🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Minha utopia brasileira

A caravana da corte portuguesa, falida, dependente do erário e dos favores do príncipe regente, tinha o tamanho da máquina burocrática americana.

11 de janeiro de 2021
10:49
Xadrez Brasil
Imagem: Shutterstock

“O Dom João que chegou ao Brasil em 1808 usaria para governar outro atributo fortíssimo da Monarquia: o da imagem do rei benigno, que tudo provê e de todos cuida e protege. Dom João passaria à história como um monarca bonachão, sossegado e paternal, que recebia pacientemente seus súditos no Palácio de São Cristóvão para o ritual de beija-mão. (..) A corte e o poder real fascinavam-se como uma verdadeira atração messiânica, era a esperança do socorro de um pai que vem curar as feridas dos filhos.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia também:

Esse é um trecho do livro “1808”, de Laurentino Gomes, que narra a chegada da família real portuguesa ao Brasil, como forma de escapar das guerras napoleônicas em meio ao bloqueio continental. Entre 10 mil e 15 mil portugueses atravessaram o Atlântico com Dom João — é aproximadamente o mesmo número de pessoas transferidas para Washington, a nova capital, pelo presidente americano John Adams. A caravana da corte portuguesa, falida, dependente do erário e dos favores do príncipe regente, tinha o tamanho da máquina burocrática americana.

Como resumiu o historiador John Armitage, “um enxame de aventureiros, necessitados e sem princípios acompanhou a família real. (…) os novos hóspedes pouco se interessavam pela prosperidade do país: consideravam temporária sua ausência de Portugal e propunham-se mais a enriquecer à custa do Estado do que a administrar justiça ou a beneficiar o público”.

Segundo o historiador Luiz Felipe Alencastro, naquele tempo, além da família real, 276 fidalgos e dignatários régios recebiam verba anual de custeio e representação, paga em moedas de ouro e prata retiradas do Tesouro Real do Rio de Janeiro. Havia cerca de 2.000 funcionários reais e indivíduos exercendo funções relacionadas à Coroa, 700 padres, 500 advogados, 200 praticantes de medicina e entre 4.000 e 5.000 militares. O cônsul inglês James Henderson resumiu bem a questão: “poucas cortes europeias têm tantas pessoas ligadas a ela quanto a brasileira, incluindo fidalgos, eclesiásticos e oficiais”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A chegada da corte portuguesa marca, basicamente, o início de um processo de transformação que culminaria na superação do Brasil-colônia para sua independência em 1822. Foi um período de muita mudança e modernização. A forma, porém, da apropriação de elementos da cultura europeia e a maneira da constituição da nossa elite mostram a dependência do Estado, as relações de dependência dos “amigos do rei”. Em bom “brasileiro”, as famosas mamadas nas tetas do Estado. 

Leia Também

A elite brasileira nasceu e cresceu sem erudição, profundidade intelectual e capacidade empreendedora, escorando-se nos favores da realeza para se sustentar e expandir. Era uma situação bem diferente daquela observada nos EUA, onde floresceu uma classe alfabetizada, habituada a decisões comunitárias e informada sobre as fronteiras do conhecimento e as invenções do mundo, disposta à atividade empreendedora e acostumada com a assunção de riscos.

Até aí, sejamos sinceros, nenhuma novidade. Mais papo de historiador do que de economista. Mas encontrar raízes históricas ajuda a entender o presente e, quem sabe, projetar o futuro.

Na natureza da sociedade brasileira, não se encontra a disposição ao risco, ao novo, ao desconhecido, ao empreendedorismo. Estamos, desde o começo, deitados em berço esplêndido, no colo do pai português bonachão e benevolente ou nos braços do Estado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Talvez isso até poderia ser uma explicação antropológica para nossas taxas de juro historicamente tão altas. Para toparmos o financiamento público, precisamos ser remunerados agressivamente. Claro que não é a única justificativa. O passado de muita inflação e as dúvidas sobre a capacidade de o Estado honrar seus compromissos financeiros futuros diante da nossa trajetória fiscal estão entre as principais. Mas, pensando bem, não seria a mesma coisa? O Estado gasta muito e gera dúvidas sobre sua capacidade de financiamento; ao mesmo tempo, com seus gastos perdulários, alimenta uma sociedade muito dependente dos favores do Estado, num círculo vicioso aparentemente inquebrável.

Eis que agora, porém, os juros estão baixos. E por mais que devam subir em 2021, continuarão baixos na comparação com os níveis históricos. As pessoas, para não terem seu patrimônio corroído em termos reais e poderem preservar poder de compra, precisarão, cada vez mais, investir em ativos fora da renda fixa convencional. Por bem ou por mal, precisarão lidar com o risco. E não há melhor forma de aprender e conviver com algo a partir da própria convivência com esse algo. Como se aprende a andar de bicicleta? Como se aprende a cozinhar?

Os otimistas acreditam que o juro baixo vai revolucionar o mercado de capitais brasileiro, fazendo com que as pessoas passem a aumentar o duration de suas aplicações em renda fixa, a ter uma poupança de longo prazo grande em ações e a diversificar geograficamente e entre moedas seus investimentos.

Eu concordo com isso, mas tenho uma perspectiva ainda mais ambiciosa: o “financial deepening” como instrumento de transformação de toda a sociedade brasileira, em que passamos a entender que a vida não é de não se correr risco, de termos de nos escorar na segurança, mas, sim, de saber ponderar entre risco e retorno. Isso seria ainda mais transformacional, de entendermos que podemos mudar de emprego, mudar de cidade, mudar de opinião… conhecer o novo, empreender, romper relações destrutivas, abraçar um teste sem necessariamente saber seu resultado, calibrando a perda potencial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Talvez seja uma utopia. A verdade, porém, é que, enquanto não tivermos a propriedade de conviver com o risco e a romper com o paternalismo, jamais conseguiremos caminhar efetivamente com as nossas próprias pernas. O Brasil do financial deepening pode ser de uma sociedade finalmente independente, mais confiante em si e na capacidade de conviver com a incerteza e o risco. Será somente um sonho?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Queda da Selic não salva empresas queimadoras de caixa, dados econômicos e o que mais movimenta seu bolso hoje

19 de janeiro de 2026 - 8:34

Companhias alavancadas terão apenas um alívio momentâneo com a queda dos juros; veja o que mais afeta o custo de dívida

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação certa para a reforma da casa, os encontros de Lula e Galípolo e o que mais você precisa saber hoje

16 de janeiro de 2026 - 8:17

O colunista Ruy Hungria demonstra, com uma conta simples, que a ação da Eucatex (EUCA4) está com bastante desconto na bolsa; veja o que mais movimenta os mercados hoje

SEXTOU COM O RUY

Eucatex (EUCA4): venda de terras apenas comprova como as ações estão baratas

16 de janeiro de 2026 - 6:04

A Eucatex é uma empresa que tem entregado resultados sólidos e negocia por preços claramente descontados, mas a baixa liquidez impede que ela entre no filtro dos grandes investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O fantasma no mercado de dívida, as falas de Trump e o que mais afeta seu bolso hoje

15 de janeiro de 2026 - 8:30

Entenda a história recente do mercado de dívida corporativa e o que fez empresas sofrerem com sua alta alavancagem; acompanhe também tudo o que acontece nos mercados

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Fiscalização da Receita fica mais dura, PF faz operação contra Vorcaro, e o que mais movimenta seu bolso

14 de janeiro de 2026 - 8:46

Mudanças no ITBI e no ITCMD reforçam a fiscalização; PF também fez bloqueio de bens de aproximadamente R$ 5,7 bilhões; veja o que mais você precisa saber para investir hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que a Azul (AZUL54) fez para se reerguer, o efeito da pressão de Trump nos títulos dos EUA, e o que mais move os mercados

13 de janeiro de 2026 - 8:38

Entenda o que acontece com as ações da Azul, que vivem uma forte volatilidade na bolsa, e qual a nova investida de Trump contra o Fed, banco central norte-americano

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O agente secreto de rentabilidade entre os FIIs, a disputa entre Trump e Powell e o que mais move o seu bolso hoje

12 de janeiro de 2026 - 8:28

Investidores também aguardam dados sobre a economia brasileira e acompanham as investidas do presidente norte-americano em outros países

VISÃO 360

A carta na manga do Google na corrida da IA que ninguém viu (ainda)

11 de janeiro de 2026 - 8:00

A relação das big techs com as empresas de jornalismo é um ponto-chave para a nascente indústria de inteligência artificial

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação para ter no bolso com o alívio dos receios envolvendo a Venezuela, e o que esperar da bolsa hoje

9 de janeiro de 2026 - 8:27

Após uma semana de tensão geopolítica e volatilidade nos mercados, sinais de alívio surgem: petróleo e payroll estão no radar dos investidores

SEXTOU COM O RUY

Venezuela e Petrobras: ainda vale a pena reservar um espaço na carteira de dividendos para PETR4?

9 de janeiro de 2026 - 6:12

No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groenlândia: veja como investir hoje

8 de janeiro de 2026 - 8:24

Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar