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2020-03-14T18:25:44-03:00
Estadão Conteúdo
Entrevista

‘É muito cedo ainda para falar em mudar meta’, diz ex-secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi

Para ela, é cedo para mudar a meta fiscal das contas públicas, pois o Brasil pode acabar saindo desorganizado da crise ocasionada pelo coronavírus.

14 de março de 2020
18:09 - atualizado às 18:25
Ana Paula Vescovi
Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional e economista-chefe do Santander. Imagem: Renato Costa

A ex-secretária do Tesouro Nacional Ana Paula Vescovi avalia que ainda é cedo para o governo pensar em mudar a meta fiscal das contas públicas. Vescovi, que é hoje economista-chefe do Santander, diz que é preciso o Brasil manter a âncora fiscal da economia para não sair mais desorganizado da crise. "É muito cedo ainda para falar de mudar a meta. Se for necessário lá na frente, tem que ser bem comunicado."

Como vê a reação do governo à crise do coronavírus na economia?

A crise é grave, mas temos que assegurar durante esse processo de contingências os nossos fundamentos macroeconômicos. Quando a gente sair da crise, não podemos ter um problema adicional, que provavelmente vai ter uma solução muito mais demorada. Eu me refiro à questão fiscal. Estamos entrando na crise ainda não organizados e não resolvidos em termos do ajuste fiscal. Antes de termos conseguido completar a nossa consolidação fiscal que foi combinada por meio de algumas instituições, como a regra do teto. Estamos na metade do caminho.

A mudança da meta tem sido defendida por parte da equipe econômica. Qual a sua opinião?

É muito cedo ainda para falar em mudar a meta. Se for necessário lá na frente, tem que ser bem comunicado. Tem que ter indicadores mais concretos do que temos hoje e qual é o espaço que se terá que ajustar. Nesse caso, sendo bem comunicado, tendo todo um caráter temporário, é um instrumento que existe: poder mudar a meta.

Qual o risco de mudar a meta agora? Abrir espaço para maior gasto?

Poder dispersar o esforço que deveria estar totalmente concentrado numa contingência sanitária. Estamos falando de uma crise bem diferente.

Poderá ser necessário atender setores específicos com desoneração para empresas mais afetadas, como as aéreas?

Ser for necessário. Não tenho todos os elementos para analisar as condições setoriais, que seja feito via subvenção (subsídio), gasto orçamentário direto, transparente, sem ter redução de tributo. Para isso, teria de aumentar tributo em outra ponta. É uma saída, mas não vejo espaço. É mais complicado.

Mas subvenção pode ficar fora do teto?

Se for algo emergencial, temporário, associado à crise, bem justificado, também pode ficar no modelo do crédito extraordinário. Como foi feito no subsídio ao diesel para acabar com a greve dos caminhoneiros. Tem início, meio e fim. Tem uma operacionalidade complexa, mas é algo transparente e passível de ser monitorado e com uma temporalidade bem marcada.

A sra. teme pelo futuro das contas públicas?

Esse momento de grande incerteza e instabilidade suscita uma série de discussões que vão trazer pressões para o lado fiscal. Eu já vejo muitas de pessoas que a regra do teto vai incomodar, que Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) vai incomodar e sou absolutamente contra. Por quê? A crise vai passar e a nossa macroeconomia vai ficar desestruturada. O Brasil vai criar outra crise. Temos que cuidar das pessoas, mas temos que sair da crise organizados.

Para cumprir a meta fiscal atual, o governo terá que fazer um bloqueio. Isso não atrapalha os recursos para atender a demanda da crise?

Por que desse bloqueio? Insuficiência de recursos, diante das despesas previstas no Orçamento. Cabe à área técnica encontrar a saída e tem um diálogo aberto com o Congresso.

Qual o principal projeto a ser aprovado agora para dar alívio ao bloqueio?

Uma coisa que vai impactar o bloqueio é a retirada da receita de privatização da Eletrobrás. É um recurso muito importante nesse momento.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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