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O maior trunfo de “Crash”, de Alexandre Versignassi, é nos guiar pela história da economia mundial e brasileira traçando paralelos entre o passado e o presente
Se pudesse voltar no tempo e escolher um livro para ler ainda na época da escola, escolheria “Crash: Uma breve história da economia”. Teria sido bem mais fácil entender o que é inflação e o que ela tem a ver com juros ou por que o congelamento de preços no governo Sarney foi tão falho se as palavras do jornalista Alexandre Versignassi tivessem chegado a mim antes.
Em tom irreverente e com comparações certeiras, o autor apresenta um verdadeiro beabá da economia, do funcionamento do dinheiro, das grandes crises da história até conceitos que valem ouro para os investidores iniciantes: como funciona a Bolsa de Valores, o Tesouro Direto, os fundos de investimento e o que está por trás de todo o buzz do bitcoin.
“O livro de Versignassi conta a história da economia em bom português, traçando paralelos com a realidade brasileira e com uma boa dose de humor. O autor trafega de modo engenhoso entre a história do mundo e a realidade econômica do Brasil, comparando tulipas e ações da Petrobras e da Vale”, escreve a jornalista Patrícia Campos Mello na orelha do livro.
São 12 mil anos de história em 350 páginas, escritas por um jornalista que foge da linguagem técnica dos economistas e nos apresenta a história do dinheiro (e seus altos e baixos) de forma até mesmo divertida, sempre com pitadas de ironia e sarcasmo.
“O público-alvo do livro era eu mesmo quando não sabia nada de economia, quando ficava com raiva do caderno de economia do jornal que pegava e repetia um monte de jargões e coisas incompreensíveis”, diz o autor em entrevista ao portal 4oito.
O maior trunfo de “Crash” é conseguir nos guiar pela história da economia mundial e brasileira traçando paralelos entre o passado e o presente. É assim que o livro começa, inclusive. Versignassi nos leva à Holanda do século 17, quando uma tulipa chegou a valer o preço de uma casa, e nos mostra que esta realidade não está tão distante assim: em 2017, bitcoins que antes tinham sido usados para pagar uma pizza, eram capazes de pagar um apartamento.
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Em um segundo momento, o paralelo é entre o governo Sarney e a Roma Antiga, dois períodos históricos em que os governantes tentaram conter a inflação congelando os preços. E, como consequência, viram o mercado paralelo crescer absurdamente.
E assim seguem os 15 capítulos do livro… Com analogias inteligentes e linguagem coloquial, o jornalista vai explicando o funcionamento da economia, sem nunca se tornar simplista. “Crash” é uma leitura inteligente, mesmo para aqueles que já são familiarizados com os conceitos econômicos.

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Em entrevista ao 4oito, Versignassi explica o que motivou o nome do livro: “O nome é Crash porque a economia anda em ciclos, e a palavra crash tem a intenção de mostrar que, de tempos em tempos, o mercado mesmo quebra”. E, de fato, o livro passa por diversas e bolhas econômicas, que mostram que o mercado pode ser um tanto quanto frágil.
Começando desde a crise das tulipas holandesas, o autor traça um percurso até os anos 2000, quando ocorreu a Bolha.com, a crise do subprime e o polêmico bitcoin. Ele, inclusive, explica toda a história da criptomoeda. Lançado pela primeira vez há dez anos, o livro foi reeditado em 2019, quando o autor adicionou o capítulo específico sobre o criptoativo que movimentou o mercado financeiro nos últimos anos.
Alexandre Versignassi, hoje diretor da Revista Super Interessante, foi indicado ao Prêmio Jabuti em 2012 por “Crash: Uma breve história da economia”. O título foi publicado pela Editora Harper Collins e pode ser adquirido por R$ 26,80.
Depois de entender o beabá da economia em “Crash”… o que ler?
Se você se interessa por livros de economia, finanças e negócios, te convido a conhecer o clube de livros Empiricus Books. A cada dois meses, os assinantes recebem em casa uma edição especial de um livro selecionado a dedo pela equipe da Empiricus, além de outros “mimos literários” e conteúdos que tornam a leitura ainda melhor.
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