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Lucia Camargo Nunes

SEMPRE TEM JEITO

Cansado do aumento no preço da gasolina? Saiba como economizar com o combustível do seu carro

Conheça os principais métodos conhecidos para fazer o tanque render mais e assim gastar menos dinheiro com seu automóvel

Lucia Camargo Nunes
22 de dezembro de 2021
6:00 - atualizado às 12:21
Mercedes-Benz-GLC200
Mercedes-Benz-GLC200 - Imagem: Divulgação

A disparada do preço dos combustíveis ligou um alerta sobre a forma como escolhemos e usamos o carro. Afinal, desde janeiro, o brasileiro viu o preço do litro da gasolina saltar cerca de 70%. 

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Com a desvalorização cambial, tendência de alta na cotação do petróleo no mercado internacional e incertezas políticas que geram a instabilidade econômica, não há previsão de quando essa escalada de preços vai estabilizar.

Por isso, o critério “economia de combustível” encabeça entre os quesitos mais considerados na hora de escolher um carro.

Preço, segurança e consumo são os principais critérios de escolha

Uma recente pesquisa feita pela plataforma OLX indica que os itens que mais pesam na decisão da compra de um carro são: preço, segurança e consumo. 

Encher o tanque de um modelo compacto, por exemplo, que comporta 40 litros de combustível, dói no bolso. Uma paradinha no posto e lá se vão no mínimo R$ 280.

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O que você precisa saber

Nesta reportagem, você vai descobrir como a forma correta de dirigir e usar o carro pode gerar benefícios para o bolso, principalmente a médio e longo prazos.

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Também vamos te orientar sobre as medições de consumo e mostrar se vale a pena instalar um kit GNV (e suas sequelas).

Amanhã vamos dar dicas dos modelos mais econômicos no consumo de combustível, considerando as diversas opções de motor: flex ou só a gasolina, diesel e híbridos. Assine nossa newsletter para receber o alerta.

Entenda as medições

Primeiramente é importante colocar que os números de consumo divulgados pelas montadoras, atestados pelo Inmetro, o órgão oficial para esse tipo de medição, são difíceis de serem alcançados pelo motorista comum.

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Isso porque os dados são aferidos em simuladores de laboratório, sob condições ideais de temperatura, vento, carga, etc., sem ar-condicionado, e por profissionais preparados para isso. Ou seja, embora verdadeiros, não refletem a realidade, e sim o máximo que podem tirar de eficiência de um veículo.

Então para que servem? Essas medições servem para nos dar uma referência e até tentar atingi-las. Por elas, podemos comparar o consumo dos carros que escolhemos, monitorar a forma de dirigir ou se o carro apresenta algum problema. Uma alta de consumo pode representar uma anomalia em seu funcionamento. 

Flex: etanol ou gasolina?

Outro quesito que altera o consumo é o combustível escolhido. Se o carro for flex com etanol no tanque, o consumo será maior. Com gasolina, nota-se que o carro roda mais. Por isso há aquela regrinha de calcular qual vale mais a pena, conforme o preço. 

Quem tiver mais dificuldade de lembrar da conta, pode baixar aplicativos. Existem vários: para Android: Gasosa, Álcool ou Gasolina e Etanóis são gratuitos e fáceis de usar. No iOS, o Calculadora Gasolina Etanol é um bom app gratuito.   

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Mas se não quiser instalar, siga esta dica fácil: 

Supondo que no posto, o litro da gasolina custa R$ 7 enquanto do etanol está por R$ 5,50. 

Divida o preço do etanol pelo da gasolina.

R$ 5,50 / R$ 7 = 0,78

Para o etanol compensar precisaria estar abaixo de 0,70. 

Ou seja, neste caso a gasolina está mais vantajosa.

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Quanto seu carro, de fato, consome

Ter ciência do consumo do veículo é importante antes de comprá-lo (pelos dados do Inmetro) e durante o uso. E saber medir é fundamental. Uma das formas, se for um carro mais moderno e equipado, é pelo computador de bordo.

As montadoras garantem que essa informação é precisa. Mas na ausência desse dado ou se quiser aferir por conta própria, o procedimento é relativamente simples.

Se o carro for flex, ideal fazer duas medições. Com o tanque praticamente zerado, escolha um dos combustíveis, encha o tanque e zere o hodômetro parcial.

Rode pelo menos 150 km na cidade e encha o tanque de novo com o mesmo combustível (vá até o clique da bomba). Anote quantos litros entraram. Pegue a quilometragem e divida pela quantidade de litros e assim você acha o consumo.

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Repita com o segundo tipo de combustível. E se quiser saber sobre o consumo na estrada, refaça todo o procedimento em percurso rodoviário com caminho livre.

Consumo alto: o que pode estar errado

Escolhido o melhor combustível e sabendo seu consumo, se a diferença para os números do Inmetro for gritante, algo pode estar errado com o carro ou com o motorista.

Descartada uma anomalia mecânica, vamos ao fator humano. Uma das formas de entender o consumo e melhorar os índices é avaliar a forma de dirigir e usar o carro.

Começando pelos cuidados com o automóvel, os mais comuns são: calibrar pneus, tirar peso morto (objetos que não se usa e ficam dentro do carro ou porta-malas), deixá-lo na sombra para não ter de abusar do ar-condicionado e fazer a manutenção preventiva são hábitos saudáveis para o bolso.

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Mas muito do alto consumo tem a ver também com o jeito de dirigir. Por exemplo, em vez de arrancar no semáforo, acelere o carro de forma gradativa e suave. Outra boa conduta é trocar as marchas mantendo os giros do motor, sem pisar fundo no acelerador.

Na estrada, rodar sem pressa, a 90 km/h (e não a 110 km/h), pode fazer bastante diferença. Nessa condição, use o ar-condicionado, porque deixar vidros abertos piora a aerodinâmica e o consumo.

Seguindo essas simples dicas, certamente o consumo vai melhorar. E mesmo que ache pouco, faça as contas e cheque a economia que isso lhe trará em um ano de uso.

E esse tal de GNV?

Estudos indicam que o veículo movido a GNV chega a ser 55% mais econômico do que o abastecido com gasolina, e é menos poluente do que etanol e gasolina. No entanto, a perda de potência gira em torno de 10 a 20%.

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Outra desvantagem do GNV é o maior desgaste de alguns componentes do motor, devido à falta de lubrificação das válvulas, pois os cilindros trabalham com um combustível seco.

A economia precisa ser calculada, porque a conversão requer um investimento. Para rodar com gás natural é preciso instalar o kit GNV, cujo preço vai de R$ 3.500 a R$ 5 mil.

Além disso, incluir cilindros (que vão ocupar o porta-malas e por isso variam de tamanho), fazer a primeira vistoria (entre R$ 350 e R$ 700) e depois a inspeção obrigatória anual (por volta de R$ 200). 

Por fim, quem vai circular com GNV precisa rodar bastante, pelo menos 100 km por dia, para compensar a aplicação inicial e ter um retorno mais rápido. 

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7 dicas para você gastar menos combustível

  • Calibrar pneu é fundamental: muitos motoristas esquecem, mas a cada 15 dias é preciso verificar sua pressão, de preferência com o carro mais frio;
  • Às vezes você se assusta com coisas guardadas no porta-malas? O peso morto interfere no consumo. Deixe o carro com o mínimo indispensável;
  • A forma de dirigir pode fazer toda a diferença. Por exemplo, nas arrancadas. Se quiser gastar menos ao abastecer, fica a dica: acelere gradativamente e de forma suave, como se equilibrasse algo no capô do carro e qualquer movimento brusco o derrubaria;
  • Troque as marchas na rotação correta, mantendo os giros do motor. A direção “esportiva” não combina com economia: frenagens bruscas e pisar fundo no acelerador consomem muito mais combustível. Para evitar o uso do ponto morto, que é perigoso, deixe o carro engatado na marcha mais alta mesmo se não acelerar;
  • No calor, nem vidros abertos nem ar-condicionado no máximo. Se puder deixar o carro em local coberto vai precisar menos da climatização. Se ligar o ar for inevitável, aproveite bem todas as entradas de ar e tente não baixar tanto a temperatura. Na estrada, não adianta abrir os vidros para economizar com o ar-condicionado. Isso aumenta a resistência do ar – arrasto aerodinâmico – e faz o carro “beber” mais combustível. Use o ar com moderação;
  • Rodar sem pressa na estrada é outro gerador de economia. A 110 km/h, o veículo consome 25% mais combustível do que a 90 km/h. Por isso, usar o piloto automático em longos trechos de estrada ajuda o motorista a manter velocidade constante;
  • Manutenção preventiva ajuda bastante a evitar alta de consumo. Por isso é indicado trocar filtros de óleo, ar e combustível e checar velas. Não se esqueça de fazer o alinhamento das rodas.

Aprenda a medir consumo em 7 passos

  • Se seu carro for flex, deixe o tanque na reserva e então abasteça só com gasolina e até o automático da bomba;
  • Zere o hodômetro parcial (se não tiver, anote a quilometragem);
  • Faça percursos apenas na cidade ou estrada, separadamente, e use o carro como é de seu costume, com o ar-condicionado acionado e pneus calibrados, por exemplo;
  • Rode cerca de 150 km e reabasteça com gasolina novamente, até o automático;
  • Anote quantos litros foram necessários nesse reabastecimento;
  • A conta é simples: divida a quilometragem percorrida pela quantidade de litros. Por exemplo: você rodou 150 km em percursos urbanos e reabasteceu com 20 litros. Seu consumo na cidade com gasolina é de 7,5 km/l;
  • Faça a mesma coisa com gasolina na estrada e etanol na cidade e estrada.

Veja se vale ou não a pena ter GNV

  • O preço médio do kit fica entre R$ 3.500 e R$ 5 mil e qualquer carro pode utilizá-lo;
  • A conversão só deve ser feita em oficina credenciada pelo Inmetro;
  • Considere quantos cilindros vai usar e quanto perderá de espaço se ele for para o porta-malas; se ficar sob o bagageiro, estará mais exposto, embora seja resistente a impactos;
  • Se o carro estiver na garantia, verifique se há objeção da montadora sobre a instalação (ou perda de garantia);
  • Cheque o preço da vistoria: de R$ 350 a R$ 700 (varia conforme o tipo de veículo e é mais caro no caso de retirar o kit de um carro e colocar em outro);
  • Todo ano, o veículo com kit GNV precisa passar por inspeção, na qual também são checados pneus, rodas, lâmpadas, freios, direção, eixos, amortecedores e suspensão, entre outros, que precisam estar em ótimo estado. O custo da inspeção gira em torno de R$ 200;
  • A cada 5 anos, os cilindros precisam passar por testes;
  • Especialistas sugerem usar um tanque de combustível líquido por semana para reduzir os desgastes;
  • O carro pode perder até 20% da potência com o GNV;
  • O retorno do investimento depende do uso.

Numa conta rápida, quem roda:

  • 15 km por dia levará 2 anos e meio para valer a pena o investimento inicial
  • 35 km por dia = 1 ano e meio 
  • 90 km por dia = 6 meses 
  • 160 km por dia = 3 meses 

Ou seja, precisa rodar bastante e torcer para que o preço do m³ do GNV se mantenha vantajoso.

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