Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Como o “carro voador” da Eve transforma a ficção em realidade e recoloca a Embraer na vanguarda do setor aéreo

A história da fabricante brasileira de aviões explica de onde veio a criatividade para conceber um novo tipo de veículo urbano que em uma semana, já tinha 250 unidades encomendadas

16 de junho de 2021
6:03 - atualizado às 15:57
Embraer Eve Halo
Imagem: Divulgação

Por volta de abril do ano passado, logo após a Covid-19 se espalhar pela Europa Ocidental e Estados Unidos, vinda da Ásia, e descer para a América do Sul, dei uma entrevista sobre as perspectivas das ações das empresas aéreas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Naquela ocasião, os voos de carreira começavam a ser cancelados mundo afora. Com exceção dos aviões cargueiros, o céu estava ficando vazio.

Me lembro de quando um grande amigo, comandante Luciano Mangoni, da Turkish Airlines, e meu parceiro no livro Voo Cego, me enviou uma mensagem enquanto sobrevoava a Groelândia.

Ele transportava, através da rota polar, insumos medicinais chineses para Los Angeles, Califórnia.

“A impressão que tenho, Ivan, é que voltamos aos dias que se seguiram ao 11 de setembro. Os aviões sumiram do espaço aéreo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Voltando à minha entrevista:

Leia Também

“Neste cenário, as empresas aéreas só não irão à falência se receberem auxílio dos governos”, eu disse ao entrevistador. “Caso contrário, quebra todo mundo”, concluí.

Como não podia deixar de ser, a crise afetaria de igual modo os fabricantes de aviões. Se estes não voam, as companhias aéreas não compram e cancelam as encomendas já feitas.

Antes da Covid-19 surgir na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China, a indústria aeronáutica já não estava bem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em 2019, a Airbus anunciara o fim da fabricação de seu gigante A380, superjumbo que, conforme a configuração dos assentos, pode transportar até 800 passageiros em classe econômica.

Sua grande concorrente, a Boeing Company, não vivia situação melhor.

Todas as apostas da mastodonte de Seattle estavam concentradas em seu modelo revolucionário: 737 Max.

Pois não é que dois deles caíram logo após a decolagem: o primeiro, da Lion Air, da Indonésia, no mar de Java; o segundo, da Ethiopian Airlines, minutos após partir do Adis Ababa Bole International Airport com destino ao Quênia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não restou à FAA – US Federal Aviation Administration –, dos Estados Unidos, reter no solo todos os MAX espalhados pelo mundo, mesmo porque agências aeronáuticas de outros países já haviam tomado a medida antes dos americanos.

Num plano economicamente inferior, a brasileira Embraer concorria com a canadense Bombardier no segmento de aviões destinados a voos de média distância (aviação regional ou commuter aviation).

Como não podia deixar de ser, a crise da pandemia chegou imediatamente à indústria aeronáutica, que já passava por grande transformação.

A Bombardier fora absorvida pela Airbus, obrigando a Embraer a fazer a mesma coisa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Acontece que a companhia brasileira não tinha outra alternativa a não ser a de se associar com a Boeing – justamente o que aconteceu.

A fusão das duas empresas foi decidida em 2018. De acordo com os termos do contrato assinado entre as partes, os americanos absorveriam o setor de aeronaves comerciais da sócia brasileira.

Eis que, em plena crise da Covid-19, com o comércio de aviões praticamente parado, a Boeing desistiu de sua parceria com a Embraer. Isso ocorreu em 25 de abril de 2020.

Heroicamente, empurrando despesas com a barriga, enxugando pessoal, se endividando, a Embraer sobreviveu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por incrível que possa parecer, após toda essa recessão no setor aeronáutico, as ações da companhia de São José dos Campos e Gavião Peixoto recuperaram seu valor em Bolsa.

Em grande parte, isso se deveu à criatividade da empresa.

Como exemplo mais marcante dessa característica, ela acaba de anunciar uma fusão de US$ 2 bilhões entre a sua subsidiária Eve Urban Air Mobility, que desenvolve carros elétricos voadores de pouso vertical (VTOL – Vertical take-off and landing), e a Zanite Acquisitions.

Em apenas uma semana, o veículo revolucionário recebeu 250 encomendas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas não seria uma história meio inverossímil esse negócio de carro que voa? Coisa de filme de ficção científica, revista de quadrinhos ou desenho animado japonês?

Não.

Não na Embraer.

Só que, para sentir firmeza, temos de conhecer a história da companhia.

Tudo começou em 16 de janeiro de 1950, quando o governo brasileiro inaugurou, em São José, uma escola de formação de engenheiros aeronáuticos, o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como, naquela época, o Brasil não fabricava nem automóveis, os alunos do ITA, ao se formarem, só tinham duas opções:

  • dar aulas no próprio instituto.
  • ir trabalhar no exterior, onde encontravam emprego facilmente, principalmente em oficinas de manutenção de empresas aéreas.

Dezesseis anos depois da criação do ITA, o governo inaugurou a primeira indústria de porte de fabricação de aviões.

Antes havia algumas empresas que montavam monomotores de acordo com  projetos concebidos em outros países.

Foi o caso da Neiva, por exemplo, que fabricava aqui os Paulistinhas (Cap-4) e do Parque Aeronáutico de Lagoa Santa, MG, onde eram montados aviões de treinamento Fokker T-21 e T-22.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Logo ficou constatado que a qualidade das aeronaves fabricadas pela Embraer era excelente.

Só que a paixão de seus projetistas por aviões fez com que a empresa pecasse no quesito “economia de escala”. Ao invés de dois ou três modelos, o que lhes daria um preço de venda competitivo, eles trabalhavam com especificações as mais diversas.

Numa lista que não acabava nunca, as linhas de produção se dividiam entre os planadores Urupema, os monomotores Ipanema, Carioca, Corisco, Tupi, Minuano e Sertanejo.

Já na categoria dos bimotores, havia o Seneca e o Navajo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Turboélices: Bandeirante, Brasília, Xingu, Carajá, Vector.

Fora os militares.

Era modelo demais. Por isso, a empresa não conseguia dar lucro e acabou sendo privatizada em 1994.

De lá para cá, passou a ser a terceira maior fabricante de aviões do mundo, perdendo apenas para a Boeing e a Airbus, que se alternavam na liderança.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um dos modelos da Embraer, o Tucano, mais tarde seguido pelo Super Tucano, ambos aviões militares de treinamento, foram vendidos para as forças aéreas de vários países, inclusive a mítica RAF (Royal Air Force).

Agora sempre voltada para o lucro, a Embraer passou a produzir jatos de passageiros de mais de 100 lugares, entre eles o ERJ-145 e o E195-E2, este último o maior avião comercial de fabricação brasileira.

Entre os jatos executivos, destacam-se o Legacy e o Phenom.

Pois bem, em plena crise do setor, causada pelo novo coronavírus, veio a ideia da associação para fabricar o carro elétrico aéreo Eve.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Imaginemos dois ricaços.

Um deles é brasileiro, mora numa mansão em Indaiatuba e tem seu escritório na Faria Lima. Ele vai poder pegar o Eve todas as manhãs em sua casa e pousar no heliponto do prédio de seu escritório na Faria Lima.

O outro é americano. Reside em Greenwich, Connecticut, o condado de maior renda per capita dos Estados Unidos. Trabalha em Lower Manhattan. Seu trajeto será de casa até o Battery Park, algumas quadras ao sul de Wall Street.

Como podemos ver, desde a fundação do ITA, em 1950, os magos de São José dos Campos têm conseguido se reinventar. Depois do Eve, surgirá alguma outra coisa impactante na Embraer. Disso não tenho a menor dúvida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O petróleo volta a ditar o humor dos mercados, mas não é só isso: fertilizantes e alimentos encarecem, e até juros são afetados

10 de março de 2026 - 7:32

O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

9 de março de 2026 - 8:11

Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital

TRILHAS DE CARREIRA

O fim da Diversidade? Por que a Inteligência Artificial (IA) me fez questionar essa agenda novamente

8 de março de 2026 - 8:00

Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

7 de março de 2026 - 9:01

São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid.  Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda dá para investir em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), o FII do mês, e o que mais move seus investimentos hoje

6 de março de 2026 - 8:35

Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira

SEXTOU COM O RUY

Petrobras e Prio disparam na Bolsa — descubra por que não é tarde demais para comprar as ações

6 de março de 2026 - 6:55

Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A luta pelos dividendos da Petrobras (PETR4), o conflito no Oriente Médio e o que mais impacta o seu bolso hoje

5 de março de 2026 - 8:07

Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Dá mesmo para ter zero de petróleo e gás?

4 de março de 2026 - 19:52

A concentração em tecnologia deixou lacunas nas carteiras — descubra como o ambiente geopolítico pode cobrar essa conta

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar