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2021-07-27T19:15:45-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Analistas respondem

Após 100 dias à frente da Petrobras, Silva e Luna ganhou a confiança do mercado?

Confira a avaliação do BTG Pactual sobre o primeiro encontro do general com os analistas de mercado

27 de julho de 2021
16:15 - atualizado às 19:15
General Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, em coletiva de imprensa
28/08/2018 Pronunciamento sobre assinatura da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para Roraima (Brasília - DF, 28/08/2018) O então Ministro da Defesa General-de-exército Joaquim Silva e Luna. - Imagem: Isac Nóbrega/PR

Poucos executivos chegaram ao cargo de CEO de uma empresa sob uma desconfiança tão grande como Joaquim Silva e Luna. O general da reserva assumiu o comando da Petrobras em abril após a decisão do presidente Jair Bolsonaro de intervir na estatal, insatisfeito com a política de preços dos combustíveis.

Cem dias depois de assumir o cargo — período que costuma ser apontado como decisivo para uma avaliação dos rumos da gestão —, Silva e Luna fez seu primeiro evento com analistas de mercado, junto com outros membros da diretoria da Petrobras.

Os profissionais do BTG Pactual escreveram sobre o encontro em um relatório para clientes. De acordo com os analistas, a mensagem teve um tom semelhante ao discurso adotado na cerimônia de posse, quando Silva e Luna destacou o trabalho de continuidade na gestão da companhia, com foco no valor para o acionista.

As maiores mudanças em relação ao plano atual da Petrobras devem acontecer na esfera das práticas ESG (sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança). A estatal deve dar um foco maior na transição energética e em preocupações sociais.

No encontro com os analistas de mercado, Silva e Luna também defendeu um diálogo melhor para a estatal aprimorar a transparência.

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Dividendos e venda de ativos

Uma boa notícia extraída da reunião foi a perspectiva para o pagamento de dividendos. Com a forte geração de caixa e redução do endividamento, a Petrobras pode em breve cruzar o limite de US$ 60 bilhões de dívida que destravaria uma distribuição mais generosa dos lucros aos acionistas.

“A administração fez questão de enfatizar que o objetivo de equilibrar melhor os dividendos e o crescimento continua em curso e que ‘os acionistas devem receber sua parte do valor que a empresa cria’, o que deve soar como música para os ouvidos dos investidores”, escreveu o BTG.

A política atual, que nas contas do banco pode levar a um retorno com dividendos (dividend yield) superior a 15% no primeiro ano, foi reiterada como uma política sustentável daqui para frente.

O tom mais negativo veio do programa de venda de ativos. Embora Silva e Luna tenha afirmado que o plano de desinvestimentos continua, incluindo as refinarias, a velocidade da implementação depende de outros fatores, incluindo questões regulatórias e legais.

Para o BTG, diante da proximidade das eleições no ano que vem, as vendas de ativos correm risco se não acontecerem nos próximos cinco a seis meses.

Preços dos combustíveis: o calcanhar de Aquiles

O ponto mais controverso da fala de Silva e Luna veio justamente da razão que o levou a ocupar a presidência da Petrobras: a política dos preços dos combustíveis.

Aos analistas, a administração basicamente disse que a companhia continua a perseguir uma “lógica de mercado coerente”, com os preços alinhados ao mercado internacional.

Ao mesmo tempo, a estatal ponderou que está ciente dos impactos dos preços dos combustíveis na sociedade.

A conclusão do BTG é que, embora não chegue a destruir valor, a Petrobras acaba deixando dinheiro na mesa com a política de preços atual.

E então, hora de comprar?

Os analistas do BTG saíram mais animados do encontro com Silva e Luna, mas não o suficiente para mudar a recomendação para as ações da Petrobras, atualmente neutra.

“A falta de confiança nas consequências que o aumento dos preços do petróleo pode ter sobre a independência política da empresa com sua política de preços de combustíveis nos faz adotar uma abordagem mais cautelosa por enquanto”, escreveram.

As cotações das ações da Petrobras na B3 refletem essa melhora na percepção do mercado. Os papéis recuperaram as perdas registradas em fevereiro, com o ruidoso anúncio da saída de Roberto Castello Branco da presidência da companhia, mas seguem abaixo das máximas do ano, alcançadas em janeiro.

No pregão desta terça-feira, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 1,16%, a R$ 27,15, enquanto os ordinários (PETR3) recuaram 0,43%, a R$ 27,83.

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