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Como ter uma carteira com exposição ao exterior mesmo com Powell, o ‘imparável’

1 de setembro de 2021
11:47
Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Powell trouxe um discurso direto e cheio de informações sobre os próximos passos do Fed / Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

Imagino que nos últimos dias você tenha sido bombardeado com diversas análises a respeito da fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, ocorrido na semana passada.

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O evento, que conta com a presença de alguns dos principais banqueiros centrais do planeta, recebe a atenção de investidores do mundo inteiro, uma vez que os participantes muitas vezes aproveitam o encontro para fazer anúncios com grande potencial de impacto nos portfólios globais.

Em 2020, por exemplo, o Fed (o banco central americano) divulgou uma alteração no modo em que analisaria a sua meta de inflação a partir de então, passando de um valor fixo para uma média ao redor de um determinado nível.

Essa maior leniência com a inflação indicou aos investidores que Powell e seus comandados estariam dispostos a manter a taxa básica de juros em níveis extremamente baixos para estimular a economia — lembrando que, no período do anúncio, estávamos no auge da pandemia do novo coronavírus.

A política monetária expansionista, por sua vez, tornaria ainda mais atrativo o investimento em renda variável. Afinal de contas, com os títulos públicos de prazos mais longos pagando taxas abaixo de 1% (nominal), um investidor levaria mais de 70 anos para conseguir dobrar o capital investido em oportunidades desse tipo.

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E isso, de fato, foi observado nos mercados. Desde as mínimas do ano passado, os principais índices americanos — S&P 500, Dow Jones e Nasdaq — se valorizaram 102%, 90% e 122%, respectivamente. Até mesmo o Ibovespa, com todas as dificuldades enfrentadas no meio do caminho, apresentou alta de 85% (em dólar).

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Obviamente esses retornos foram “beneficiados” pela forte queda decorrente da crise sanitária que vivenciamos no início de 2020. Contudo, mesmo quando analisamos os últimos doze meses, os índices americanos entregaram retornos superiores a 23%, com o Ibovespa não muito atrás (20%).

A expectativa era de que neste ano Powell trouxesse à tona a ideia de redução dos estímulos monetários na economia, com uma parte dos analistas esperando sinalizações claras sobre possíveis aumentos nos juros — algo exposto por alguns dos membros do Fed nas últimas semanas.

Por um lado, o mandatário do Fed afirmou que a instituição deve reduzir a compra de US$ 120 bilhões mensais em títulos ainda em 2021, com mais detalhes sendo divulgados nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (talvez já na que acontecerá nos dias 21 e 22 de setembro).

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Contudo, Powell reforçou que essa redução no ritmo de compras não teria indicações diretas para um aumento na taxa de juros. Apesar das melhoras observadas na economia americana, a taxa de desemprego ainda se encontra distante do ideal, e mesmo a inflação nos níveis atuais — acima dos 4% — estaria calcada em questões transitórias e não permanentes.

Isso soou como música para os mercados, com o S&P 500 fechando agosto pelo sétimo mês seguido no positivo (maior sequência desde a encerrada em dezembro de 2017). Em 2021 já foram 53 pregões encerrados em novas máximas, e o índice ainda não apresentou uma queda de 5% no ano.

Estaria uma bolha se formando?

Naturalmente, alguns investidores podem ver nesses dados o indicativo de uma bolha se formando. Olhando apenas o múltiplo Preço/Lucro atual do índice, acima de 27 vezes (ante uma média histórica próxima de 17 vezes desde o final de 1970), ficaria difícil convencê-los do contrário. 

Importante lembrar, porém, que a tomada de decisão de investimento depende não apenas da classe de ativo em questão, mas das alternativas existentes no momento.

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Comparando o retorno esperado nas ações utilizando o “earnings yield” do S&P 500 (ou 1 dividido pelo múltiplo P/L, próximo de 3,7%) com a rentabilidade no título de dez anos do Tesouro americano (na casa de 1,3%), a diferença atual seria de 2,4 pontos percentuais.

Entre 2005 e 2007 — ou seja, antes da crise do subprime —, o diferencial médio foi de 1,3 ponto percentual (EY de 5,9% vs 4,6% do título de dez anos). Colocando 2008 na conta, essa diferença aumenta para 1,6 ponto percentual, mesmo com a diferença perto dos 4 pontos percentuais no último trimestre daquele ano (7% vs 3,2%). 

Já na época da bolha das pontocom, a diferença ficou no campo negativo a maior parte do tempo: do começo de 1997 até o final de 1999, enquanto o earnings yield médio era de 4%, a taxa de juros de longo prazo estava nos 5,8%.

Isso sem considerar que estamos utilizando, para os números atuais, os resultados obtidos nos últimos doze meses. Assumindo as projeções de mercado para os lucros ao final do ano (P/L de 21,9 vezes para o S&P 500), o earnings yield estaria próximo dos 4,6%.

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Mesmo que a taxa de juros volte para perto dos níveis vistos no começo do ano (quando chegou perto dos 2%), ainda teríamos “gordura” no investimento em ações.

Obviamente, temos que monitorar alguns riscos que surgiram nas últimas semanas. O avanço da variante Delta já vem afetando as perspectivas de crescimento dos EUA, assim como as questões geopolíticas que podem emergir com os problemas provenientes da saída dos americanos do Afeganistão. 

Isso, contudo, não deve impedi-lo de manter uma parcela da sua carteira em investimentos internacionais — mesmo que tome essa decisão agora. Considerando os últimos passos de Powell, você pode “segui-lo” nessa jornada e aqui na série As Melhores Ações do Mundo mostramos o caminho.

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