Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2021-03-18T17:58:56-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Entrevista exclusiva

Stefanini segue com plano de aquisições e vê IPO como estratégico para o grupo

Fundador do grupo que fatura R$ 4 bilhões e opera em 41 países, Marco Stefanini espera mais um ano positivo para a companhia, mas critica retrocesso do Brasil na agenda liberal e no combate à corrupção

19 de março de 2021
6:04 - atualizado às 17:58
Marco Stefanini, fundador e CEO Global do Grupo Stefanini
Marco Stefanini, fundador e CEO Global do Grupo Stefanini - Imagem: Divulgação

Referência no mercado de tecnologia no país, o empresário Marco Stefanini já teve sua trajetória contada no livro com o título “O Filho da Crise”. Pois essa habilidade em contornar situações difíceis foi colocada mais uma vez à prova com a pandemia da covid-19.

Os números mostram que o grupo que leva o nome do empresário passou em mais um teste. Apesar da pandemia — ou até por causa dela — a Stefanini chegou aos R$ 4 bilhões em faturamento em 2020, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

“A gente tem uma característica de ser muito rápido e flexível em momentos de crise. E mais uma vez honrou o nome do livro”, me disse Stefanini, em uma entrevista por videoconferência.

Com presença em 41 países, a empresa que presta serviços de tecnologia em setores como o financeiro, marketing e a chamada indústria 4.0 é nome constante nas listas de candidatos a fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa.

Mas os sucessivos adiamentos do plano de abertura de capital já levaram uma parte do mercado a questionar se a intenção da Stefanini de listar suas ações é mesmo para valer. Afinal, a empresa cresceu e chegou até o patamar atual sem nunca ter recebido capital de fundos ou assumir endividamento.

De certo modo, a Stefanini fez o caminho contrário. Em vez de buscar dinheiro no mercado, a companhia que nasceu nos anos 1980 como uma escola de programação para mainframes (grandes computadores) atuou como investidora de uma série de novos negócios (ventures).

As aquisições em série transformaram a empresa. Do foco inicial em serviços de tecnologia — com margens apertadas, mas que demandam capital menor — as ventures agregaram sistemas de propriedade intelectual próprios que hoje já contribuem para o grupo com uma receita conjunta da ordem de R$ 1 bilhão.

A hora e a vez do IPO

Passada essa fase de consolidação, o empresário diz que finalmente chegou a hora de ter sócios na bolsa. Ou seja, a decisão de abrir o capital está tomada e depende apenas das condições do mercado. O que falta traçar é a rota até o destino.

Está na mesa a possibilidade de o IPO de todo o grupo ou de uma ou mais subsidiárias, assim como a abertura de capital aqui na B3 ou lá fora, aproveitando a presença internacional da companhia. “Algumas dessas perguntas já têm resposta. Para as outras a gente vai acompanhando”, desconversou, quando eu o questionei sobre os detalhes.

Stefanini diz que o IPO faz parte de uma visão de longo prazo para o grupo, a mesma que o levou a expandir seu negócio via aquisições e também para o exterior, muito antes do tema da internacionalização entrar na pauta até de investidores pessoas físicas.

Estar na bolsa também é estrategicamente importante para os planos de crescimento do grupo. Com a avaliação em alta das empresas digitais, a Stefanini já se prepara para pagar mais caro em eventuais aquisições, tendo como contrapartida o valor mais alto das próprias ações listadas em bolsa.

No tamanho atual, o grupo encontra cada vez mais dificuldades para seguir crescendo sem recursos de terceiros, o que também leva ao caminho da bolsa. “Agora, como jogo é maior, o aporte de investidores aumentaria a nossa capacidade de investimento.”

Aquisições e internacionalização

A pandemia não diminuiu o apetite do grupo por aquisições. Ao todo foram seis no ano passado, de empresas que oferecem plataformas de tecnologia que atendem áreas como varejo, marketing digital e cybersegurança.

Sobre a possibilidade de novos negócios no radar, Stefanini diz que o portfólio de soluções oferecidas hoje já é bastante robusto. Ainda assim, a empresa segue "extremamente proativa" em busca de oportunidades.

“Gasto bastante do meu tempo para fazer organicamente as ventures, fazer extensões globais dessas soluções e, ao mesmo tempo, fazer novas aquisições no Brasil e no exterior.”

Na condição de uma das empresas brasileiras com mais subsidiárias no exterior, o desafio maior da Stefanini hoje não é mais a expansão geográfica, mas escalar algumas das atuais operações no exterior, segundo Marco. Mesmo com espaço para avançar, as receitas de fora do país já representam mais da metade da receita do grupo.

Aprendizado com a pandemia

A segunda onda da pandemia da covid-19 no país promete mais um ano de bastante instabilidade, mas Stefanini espera por mais um ano de crescimento para a companhia.

Primeiro, porque os clientes de certo modo aprenderam a trabalhar com um cenário de restrições à circulação de pessoas e já não há mais o elemento surpresa do começo da pandemia.

“As empresas já aprenderam que têm que se mexer, senão morrem, estando com bom resultado agora ou não.” Esse cenário favorece a Stefanini, que oferece soluções que, segundo o empresário, contribuem para melhorar a eficiência dos clientes.

A diversificação do grupo — tanto geográfica como de setores atendidos — também contribui para amortecer eventuais choques. Nesse contexto, ele espera que as soluções digitais oferecidas pela companhia mais uma vez se destaquem.

Leia também:

Retrocesso do Brasil

O otimismo de Marco Stefanini com as perspectivas para a economia não se repete quando o tema é o cenário para a economia brasileira.

“Eu tinha uma expectativa melhor para o Brasil nesta época. O país não avançou na agenda liberal e na agenda anticorrupção acabou retrocedendo.”

A instabilidade política combinada com a crise sanitária provocada pela covid-19 dificulta ainda mais a situação, mas na velha linha “o brasileiro não desiste nunca” o executivo especialista lidar com crises acredita que ainda há espaço para uma reviravolta.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

seu dinheiro na sua noite

Uma tarde de soluços nos mercados

O preço dos combustíveis, um dos grandes vilões da elevada inflação brasileira, não dá sinais de enfraquecimento. Muito pelo contrário: a passagem do furacão Ida pelo Golfo do México deve seguir impactando a oferta de petróleo por mais alguns meses, o que traz reflexos diretos ao preço da commodity. O Brent fechou em alta pela […]

menos méliuz

Méliuz (CASH3): Truxt reduz participação na companhia

Negociações têm por objetivo investimento e não visam alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da empresa

atenção acionista

Dividendos: Multiplan (MULT3) paga R$ 270 milhões em juros sobre capital próprio

Empresa vai considerar os acionistas inscritos nos registros da companhia no dia 28 de dezembro, dado que as ações de emissão da companhia passaram a ser negociadas “ex juros” a partir de 29 de dezembro

FECHAMENTO DO DIA

Petrobras dá susto, mas commodities garantem o avanço do Ibovespa; dólar sobe a R$ 5,37

A convovação de uma coletiva de última hora assustou os investidores, mas o Ibovespa retomou o ritmo de alta após a estatal confirmar que não irá mexr nos preços.

acesso bloqueado

Vale (VALE3) faz operação para resgatar 39 funcionários presos em mina no Canadá

De acordo com a empresa, na tarde de domingo (26), uma pá escavadeira que estava sendo transportada no acesso à mina subterrânea se desprendeu, bloqueando o shaft e, com isso, impedindo o meio de transporte dos empregados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies