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Felipe Miranda: estaríamos nos tornando investidores piores?

Será que o diabo veste mesmo Prada? Ou será mais fácil vê-lo de ternos escuros, gravata normalmente vermelha, comendo hambúrguer e tomando Cherry Coke? CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Como sabemos, o diabo é diabo não porque é sábio, mas porque é velho. Cultua-se muito a inteligência e a sagacidade em investimentos, […]

Imagem: Shutterstock

Será que o diabo veste mesmo Prada? Ou será mais fácil vê-lo de ternos escuros, gravata normalmente vermelha, comendo hambúrguer e tomando Cherry Coke?

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Como sabemos, o diabo é diabo não porque é sábio, mas porque é velho. Cultua-se muito a inteligência e a sagacidade em investimentos, negligencia-se o bom senso e a capacidade de espera

Com tudo sendo tão rápido e acelerado, com pesquisas muito profundas feitas em 45 segundos na Wikipédia e todos sendo inteligentes depois do Google, será que estaríamos nos tornando investidores piores, posto que a necessidade de ter tudo tão depressa inibe a atuação da poderosa força dos juros compostos? Se não podemos esperar nada, simplesmente perdemos a convexidade típica da Bola de Neve, juros sobre juros atuando em nosso favor por muito tempo.

Em seu livro “A Psicologia Financeira”, Morgan Housel descreve um lado pouco explorado de dois personagens muito conhecidos. 

Quando da publicação do livro, em 2020, a fortuna de Warren Buffett era estimada em US$ 84,5 bilhões. Desse montante, US$ 84,2 bilhões vieram depois de ele completar 50 anos. E US$ 81,5 bilhões depois dos 60 anos. 

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Não quero, com isso, diminuir a competência e a genialidade de Buffett. Ao contrário, aqui há um elogio à sua capacidade de persistir, por muito tempo investindo com bons retornos.

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Se Buffett não tivesse começado a investir aos 10 anos de idade, chegasse aos 30 com um patrimônio líquido de US$ 25 mil (como um norte-americano típico), preservado seus mesmos 22% de retorno anual médio e parado de investir aos 60 anos ao atingir a aposentadoria, seu patrimônio líquido seria de US$ 11,9 milhões. É claro que ainda se trata de uma bela grana, mas nem se compara aos US$ 84,5 bilhões, que são, sim, resultado de uma bela taxa de retorno anual, mas, mais do que isso, derivam em grande medida da simples passagem do tempo.

Jim Simons, da Renaissance, que é tido como detentor do melhor retorno médio anual, de 66% desde 1988, também é muito rico. Tem a fortuna estimada em US$ 21 bilhões. Também não está com dificuldade de pagar o IPVA, mas isso é um quarto do patrimônio de Buffett. 

O efeito dos juros compostos por décadas é simplesmente brutal e muitas vezes negligenciado pelo imediatismo e pelo medo de ficar de fora de um grande retorno anual. Nossas mentes são treinadas para raciocínios e cálculos lineares, subdimensionando ocorrências exponenciais. 

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Outro personagem famoso explorado no livro de Morgan Housel é Jesse Livermore, que viria a escrever o ótimo “Reminiscências de um Operador de Mercado”, sob o pseudônimo Edwin Lefévre. Livermore já era um dos grandes traders de sua época, quando, em 1929, se tornou um dos homens mais ricos do mundo por ter apostado na queda das ações às vésperas da eclosão da Grande Depressão. Quando todos achavam que ele perderia uma baita grana por conta da crise, na verdade ele estava na outra ponta. 

Alguns anos depois, o destino lhe foi um pouco mais cruel. Estimulado pelo sucesso anterior, com o ego inflado e fazendo apostas cada vez maiores, Livermore quebraria quatro anos mais tarde. Fez uma autoavaliação de invencibilidade e deu ruim. O sucesso é um mau professor. Atolou-se em dívidas e passou a enfrentar enorme pressão. Acabou se suicidando.

Certa vez, chegou a escrever: “Às vezes, penso que nenhuma lição é mais valiosa a qualquer especulador do que aprender a não deixar o sucesso subir à cabeça. As derrocadas de muitas pessoas brilhantes podem ser atribuídas diretamente ao fato de o sucesso ter subido à cabeça deles”.

Há várias coisas a se extrair daqui. A habilidade de ganhar dinheiro é diferente da capacidade de preservar capital. Às vezes, inclusive, essas coisas são conflitantes. Construir, conquistar, desbravar, multiplicar envolvem disposição ao risco, aventurar-se pelo novo e o desconhecido. Preservar, não raro, requer o oposto. 

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Algumas estratégias você simplesmente não pode adotar. Se houver risco de ruína, apenas não faça. A racionalidade só pode estar ligada à sobrevivência, insiste Nassim Taleb. 

Não deveríamos lutar tanto por um ano de retorno alto. Ele pode ter sido mero resultado da sorte ou até mesmo da assunção desmedida de risco, que acabou dando certo pela ocorrência de forças aleatórias. Muito mais difícil e relevante é a consistência, anos e anos de retornos não necessariamente explosivos, mas apenas suficientemente altos.

A combinação rara de Buffett é a persistência com a ganância comedida — o adjetivo importa. Devemos, sim, lutar por bons retornos, mas não retornos bons demais, porque isso provavelmente vai nos tirar do jogo ao longo do caminho.

Estamos caminhando para quase 90 meses de Carteira Empiricus. São sete anos e meio de portfólio sugerido. O retorno acumulado é de 235% nesse intervalo, o que corresponde a 287% do CDI. É um desempenho bastante bom, mas queremos replicá-lo por décadas. O objetivo aqui é a consistência, ano após ano. 

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Como forma de valorizar a consistência, todos aqueles que investirem mais de R$ 10 mil no Carteira Universa, fundo que tem como inspiração o Carteira Empiricus, receberão de presente três meses de uma série premium da Empiricus. O compromisso com a perseguição de bons retornos por décadas é o maior prêmio que podemos oferecer.

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