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Nada de bolha, falência, correção… para entender por que as ações das varejistas estão derretendo, o buraco é mais embaixo; entenda e confira também o que esperar do futuro
No início do primeiro semestre, analistas falavam muito sobre a tese de reabertura econômica. Dizia-se, à época, que com o arrefecimento da pandemia, os estímulos monetários e as épocas de fortes vendas - como black friday e Natal -, a bolsa seria impulsionada e as varejistas sairiam ganhando. No entanto, essa tese fracassou. Pelo menos por ora.
Embora a reabertura tenha acontecido em certa medida, a PEC dos Precatórios e a alta da inflação atingiram a bolsa em cheio: da sua máxima histórica de 130 mil pontos, em junho, o Ibovespa caiu cerca de 17%. E as varejistas, cujas margens foram afetadas pela alta dos preços, desmoronaram. Afinal, essas empresas passaram a encontrar dificuldade no repasse dos valores para seus produtos. Mas o buraco é bem mais embaixo.
A queda nos papéis do setor se intensificou após os resultados fracos do terceiro trimestre e, até o momento, os três piores desempenhos do ano ficam com o trio de ouro do e-commerce brasileiro: Magazine Luiza (MGLU3), Americanas (AMER3/LAME4) e Via (VIIA3), todas em queda de mais de 60% no ano.
Listamos 3 razões para a queda do varejo em 2021. Confira:
Os últimos dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no início de dezembro, mostram que, embora o desemprego tenha recuado para 12,6%, a renda sofreu a maior queda anual desde a criação da série histórica iniciada em 2012 - 11,1%. Atualmente o Brasil registra mais de 13 milhões de desempregados.
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Segundo o BTG Pactual, a desaceleração do e-commerce local tem ocorrido principalmente na venda de eletrônicos e por empresas que utilizam o próprio estoque para as vendas (chamado de 1P). A competição internacional é outra dificuldade, como a Shopee, Aliexpress e Mercado LIvre, que leva as companhias locais a reduzirem suas margens para se manterem competitivas.
De acordo com o IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos últimos 12 meses é de 10,67% até outubro. Além das pressões inflacionárias tradicionais, o setor de eletrodomésticos e eletrônicos também é afetado pela forte desvalorização do real frente ao dólar. No ano, a moeda americana já avança mais de 7%.
A recuperação das ações ainda pode demorar mais um pouco. Para o BTG, a tendência de queda deve seguir no curto prazo, mas o movimento de alta deve prevalecer no longo prazo, “com apenas alguns vencedores”. A razão do otimismo está na tendência de crescimento que deve se seguir (impulsionada pela baixa capilaridade vista no país quando comparado a outros mercados) e a consolidação vista no setor após a mudança do varejo físico para o online.
Neste sentido, alguns players do mercado avaliam que a mais poderosa para ressurgir das cinzas é o Magazine Luiza (MGLU3). Segundo o analista de ações e opções Ruy Hungria, a ação está barata como há muito tempo não esteve. "A varejista continua sendo a melhor dentro do segmento de varejo e tem tudo para aproveitar os últimos dois meses do ano, que costumam ter vendas muito fortes, para mostrar ao mercado que continua acima das rivais", diz ele.
O economista e estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, parte da mesma opinião. Ele destaca que "as dificuldades macroeconômicas forçarão as companhias a espremer suas margens brutas (briga por preço) e ampliar as despesas de marketing".
Miranda, porém, espera resultados mais sólidos da companhia daqui em diante, sem um comprometimento exagerado de seus caixas, o que será importante para começar 2022.
Além disso, o múltiplo de venda projetado para o Magalu para os próximos 12 meses é de 2,3 vezes. E, embora esteja abaixo do Mercado Livre (9,6x), pode ser um fator positivo para o futuro das ações.
"Entre Americanas, Via e Magalu, as operações da última parecem mais à frente após as boas aquisições e a entrada em novos segmentos (delivery, moda, conteúdo, etc)", afirma Miranda.
"Isso justificaria múltiplos de vendas maiores do médio ao longo prazo e, se os investidores aceitarem pagar múltiplos como o atual daqui a dois anos, o preço das ações poderá estar associado ao crescimento da empresa, que deve ficar na casa dos 25% ao ano", completa.
Uma piora na inflação, aumento dos juros, questões regulamentares, possíveis ruídos internos da companhia, volta das restrições devido à covid-19, aumento da crise político-econômica brasileira e outros fatores podem jogar a cotação do papel para baixo.
Este conteúdo faz parte do quadro "Pílulas do Mercado". Para ler um MATERIAL COMPLETO, escrito pela repórter Jasmine Olga, basta clicar neste link.
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