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As duas instituições discordaram da adesão da federação a um manifesto que será lançado pela Fiesp amanhã, que pede harmonia entre os Poderes

Poucas vezes se viu os ecos de Brasília chegarem tão próximos do sistema financeiro, como está acontecendo neste momento. O presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), disse neste domingo, 29, que vai apresentar um requerimento para ouvir o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro. O deputado quer entender a decisão dos bancos de deixar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
"Quando você politiza essa questão dos bancos, é muito triste, a gente começa a ficar preocupado. Quero entender, de fato, o que está acontecendo, não dá para a gente ficar nessa economia ideológica", diz Aureo Ribeiro.
O requerimento será apresentado nesta segunda-feira, 30, como prioridade, segundo o parlamentar. A ideia é que o convite seja aprovado até quarta-feira, 1º de setembro, e uma audiência única com os três seja marcada dentro de 15 dias.
O Banco do Brasil e a Caixa resolveram deixar a Febraban e já avisaram a decisão a Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conforme apurou o Estadão/Broadcast.
O motivo da saída se deve a um manifesto que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) deve publicar amanhã, 31, com um pedido de harmonia entre os três Poderes. A Febraban é signatária do documento.
O entendimento dos bancos públicos, de acordo com fontes, é que a instituição, que representa o setor no País, é privada e está se posicionando de forma política, o que ambos, controlados pelo governo, discordam.
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Paulo Guedes e os presidentes do BB e da Caixa serão convidados a comparecerem à Câmara. O presidente da Comissão afirma que, se o ministro da Economia faltar, ele será convocado. Desta forma, Guedes seria obrigado a ir à casa prestar os esclarecimentos. Pedro Guimarães e Fausto Ribeiro não podem ser convocados, apenas convidados.
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Os dois bancos teriam encaminhado nota à Febraban, comunicando a saída da entidade caso o manifesto seja publicado. Segundo relatos, ambos se posicionaram contra a adesão à iniciativa, que foi votada na instituição e teve concordância da maioria.
O assunto tem sido discutido há uma semana. O manifesto não cita o presidente da República, Jair Bolsonaro, mas traz críticas implícitas à gestão de Paulo Guedes e foi encarado pelos bancos públicos como uma claro ataque à política econômica.
No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade com Bolsonaro.
A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban, ao ponto de uma associação nacional dos bancos públicos estar sendo cogitada.
O manifesto da Fiesp, intitulado "A praça é dos três Poderes", foi assinado por diversas entidades da sociedade civil. Juntas, destacam no documento, que veem com "grande preocupação" a "escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas".
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) está entre as entidades signatárias do manifesto. A confirmação da assinatura da Abag foi dada pelo presidente da entidade, Marcello Brito, neste domingo, ao Broadcast.
"Analisamos o manifesto e aceitamos participar pelo pedido de manutenção da democracia e harmonia entre os Poderes", disse Brito.
Segundo Brito, o convite para a Abag assinar o manifesto foi feito pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). "Sabemos que toda democracia tem momentos mais brabos e mais suaves, mas a democracia é o melhor sistema que temos, permitindo ajustes e negociações. Precisamos de harmonia entre os Poderes, liberdade para trabalhar e segurança jurídica no País", afirmou ele.
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