O melhor time de jornalistas e analistas do Telegram! Inscreva-se agora e libere a sua vaga

2021-11-22T13:42:29-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Gigante global

“5G é infraestrutura básica”: uma conversa com Cristiano Amon, brasileiro e novo CEO global da Qualcomm

No comando da Qualcomm desde o começo do mês, Cristiano Amon tem como desafios a transição para o 5G e a diversificação das áreas de atuação

16 de julho de 2021
16:41 - atualizado às 13:42
Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm
Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm - Imagem: Divulgação/Qualcomm

A transição entre as tecnologias 4G e 5G está em pleno andamento — e tem sido tema de enormes turbulências geopolíticas. Bem no centro dessa batalha está a Qualcomm, uma das líderes mundiais na produção de chips, semicondutores e processadores. E, desde o começo do mês, o brasileiro Cristiano Amon é o cérebro da empresa.

Formado em engenharia elétrica pela Unicamp, Amon tem uma longa carreira na companhia e vive nos Estados Unidos desde os anos 90. Recém empossado como CEO, ele tem o desafio de conduzir a Qualcomm neste momento de inflexão do setor de telecomunicações.

O executivo concedeu hoje uma entrevista para alguns veículos brasileiros de imprensa, entre eles, o Seu Dinheiro. Entre outros pontos, falou sobre a transformação digital da sociedade durante a pandemia, sobre os planos de diversificação da Qualcomm e sobre a atual escassez na oferta de semicondutores no mundo.

Quanto ao 5G, ele não poupou palavras para ressaltar a importância estratégica da nova tecnologia de telecomunicação:

O 5G é infraestrutura básica. É difícil enxergar hoje, mas é preciso pensar daqui 10 anos

Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm

Pico na demanda

A Qualcomm, hoje, é conhecida por ser uma importante fornecedora para a cadeia de smartphones — provavelmente, você tem ou já deve ter tido algum aparelho que usa o chip Snapdragon. A empresa, no entanto, atua em muitas outras indústrias, seja desenvolvendo soluções de conectividade ou vendendo semicondutores.

Mas, mesmo sendo uma das líderes globais nesse setor, a companhia enfrentou problemas para atender à demanda cada vez maior por esses componentes: com a pandemia e o trabalho remoto, a necessidade de conectividade em banda larga deu um salto em escala global.

"Houve uma aceleração enorme no volume de processamento digital e na nuvem. A tecnologia fez a sociedade continuar funcionando", disse Amon, afirmando que, para a Qualcomm, a expectativa é que o reequilíbrio entre oferta e demanda de componentes seja alcançado até o fim desse ano.

O momento de escassez global, no entanto, trouxe desdobramentos positivos. Segundo o novo CEO da empresa, ficou clara a importância da cadeia de semicondutores para a transformação digital da sociedade.

Qualcomm
Zoom de Chip Qualcomm, modelo MSM6290

Revolução em andamento

Esse aumento na demanda por semicondutores e a importância cada vez maior da conectividade — mesmo no pós-pandemia, a percepção é a de que mais e mais atividades poderão ser feitas remotamente, via nuvem — servem como pano de fundo estratégico para Amon e a Qualcomm.

Da mesma maneira que os smartphones e a tecnologia móvel causaram uma revolução no passado — e a empresa soube identificar esse movimento e se posicionar com antecedência, capturando uma fatia relevante do mercado —, o momento atual é de entendimento das tendências que vão emergir daqui em diante.

Uma delas, segundo Amon, é a redefinição do papel do computador pessoal: antes, as configurações de processamento e hardware eram as preocupações do consumidor; hoje, a capacidade de câmera e multimídia são igualmente importantes.

A aplicação número 1 do PC virou comunicação

Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm

Dito isso, o executivo afirma que a Qualcomm pretende entrar com mais força no mercado de computadores pessoais. Os PCs, afinal, ganharam importância e precisam ter capacidade semelhante às estações de trabalho, tanto no lado do processamento quanto na conectividade à nuvem.

Tanto é que, em março, foi concluída a compra da Nuvia, especializada em processadores para computador com conectividade 5G, numa operação de US$ 1,4 bilhão. O plano é colocar a Qualcomm no mapa dos PCs e desenvolver processadores mais potentes para o mercado de computação nos próximos anos.

"Não queremos ser só conhecidos em celulares, queremos ser uma empresa que fornece tecnologia para tudo que é transformação digital", diz Amon.

5G, caminho sem volta

O desenvolvimento do 5G é visto como uma tendência inevitável pelo executivo — e, nesse sentido, os países que já estão num estágio mais avançado do uso da tecnologia possuem uma vantagem competitiva importante.

"A transição tecnológica cria novas indústrias", diz Amon. O uso do 5G vai desde a aplicação de novas tecnologias na agricultura ao desenvolvimento de drones autônomos; no lado da manufatura, a conectividade mais rápida e difusa permite o uso de robôs inteligentes em larga escala — o que, naturalmente, eleva a eficiência do processo produtivo.

O CEO da Qualcomm cita como exemplo os projetos de cidades inteligentes na Inglaterra e na China: ambulâncias com conectividade 5G são capazes de realizar diagnósticos de imagem assim que o paciente entra no veículo, enviando os resultados para o hospital com antecedência.

Atualmente, países como Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul são os mais adiantados na adoção do 5G. Isso, no entanto, não quer dizer que outros mercados não tenham interesse na tecnologia: segundo Amon, há um entendimento entre quase todos os países de que o tema é de interesse.

"O 5G é necessário para os serviços atuais? Essa é uma discussão errada. O 5G é uma infraestrutura crítica de conexão com a nuvem. Todos querem começar a montar a rede".

A Qualcomm em números

A companhia fechou o segundo trimestre fiscal (encerrado em abril) com receita líquida de US$ 7,9 bilhões e lucro líquido de US$ 2,2 bilhões — o lucro por ação ficou em US$ 1,90, acima das projeções fornecidas pela própria empresa.

Na Nasdaq, as ações da Qualcomm (QCOM) são negociadas atualmente em torno dos US$ 140, acumulando ganhos de mais de 50% em um ano. Na B3, os BDRs da empresa (QCOM34) estão perto dos R$ 60, avançando 46% no mesmo período.

Qualcomm ações e BDRs
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

PORTFÓLIO DE BILHÕES

Aposta contra a Apple (AAPL34)? Veja as mudanças que Warren Buffett, Michael Burry e investidores de elite fizeram nas carteiras

Esses pesos-pesados do mercado financeiros tomaram decisões surpreendentes no primeiro trimestre; confira as mudanças mais significativas que eles fizeram no período

DO BRASIL PRO MUNDO

Guedes tem encontro com Escobari, da General Atlantic, e vai a jantar do BTG; confira a agenda do ministro em Davos

O banqueiro André Esteves, que em abril voltou ao comando do conselho do BTG Pactual, está participando do evento na Suíça

UMA TECH ATRAENTE

É hora da Locaweb? Saiba por que o Deutsche Bank vê ponto de entrada para as ações LWSA3

Banco alemão atualizou a recomendação para a empresa de neutra para compra e vê potencial de valorização de mais de 50% para os papéis

O QUE VEM POR AÍ

Ata do Fed e IPCA-15: confira a agenda de indicadores da semana aqui e lá fora

Nos Estados Unidos, a segunda prévia do PIB no primeiro trimestre também é destaque; na Europa, o PIB da Alemanha é o principal dado

CAMINHO DO MEIO

Menor rejeição e apoio interno no MDB dão vantagem a Simone Tebet; veja os rumos da senadora da terceira via

Maior desafio, segundo marqueteiros, é torná-la popular: 46% do eleitorado desconhece Simone Tebet, segundo pesquisas recentes

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies