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Banco era um dos mais expostos ao fundo, que foi obrigado a atender a chamada de margem após perdas com operações altamente arriscadas
O escândalo envolvendo o fundo Archegos Capital Management já provocou sua primeira vítima: o Credit Suisse.
O banco suíço calculou que o episódio teve um impacto de 4,4 bilhões de francos suíços (US$ 4,7 bilhões) em seu balanço e que registrará uma perda antes da incidência de impostos de 900 milhões de francos suíços (US$ 960,4 milhões) no primeiro trimestre.
E não é só isso. Por conta dessa perda, o diretor do banco de investimentos do Credit Suisse, Brian Chin, e a diretora de riscos e compliance, Lara Warner, foram demitidos.
E mais: o banco vai propor um corte de 0,10 franco suíço em seus dividendos na assembleia marcada para o dia 30 de abril e o cancelamento do pagamento dos bônus relativos a 2020 à diretoria e conselho de administração.
E para completar, o Credit Suisse suspendeu o programa de recompra de ações, afirmando que ele será retomado assim que reestabelecer os índices de capital regulatório e puder voltar a pagar dividendos.
Em 29 de março, as ações dos principais bancos globais caíram fortemente após alguns deles alertarem para possíveis grandes perdas causadas por um cliente dos Estados Unidos que não conseguiu cumprir com suas obrigações.
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Nenhum dos bancos identificou o cliente, mas a revelação de que provavelmente se tratava do Archegos veio após papéis dos grupos de mídia americanos ViacomCBS e Discovery e do grupo de entretenimento chinês IQIYI amargarem perdas acentuadas na sexta-feira anterior (26), em reação a vendas de US$ 35 bilhões em blocos de ações por este fundo de investimento, deflagradas por uma chamada de margem pelo Goldman Sachs.
Chamada de margem ocorre quando a bolsa ou uma corretora verifica que um cliente pode não cumprir com as obrigações de uma operação que ele iniciou. Nesse caso, ele precisa apresentar uma garantia adicional, seja em dinheiro, ativos ou valores mobiliários, para garantir o cumprimento da operação.
Depois ficou claro que se tratava de fato do Archegos. O family office, que administra o patrimônio do ex-operador de fundos hedge Bill Hwang, operava alavancado, usando empréstimos de bancos para ganhar dinheiro muito mais rapidamente do que pelos métodos tradicionais. E um punhado de apostas erradas resultou em prejuízos crescentes.
O Credit Suisse era um dos mais expostos ao fundo, levando suas ações a caírem mais de 14%. Mas ele não foi o único que sofreu. O Nomura registrou queda de mais de 16% em Tóquio quando o caso foi revelado.
Se fosse somente esse o problema enfrentado pelo Credit Suisse, até vai, mas o banco já vinha lidando com os efeitos negativos de outro episódio.
No início de março, ele teve que lidar com as consequências da insolvência da stratup financeira britânica Greensill Capital, para quem o banco havia emprestado dinheiro, além de US$ 10 bilhões em fundos administrados.
* Com informações da CNBC e da Dow Jones Newswires
Agora restam apenas ritos formais de homologação pelos conselhos de administração. A expectativa é que a eficácia da incorporação de ações ocorra no dia 30 de abril.
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