Ipea reduz projeção de crescimento para o PIB em 2021 de 4% para 3%
Na Carta de Conjuntura divulgada nesta terça-feira, 30, o Ipea prevê que o PIB brasileiro recuará 0,5% no primeiro trimestre de 2021 ante o último trimestre de 2020.

O recrudescimento da pandemia de covid-19 no Brasil fez o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduzir sua expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Em meio ao endurecimento das medidas restritivas necessárias ao combate da disseminação do coronavírus, a projeção passou de um avanço de 4%, divulgado em dezembro, para uma alta agora de 3%.
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"Além de aumento das incertezas relacionada à política fiscal", complementou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea. "Mas o principal (motivo para a revisão do PIB) é a pandemia", afirmou.
Na Carta de Conjuntura divulgada nesta terça-feira, 30, o Ipea prevê que o PIB brasileiro recuará 0,5% no primeiro trimestre de 2021 ante o último trimestre de 2020. O órgão acredita que as medidas sanitárias contra o agravamento da pandemia afetarão a atividade econômica no curto prazo, prejudicando o desempenho do primeiro semestre. No entanto, a expectativa é que o impacto negativo seja significativo, mas menos agudo do que o registrado no segundo trimestre de 2020, quando o novo coronavírus derrubou mais intensamente a economia no País.
"De fato, o aprendizado das empresas sobre como operar nesse ambiente de distanciamento social permite esperar uma ruptura menos drástica dos processos de produção e comercialização de bens. Além disso, e mais fundamental, há o fato de que o processo de vacinação da população contra o novo coronavírus já se encontra em curso, o que torna o horizonte menos incerto em comparação com um ano atrás: naquele momento, as dúvidas giravam em torno de se e quando haveria vacina; agora, a incerteza diz respeito apenas a quando uma parcela suficientemente grande da população estará vacinada. Espera-se, como consequência, que as medidas de distanciamento social tenham menor duração", estimou o Ipea, no documento.
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O cenário esperado pelo órgão de uma vacinação em ritmo avançado no segundo semestre permitirá a retomada do crescimento ainda na segunda metade de 2021. O Ipea aponta que as condições ainda deterioradas do mercado de trabalho e o desequilíbrio fiscal serão questões críticas a enfrentar, mas acredita que a atividade econômica possa contar com um impulso do crescimento internacional em ritmo acelerado. No ano seguinte, em 2022, a projeção é de que o PIB avance 2,8%.
Setores e componentes do PIB
Quanto às projeções para as principais atividades econômicas, o Ipea espera que o PIB da Indústria suba 3,7% em 2021, seguido de alta de 2,5% em 2022. O PIB de Serviços deve ter expansão de 2,8% em 2021, além de alta de 3,0% em 2022. O PIB da Agropecuária cresceria 2,2% em 2020 e mais 2,0% em 2021.
Sob a ótica da demanda, o consumo das Famílias deve aumentar 2,7% em 2021, seguido de alta de 2,7% em 2022, enquanto o consumo do governo subiria 2,0% em 2021 e mais 2,0% em 2022.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) deve avançar 5,8% em 2021, seguido de elevação de 4,6% em 2022.
As exportações teriam expansão de 3,6% em 2021 e de 4,8% em 2022, enquanto as importações cresceriam 5,2% em 2021 e 5,3% em 2022.
Inflação, juros e câmbio
O órgão estima que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2021 em 4,6%, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) avance 4,3%, ambos apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois indicadores de inflação terminariam o ano de 2022 com alta de 3,4%, em um cenário de taxa básica de juros, a Selic, mais elevada e de incertezas fiscais controladas.
As projeções do Ipea consideram que a Selic encerre 2021 em 5,00% ao ano, subindo a 6,00% ao fim de 2022.
A taxa de câmbio seria de R$ 5,30 ao fim deste ano, descendo a R$ 5,25 ao término do ano que vem.
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