita, Ebitda e lucro — indicando que o impacto da pandemia no fluxo de veículos foi sendo amenizado ao longo do tempo (veículos pesados, que pagam mais pedágio, tiveram a circulação pouco afetada).
No lado do caixa e endividamento, há certa estabilidade — e a potencial oferta de ações pode trazer um fortalecimento bastante bem-vindo à liquidez da companhia para eventuais disputas de concessões.
CCR: portfólio amplo, mas com um ponto de estresse
Façamos a mesma análise para a CCR. A companhia tem um escopo de atuação maior, participando também de concessões aeroportuárias e de mobilidade urbana. Veja como estava o portfólio ao fim de março:

Assim como a Ecorodovias, a CCR também já deu os primeiros disparos na briga por novas concessões. Em abril, a companhia arrematou dois blocos de aeroportos regionais no país, em contratos de 30 anos:
- Bloco Sul: Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR), Navegantes (SC), Londrina (PR), Joinville (SC), Bacacheri (PR), Pelotas (RS), Uruguaiana (RS) e Bagé (RS) — lance de R$ 2,1 bilhões
- Bloco Central: Goiânia (GO), São Luís (MA), Teresina (PI), Palmas (TO), Petrolina (PE) e Imperatriz (MA) — lance de R$ 754 milhões
No lado da mobilidade urbana, a ViaMobilidade também conseguiu dois novos contratos, das linhas 8 e 9 da CPTM, por 30 anos.
Há, no entanto, uma questão importante no atual portfólio da CCR: a concessão da NovaDutra, principal contrato rodoviário do grupo. O prazo original já terminou, mas o governo federal prorrogou temporariamente para que um novo leilão de licitação seja organizado.
Ou seja: a CCR corre o risco de perder uma das estrelas de sua carteira — o que, certamente, cairia como uma bomba no quartel-general da empresa.

Comparando essas métricas com as da Ecorodovias, fica claro que a CCR é uma companhia muito maior e mais diversificada — e, apesar do endividamento maior, o nível de alavancagem é menor que o da rival.
Por fim, a posição de caixa da CCR é mais elevada — a ideia da Ecorodovias de fortalecer o caixa através de uma emissão de ações, assim, faz sentido para equiparar o poder de fogo.
Os campos de batalha
Em abril, o governo Bolsonaro promoveu a chamada "Infra Week" — um pacote de leilões de infraestrutura que incluiu 22 aeroportos, uma ferrovia e cinco portos. Foi só uma pequena amostra do que ainda está por vir.
O cronograma do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal está bastante carregado nos próximos meses. Separando apenas os ativos rodoviários e aeroportuários, veja o que virá ao mercado no curto prazo:
- BR-163/230 (MT-PA)
- Leilão: 8 de julho
- Prazo: 10 anos
- Investimento previsto: R$ 1,9 bilhão
- BR-116/101 – Via Dutra (RJ-SP)
- Leilão: 3º trimestre de 2021
- Prazo: 30 anos
- Investimento previsto: R$ 14,5 bihões
- BR-381/262 (MG-ES)
- Leilão: 3º trimestre de 2021
- Prazo: 30 anos
- Investimento previsto: R$ 7,7 bilhões
- BR-116/493 (CRT) (RJ-MG)
- Leilão: 1º trimestre de 2022
- Prazo: 30 anos
- Investimento previsto: R$ 8,6 bilhões
- Rodovias Integradas do Paraná (BR- 153/158/163/272/277/369/373/376/476/PR e estaduais relevantes)
- Leilão: 1º trimestre de 2022
- Prazo: 30 anos
- Investimento previsto: R$ 42,1 bilhões
- 7ª rodada de leilões de aeroportos
- Leilão: 3º trimestre de 2022
- Bloco Norte II (Belém, Santarém, Marabá, Carajás, Altamira e Macapá)
- Bloco RJ-MG (Santos Dumont, Jacarepaguá, Uberlândia, Montes Claros e Uberaba)
- Bloco SP-MS (Congonhas, Campo de Marte, Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã)
Repare que há dois ativos rodoviários que se destacam nessa lista: a já citada relicitação da Rodovia Presidente Dutra, atualmente sob administração da CCR, e as Rodovias Integradas do Paraná — um megapacote de 3.328 quilômetros de pistas.
O bloco paranaense, inclusive, engloba os trechos que hoje são administrados pela Rodonorte, da CCR, e pela Ecocataratas, da Ecorodovias — repare que as duas concessões expiram em 2021.
Há ainda alguns ativos estaduais a serem licitados, com destaque para:
- Rodovias do litoral paulista
- Leilão: 15 de setembro
- Prazo: 30 anos
- Investimento previsto: R$ 3 bilhões
- Rodovias estaduais do Rio Grande do Sul
- Três blocos de estradas
- Leilão: 2022
- Prazo: 30 anos
Outros competidores
Esse texto esteve focado em Ecorodovias e CCR por serem as duas principais empresas do setor com capital aberto na bolsa. No entanto, isso não quer dizer que elas sejam as únicas postulantes aos contratos.
No lado das rodovias, o grupo espanhol Arteris e a Pátria Investimentos já venceram leilões no passado e costumam participar de todos os certames — a Triunfo, outra empresa do ramo, encontra-se numa situação financeira mais delicada e dificilmente tentará arrematar algum ativo.
Há ainda a Simpar, controladora da JSL, Vamos e Movida. No passado, a JSL chegou a mostrar interesse em leilões de concessões rodoviárias, chegando a entregar proposta pela Ponte Rio-Niterói. Por enquanto, o grupo ainda não tem nenhum ativo do tipo, mas é um nome a ficar atento.
Por fim, há os grupos internacionais que atuam no setor de aeroportos. A francesa Vinci Airports, por exemplo, arrematou em abril o Bloco Norte de aeroportos regionais (Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Cruzeiro do Sul (AC), Tabatinga (AM), Tefé (AM) e Boa Vista (RR) — eles já administram o aeroporto de Salvador (BA).
A espanhola Aena Desarrolo Internacional, a suíça Zurich Airport e a alemã Fraport AG também venceram leilões aeroportuários no passado e representam competição dura para a CCR.
Ecorodovias e CCR na bolsa
Veja abaixo o comportamento das ações da Ecorodovias e CCR. Repare que as curvas apresentam tendências bastante parecidas, com o gap entre os papéis se fechando no pós-pandemia:

Essa alta mais intensa vista nas ações da CCR de umas semanas para cá, descolando da Ecorodovias, se deve à venda da participação detida pela Andrade Gutierrez no grupo.
A perspectiva de alteração no bloco de controle da companhia, com a entrada de um novo (e capitalizado) sócio, animou os investidores — afinal, dificilmente a endividada Andrade Gutierrez poderia oferecer algum tipo de reforço financeiro à CCR nessa janela de oportunidade que se abre.
É claro que não é razoável esperar que uma mesma empresa saia vencedora de todos os leilões, ou que sequer participe de todos eles. Afinal, é preciso ter responsabilidade com a gestão da empresa — dar um passo maior que as pernas pode ser trágico.
A postura das companhias em cada leilão, por si só, pode mexer com as ações: ao abdicar de ativos que não sejam tão atrativos, ou ao disputar ferrenhamente uma concessão que dialogue com o restante do portfólio, os investidores podem identificar a estratégia e a visão de longo prazo de cada grupo.
É de se esperar, por exemplo, que a CCR fará o que for possível para continuar com a Dutra — mas um eventual lance estratosférico no leilão pode ser visto com ressalvas.
Da mesma maneira, a Ecorodovias provavelmente terá interesse nas rodovias do litoral paulista, uma vez que já controla o sistema Anchieta-Imigrantes e a Ecovias Caminho do Mar — a vitória nesse leilão daria à companhia o controle de um amplo corredor de estradas.
Por fim, por mais interessante que seja uma concessão em termos estratégicos, é importante ter em mente o volume de investimentos associados a cada ativo. Em geral, ativos que já estão em operação — caso da Dutra, por exemplo — geram receita e exigem menos recursos.
Outros que ainda estão numa fase pré-operacional ou que necessitam de muitas intervenções podem onerar as finanças das empresas no curto prazo — a geração de receita virá só numa fase posterior do projeto.
Em resumo, e recorrendo mais uma vez à Sun Tzu:
“Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar.”
Petrobras (PETR4): com novo ciclo de investimentos, dividendos devem viver montanha-russa, segundo Itaú BBA e XP
O novo ciclo de investimentos da Petrobras (PETR4) tende a reduzir a distribuição de proventos no curto prazo, mas cria as bases para dividendos mais robustos no médio prazo, disseram analistas. A principal variável de risco segue sendo o preço do petróleo, além de eventuais pressões de custos e riscos operacionais. Na visão do Itaú […]
Depois de despencarem quase 12% nesta terça, ações da Azul (AZUL4) buscam recuperação com otimismo do CEO
John Rodgerson garante fluxo de caixa positivo em 2026 e 2027, enquanto reestruturação reduz dívidas em US$ 2,6 bilhões
Ozempic genérico vem aí? STJ veta prorrogação de patente e caneta emagrecedora mais em conta deve chegar às farmácias em 2026
Decisão do STJ mantém vencimento da patente da semaglutida em março de 2026 e abre espaço para a chegada de versões genéricas mais baratas do Ozempic no Brasil
Por que tantas empresas estão pagando dividendos agora — e por que isso pode gerar uma conta alta para o investidor no futuro
A antecipação de dividendos tomou a B3 após o avanço da tributação a partir de 2026, mas essa festa de proventos pode esconder riscos para o investidor
Cosan (CSAN3) vende fatia da Rumo (RAIL3) e reforça caixa após prejuízo bilionário; ações caem forte na B3
A holding reduziu participação na Rumo para reforçar liquidez, mas segue acompanhando desempenho da companhia via derivativos
Raízen (RAIZ4) recebe mais uma baixa: S&P reduz nota de crédito para ‘BBB-‘, de olho na alavancagem
Os analistas da agência avaliam que a companhia enfrenta dificuldades para reduzir a alavancagem, em um cenário de dívida nominal considerável e queima de caixa
Fim da era Novonor na Braskem (BRKM5) abre oportunidade estratégica que a Petrobras (PETR4) tanto esperava
A saída da Novonor da Braskem abre espaço para a Petrobras ampliar poder na petroquímica. Confira o que diz a estatal e como ficam os acionistas minoritários no meio disso tudo
Fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi finalmente vai sair do papel: veja cronograma da operação e o que muda para acionistas
As ações da Petz (PETZ3) deixarão de ser negociadas na B3 ao final do pregão de 2 de janeiro de 2026, e novas ações ordinárias da Cobasi serão creditadas aos investidores
Adeus, telefone fixo: Vivo anuncia fim de operação e deixa para trás uma história de memória afetiva para milhões de brasileiros
Ao encerrar o regime de concessão do telefone fixo, a Vivo sela o fim de um modelo que moldou a comunicação no Brasil por décadas
Vamos (VAMO3), LOG CP (LOGG3), Blau Farmacêutica (BLAU3) anunciam mais de R$ 500 milhões em dividendos; Rede D´Or (RDOR3) aprova recompra de ações
A LOG fica com a maior parte da distribuição aos acionistas, ou R$ 278,5 milhões; Rede D´Or já havia anunciado pagamento de proventos e agora renova a recompra de ações
Itaúsa (ITSA4) vai bonificar investidor com novas ações; saiba quem tem direito a participar
Quem é acionista da holding vai ganhar 2 ações bônus a cada 100; operação acontece depois do aumento de capital
Casas Bahia (BHIA3) busca fôlego financeiro com nova emissão, mas Safra vê risco para acionistas
Emissão bilionária de debêntures promete reduzir dívidas e reforçar caixa, mas analistas dizem que pode haver uma diluição pesada para quem tem ações da varejista
Banco do Brasil (BBAS3) ou Bradesco (BBDC4)? Um desses bancos está na mira dos investidores estrangeiros
Em roadshow com estrangeiros nos EUA, analistas do BTG receberam muitas perguntas sobre as condições do Banco do Brasil e do Bradesco para 2026; confira
Um novo controlador será capaz de resolver (todos) os problemas da Braskem (BRKM5)? Analistas dizem o que pode acontecer agora
O acordo para a saída da Novonor do controle da petroquímica reacendeu entre os investidores a expectativa de uma solução para os desafios da empresa. Mas só isso será suficiente para levantar as ações BRKM5 outra vez?
Nubank (ROXO34) pode estar ajudando a ‘drenar’ os clientes de Tim (TIMS3) e Vivo (VIVT3); entenda
Segundo a XP, o avanço da Nucel pode estar acelerando a migração de clientes para a Claro e pressionando rivais como Tim e Vivo, o que sinaliza uma mudança mais rápida na dinâmica competitiva do setor
Bradespar (BRAP4) distribui quase R$ 600 milhões em dividendos e JCP; pagamento será feito em duas etapas
Do total anunciado, R$ 330 milhões correspondem aos dividendos e R$ 257 milhões aos juros sobre capital próprio (JCP); Localiza também detalha distribuição de proventos
Falta de luz em SP: Prejuízo a bares, hotéis e restaurantes pode chegar a R$ 100 milhões
Estimativa da Fhoresp é que 5 mil estabelecimentos foram atingidos pelo apagão
Isa Energia (ISAE4) recebe upgrade duplo do JP Morgan depois de comer poeira na bolsa em 2025
Após ficar atrás dos pares em 2025, a elétrica recebeu um upgrade duplo de recomendação. Por que o banco vê potencial de valorização e quais os catalisadores?
Não colou: por que a Justiça barrou a tentativa do Assaí (ASAI3) de se blindar de dívidas antigas do Pão de Açúcar
O GPA informou, nesta segunda (15), que o pedido do Assaí por blindagem contra passivos tributários anteriores à cisão das duas empresas foi negado pela Justiça
Braskem (BRKM5) com novo controlador: IG4 fecha acordo com bancos e tira Novonor do comando
Gestora fecha acordo com bancos credores, avança sobre ações da Novonor e pode assumir o controle da petroquímica
