O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Quando George Soros escreveu “A Alquimia das Finanças", em 1987, ele argumentava contra a intenção dos alquimistas em tentar mudar a natureza dos metais comuns por encantamento. Em vez disso, eles deveriam ter prestado atenção nos mercados financeiros e talvez conseguissem isso.
Nas ciências sociais, as teorias se prestam a uma função manipulativa — ou seja, elas interferem na própria realidade objetiva. É a tal reflexividade de Soros. As pessoas tentam entender o mundo em que vivemos, no que se chama “função cognitiva”. Ao mesmo tempo, esse entendimento dos seres pensantes se volta para a própria realidade, manipulando-a a partir de suas expectativas e interpretações. A realidade subjetiva interfere na realidade objetiva.
Ao propor o argumento, Soros entra em rota de colisão com o value investing clássico, porque desmonta o conceito de valor intrínseco. Não há uma realidade corporativa apartada, dissociada de elementos externos, inapartável daquela empresa. O comportamento dos ativos, estruturalmente, depende de algo externo, extrínseco, da expectativa dos agentes, que molda a própria realidade, sem que o equilíbrio seja necessariamente o destino final dos mercados.
Conforme escreve o próprio Soros, “os preços dos ativos financeiros não refletem com precisão seu valor intrínseco porque esse sequer é a intenção deles. Eles refletem as expectativas dos participantes sobre os futuros preços de mercado”. Estamos próximos à ideia do concurso de beleza keynesiano, em que os participantes deveriam conjecturar sobre qual seria a escolha mais popular — a ideia era escolher não a candidata mais bonita, mas, sim, aquela que seria votada pelos demais como a mais bonita. Importam mais as profecias autorrealizáveis de Robert Merton do que propriamente a realidade concreta.
A coisa fica um pouco mais complicada quando associamos o princípio da reflexividade aos outros dois pilares da teoria de George Soros: a falibilidade e a incerteza de Knight. A complexidade do mundo excede nossa capacidade de compreensão. Diante da falta de conhecimento do todo e da impossibilidade de processar e assimilar toda a informação relevante, recorremos a vários métodos de simplificação: generalizações, dicotomias, metáforas, regras de decisão e preceitos morais. Decidimos com informação incompleta e vários vieses cognitivos, sendo muito mais falíveis do que a ideia dos mercados eficientes poderia supor.
As Finanças Comportamentais caminharam bem ao identificar e lidar com os vieses cognitivos, mas percorreram apenas metade da estrada. Embora tenham adequadamente se debruçado sobre a função cognitiva, pouco têm a nos dizer sobre a função manipulativa — não há aí a reflexividade, a influência sobre a realidade dos vieses cognitivos. Existe a ida, sem a volta.
Leia Também
Aqui é necessário rigor ao se falar de incerteza, porque não se trata de risco mensurável e manipulável. Estamos sob a denominação de Frank Knight, em que risco se refere a múltiplos estados futuros possíveis e se conhecem as probabilidades de cada um dessas potenciais ocorrências. A incerteza é muito pior, porque não se conhecem todos os resultados futuros possíveis, tampouco sua distribuição de probabilidades.
O corolário da simultaneidade entre reflexividade, falibilidade e princípio da incerteza é que os mercados podem se afastar do equilíbrio de maneira quase estrutural e são muito mais sensíveis a interpretações, expectativas, preconceitos e visões de mundo do que a teoria ortodoxa gostaria de supor.
Soros, ao reconhecer a influência das expectativas e do “zeitgeist” sobre os mercados, em alguma medida, se encontra com as ideias de retórica de Deirdre McCloskey e Persio Arida. Mais do que os fundamentos em si, importam as expectativas e interpretações sobre eles. Sob esse arcabouço teórico, conseguimos entender frases bastante práticas como: “O mercado está muito temático”. Um determinado tema (narrativa, interpretação, retórica) se impõe sobre a realidade objetiva, como se algo particular contaminasse o geral.
Essas coisas interagem reflexivamente em ciclos de feedback, com loops positivos (que se reforçam) ou negativos (que vão se autoajustando e amenizam a distância até o equilíbrio). Mesmo os positivos não podem ocorrer ininterruptamente, porque a dissonância da realidade chega a níveis inimagináveis, atingindo um clímax ou são interrompidos por um feedback negativo no meio do caminho.
Há uma nuance adicional.
Se os mercados são perfeitos, então é impossível bater a média do mercado, pois tudo está devidamente incorporado nos preços. Se o axioma é correto, a conclusão é mera aplicação da lógica-dedutiva. Eis o problema: nas ciências naturais, as premissas são construídas de forma empírica, sob a observação da realidade. Nas ciências sociais, como na Economia, não é assim. Partem-se de premissas adotadas em prol da formalização e da aproximação do método ao hard science, sem a necessária correspondência à realidade — a escolha racional e a informação completa são exemplos canônicos.
Como já parece claro a esta altura, os mercados não são perfeitos. Temos reflexividade, falibilidade e incerteza. Isso não significa, porém, que possamos bater o mercado com facilidade — essa é uma falácia lógica que precisa ser evitada. Se os mercados são eficientes, não podemos bater o mercado. Mas isso não quer dizer que se os mercados não são eficientes todos dispõem de um método simples e eficiente para superá-lo. A implica B; Não A não implica não B.
A falibilidade, a reflexividade e a incerteza não são facilmente modeláveis. Os mercados podem continuar irracionais e em feedbacks positivos por mais tempo do que o trader pode suportar. Até que algo interrompa o ciclo, mostrando a realidade objetiva.
Penso em duas formas de manifestação do concreto. A primeira é o resultado trimestral ou uma sequência deles, que, no final das contas, se tornam dividend yield lá na frente se o mercado não vier a pagar por isso. E a segunda são deals privados, que objetivamente mostrem o valor que o mercado público não está disposto a pagar.
Conclusões práticas: essa temporada pode ser a primeira catálise para separarmos o joio do trigo. Alguns valuations de empresas de tecnologia simplesmente não fazem sentido — o choque de realidade começa agora. E ele pode ser duríssimo. Se o mercado não quer saber de incorporadora, mas os ativos são bons e os preços também, podemos nos preparar para uma sequência de deals — Tecnisa pode ser só o primeiro. O varejo de moda vai pelo mesmo caminho. Neste valuation e com a questão da sucessão batendo à porta, Marisa, para mim, tem Lojas Americanas apenas como uma de suas candidatas.
Investir não é sobre prever o futuro político, mas sobre manter a humildade quando o fluxo atropela os fundamentos. O que o ‘Kit Brasil’ e um pote de whey protein têm em comum?
Saiba por que a Direcional é a ação mais recomendada para sua carteira em fevereiro e o que mais move as bolsas hoje
Mercado também reage a indicação para o Fed, ata do Copom e dados dos EUA; veja o que você precisa saber antes de investir hoje
Após um rali bastante intenso, especialmente nos metais preciosos, a dinâmica passou a ser dominada por excesso de fluxo e alavancagem, resultando em uma correção rápida e contundente
As PMEs serão as mais impactadas com uma eventual mudança no limite de horas de trabalho; veja como se preparar
Mesmo tendo mais apelo entre os investidores pessoas físicas, os fundos imobiliários (FIIs) também se beneficiaram do fluxo estrangeiro para a bolsa em janeiro; saiba o que esperar agora
Numa segunda-feira qualquer em dezembro, taças ao alto brindam em Paris. Estamos no 9º arrondissement das Galerias Lafayette, a poucas quadras do Palais Garnier. A terra do luxo, o templo do vinho. Mas, por lá, o assunto na boca de todos é o Brasil. Literalmente. O encontro marcou o start do recém-criado projeto Vin du Brésil, iniciativa que […]
Expansão de famosa rede de pizzarias e anúncio de Trump também são destaque entre os investidores brasileiros
O estrangeiro está cada vez mais sedento pelos ativos brasileiros, e o fluxo que tanto atrapalhou o Ibovespa no passado pode finalmente se tornar uma fonte propulsora
Veja por que o BTG Pactual está transformando FIIs em fiagros, e qual a vantagem para o seu bolso; a bolsa brasileira também irá reagir após o recorde de ontem na Super Quarta e a dados dos EUA
Por isso, deveríamos estar preparados para um corte da Selic nesta SuperQuarta — o que, obviamente, é muito diferente de contar com isso
Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, explica por que a Selic não deve começar a cair hoje; confira a entrevista ao Seu Dinheiro
A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje
A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
Metais preciosos e industriais ganham força com IA, carros elétricos e tensões geopolíticas — mas exigem cautela dos investidores
Sua primeira maratona e a academia com mensalidades a R$ 3.500 foram os destaques do Seu Dinheiro Lifestyle essa semana
Especialistas detalham quais os melhores mercados para diversificar os aportes por todo o mundo
Foque sua carteira de ações em ativos de qualidade, sabendo que eles não vão subir como as grandes tranqueiras da Bolsa se tivermos o melhor cenário, mas não vão te deixar pobre se as coisas não saírem como o planejado
A disputa entre títulos prefixados e os atrelados à inflação será mais ferrenha neste ano, com o ciclo de cortes de juros; acompanhe também os principais movimentos das bolsas no Brasil e no mundo
No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual