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Federação rachada

Divergência entre gigantes: Comissão da Câmara quer ouvir Guedes, BB (BBAS3) e Caixa sobre saída da Febraban

As duas instituições discordaram da adesão da federação a um manifesto que será lançado pela Fiesp amanhã, que pede harmonia entre os Poderes

Fachadas da Caixa e do Banco do Brasil
Fachadas da Caixa e do Banco do Brasil - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Poucas vezes se viu os ecos de Brasília chegarem tão próximos do sistema financeiro, como está acontecendo neste momento. O presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), disse neste domingo, 29, que vai apresentar um requerimento para ouvir o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro. O deputado quer entender a decisão dos bancos de deixar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

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"Quando você politiza essa questão dos bancos, é muito triste, a gente começa a ficar preocupado. Quero entender, de fato, o que está acontecendo, não dá para a gente ficar nessa economia ideológica", diz Aureo Ribeiro.

O requerimento será apresentado nesta segunda-feira, 30, como prioridade, segundo o parlamentar. A ideia é que o convite seja aprovado até quarta-feira, 1º de setembro, e uma audiência única com os três seja marcada dentro de 15 dias.

Para entender

O Banco do Brasil e a Caixa resolveram deixar a Febraban e já avisaram a decisão a Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

O motivo da saída se deve a um manifesto que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) deve publicar amanhã, 31, com um pedido de harmonia entre os três Poderes. A Febraban é signatária do documento.

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O entendimento dos bancos públicos, de acordo com fontes, é que a instituição, que representa o setor no País, é privada e está se posicionando de forma política, o que ambos, controlados pelo governo, discordam.

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Paulo Guedes e os presidentes do BB e da Caixa serão convidados a comparecerem à Câmara. O presidente da Comissão afirma que, se o ministro da Economia faltar, ele será convocado. Desta forma, Guedes seria obrigado a ir à casa prestar os esclarecimentos. Pedro Guimarães e Fausto Ribeiro não podem ser convocados, apenas convidados.

Veja no vídeo por que os bancos estão oferecendo ETFs quase de graça:

Bastidores

Os dois bancos teriam encaminhado nota à Febraban, comunicando a saída da entidade caso o manifesto seja publicado. Segundo relatos, ambos se posicionaram contra a adesão à iniciativa, que foi votada na instituição e teve concordância da maioria.

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O assunto tem sido discutido há uma semana. O manifesto não cita o presidente da República, Jair Bolsonaro, mas traz críticas implícitas à gestão de Paulo Guedes e foi encarado pelos bancos públicos como uma claro ataque à política econômica.

No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade com Bolsonaro.

A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban, ao ponto de uma associação nacional dos bancos públicos estar sendo cogitada.

O manifesto da Fiesp, intitulado "A praça é dos três Poderes", foi assinado por diversas entidades da sociedade civil. Juntas, destacam no documento, que veem com "grande preocupação" a "escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas".

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Agronegócios

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) está entre as entidades signatárias do manifesto. A confirmação da assinatura da Abag foi dada pelo presidente da entidade, Marcello Brito, neste domingo, ao Broadcast.

"Analisamos o manifesto e aceitamos participar pelo pedido de manutenção da democracia e harmonia entre os Poderes", disse Brito.

Segundo Brito, o convite para a Abag assinar o manifesto foi feito pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). "Sabemos que toda democracia tem momentos mais brabos e mais suaves, mas a democracia é o melhor sistema que temos, permitindo ajustes e negociações. Precisamos de harmonia entre os Poderes, liberdade para trabalhar e segurança jurídica no País", afirmou ele.

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