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Taxa básica de juros deve fechar ano em 3,75% ao ano, segundo economistas ouvidos pelos BC para o Relatório Focus
O ano pode ter começado nesta Quarta-Feira de Cinzas, como diz o clichê, mas os economistas permaneceram revisando para cima as perspectivas para a inflação. E este início de ano “extraoficial” trouxe um algo a mais: uma nova revisão para cima das projeções para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2021.
O Relatório Focus divulgado nesta quarta-feira (17) pelo Banco Central mostra que a mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, o índice oficial de inflação do país) subiu para 3,62%.
Esta é a sexta semana consecutiva que as projeções foram revisadas para cima. Na semana passada, a mediana era de 3,60%, enquanto há quatro semanas era de 3,43%. Para 2022, a expectativa foi mantida em 3,49%.
A inflação prevista para este ano ainda está abaixo do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2021, de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo – ou seja, limite inferior de 2,25% e superior de 5,25%.
Mas a nova mediana demonstra que o Brasil verá neste ano uma aceleração dos preços, como ocorreu no final de 2020, ainda que o IPCA tenha desacelerado no começo do ano, após quatro meses de alta escalonada.
O ritmo de avanço do índice de preços fez os economistas revisarem para cima a expectativa para a Selic ao final de 2021, de 3,50% para 3,75% ao ano. Há quatro semanas, a expectativa era de 3,25% ao ano. Para 2022, a expectativa foi mantida em 5,00% ao ano.
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O Relatório Focus mostrou ainda que os economistas novamente revisaram para baixo as projeções para o crescimento da economia em 2021.
A expectativa agora é que o PIB feche o ano com alta de 3,43%, um pouco abaixo dos 3,47% calculados na semana passada e dos 3,45% divulgados há um mês. Para 2022, a projeção permanece sendo de crescimento de 2,50%.
Único índice de atividade setorial divulgado pelo Focus, a produção industrial de 2021 foi elevada pelos economistas, para 5,18%, acima dos 5,00% divulgados na semana passada. Para o próximo ano, as expectativas passaram de 2,45% para 2,50%.
O dólar deve fechar 2021 e 2022 em e acima de R$ 5,00, respectivamente. Para este ano, a expectativa é de R$ 5,01, o mesmo valor projetado na semana passada.
A situação terá efeitos positivos para a balança comercial. Os economistas revisaram o superávit previsto para 2021 de R$ 55 bilhões para R$ 57 bilhões e o saldo positivo de 2022 de R$ 49,70 bilhões para R$ 49,85 bilhões.
Em relação ao endividamento do país, o Focus mostrou que a mediana das projeções para a dívida líquida do setor público, como proporção do PIB, teve leve redução, de 64% para 63,9%. Para 2022, o percentual caiu de 65,8% para 65,4%.
A expectativa para o déficit primário para 2021 permaneceu em 2,70%, enquanto a projeção para o déficit do resultado nominal em 2021 ficou em 7,00%.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.
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