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Vai e vém

Demanda por crédito no Brasil cai 11% em abril, mas sobe 231% em 12 meses

Oscilação do índice medido pela Neurotech é atribuída a sazonalidade

Imagem: Shutterstock

Depois de crescer em março, a procura por financiamento no Brasil voltou a recuar em abril, refletindo as novas medidas restritivas de combate ao coronavírus em algumas partes do Brasil no terceiro mês do ano. O Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC) caiu 11% em abril. Contudo, conforme os dados antecipados ao Broadcast, o indicador acumula alta de 231% em 12 meses, elevando, assim, a taxa ante abril de 2020 a 54%.

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A oscilação do índice, que mensura mensalmente o número de solicitações de financiamentos, na comparação mensal, é vista como reflexo da sazonalidade. Em fevereiro, o dado apresentou queda de 9%, subiu 2% em março, voltando a ceder em abril. No confronto interanual, parte do motivo do avanço é a base de comparação baixa de 2020, quando começou a pandemia.

"Enquanto março sofreu apenas em parte, o isolamento social foi muito sentido no mês de abril. Há tanto a insegurança quanto à renda futura, o que implica na queda da confiança do consumidor e, por consequência, reduz o consumo de bens duráveis e semiduráveis, quanto o próprio isolamento, que faz as pessoas frequentarem menos centros comerciais, reduzindo o consumo por impulso", explica Breno Costa, diretor de Produtos e Sucesso do Cliente da Neurotech.

Queda na busca por crédito atingiu todos os setores

Em abril, todos os setores registraram queda na procura por crédito ante março: bancos e financeiras (-14%), serviços (-1%) e Varejo (-3%).
Em contrapartida, as taxas dos setores na comparação interanual têm apresentando avanços. O destaque, porém, é o varejo, cuja variação acumulada ficou em 231% em abril em relação ao mesmo mês de 2020. O crescimento foi impulsionado pelo segmento de Vestuário e Lojas de Departamento, com altas de 997% e 409.140%, respectivamente.

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De acordo com Costa, trata-se de setores que tiveram desempenho desfavorável há um ano por causa da covid-19. "Praticamente, zeraram em zeraram em abril do ano passado por conta do início do isolamento imposto pela pandemia, o que justifica os números tão expressivos", justifica.

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Momento de aprendizado

O crescimento na procura por crédito ainda reflete o "aprendizado" dos varejistas, acrescenta o executivo. No início da pandemia, em março de 2020, relembra, houve interrupção quase que imediata do crédito, que era concedido presencialmente. Por conta disso, afirma, levaram alguns meses para que empresas se adaptassem e criassem formas de conceder crédito online, viabilizado pelas novas tecnologias. "Agora, volta ao patamar normal."

Também por conta da base de comparação fraca, o setor de serviços foi outro a demonstrar melhora na busca por crédito em abril ante o mesmo mês de 2020. Houve alta de 134% no INDC do segmento no período, seguida de expansão de 30% de bancos e financeiras.

A tendência é de acomodação na demanda por crédito no curto e médio prazos, segundo Costa. Isso deve acontecer tanto por conta da insegurança dos consumidores quanto ao futuro quanto em decorrência da alta da taxa básica de juros. Em maio, pelo segundo mês consecutivo, o Banco Central (BC), elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, com a taxa passando de 2,75% para 3,50% ao ano.

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