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ex-executivo da Nissan

Carlos Ghosn: Japão diz que fará de tudo para obter a extradição do executivo

Secretário-chefe do gabinete japonês diz que vai garantir que os detalhes da partida de Ghosn sejam verificados e que se tomem medidas para evitar que incidentes voltem a ocorrer

7 de janeiro de 2020
8:19 - atualizado às 8:20
Carlos Ghosn
Carlos Ghosn, ex-presidente do grupo Renault-Nissan. - Imagem: Shutterstock

O secretário-chefe do gabinete japonês, Yoshihide Suga, disse que o governo fará todos os esforços diplomáticos para conseguir a extradição de Carlos Ghosn, ex-presidente do Conselho de Administração da Nissan Motor. O executivo partiu ilegalmente do Japão na semana passada e entrou no Líbano.

Em um programa de televisão nessa segunda-feira (6), Suga afirmou que ficou sem palavras quando ouviu a notícia pela primeira vez, e comentou que esse era um fato extremamente lamentável. Acrescentou que vai garantir que os detalhes da partida de Carlos Ghosn sejam verificados e que se tomem medidas para evitar que tais incidentes voltem a ocorrer.

O principal porta-voz do governo japonês explicou que as autoridades do país pediram à Interpol para colocar Carlos Ghosn na lista de procurados internacionalmente.

Nissan

Em nota divulgada nesta terça-feira (7), a Nissan Motor diz que a ida de Carlos Ghosn para o Líbano, sem autorização judicial e com violação das condições da fiança, é "ato que desafia o sistema judicial japonês". Para a empresa, a situação é "extremamente lamentável".

Segundo a nota, a Nissan decidiu que Carlos Ghosn não tinha condições de servir como seu executivo, e o removeu de todas suas funções após minuciosa investigação interna.

A Nissan afirma que vai continuar a adotar as medidas legais apropriadas para responsabilizar Carlos Ghosn pelos danos que seus atos irregulares causaram à empresa.

O periódico americano The Wall Street Journal informou que a fuga de Carlos Ghosn foi planejada detalhadamente durante meses.

O jornal citou fontes que teriam dito que o plano envolveu uma equipe de 10 a 15 pessoas de distintas nacionalidades.Também disse que os membros da equipe fizeram mais de 20 viagens ao Japão, onde visitaram no mínimo dez aeroportos.

Um dos integrantes do grupo disse que havia grande falha na segurança do Aeroporto Internacional de Kansai, uma vez que o terminal de jatos particulares é praticamente vazio, a menos que haja algum voo chegando. Ainda segundo as fontes, a pessoa teria dito que bagagens demasiadamente grandes não se ajustam aos padrões dos scanners do aeroporto.

O jornal citou fontes segundo as quais Ghosn tomou a decisão definitiva para levar adiante o plano no final do mês de dezembro, após obter indícios de que seu julgamento levaria anos e também porque a corte recusou que ele se encontrasse com sua esposa durante os feriados de fim de ano.

Um advogado de Ghosn no Líbano disse à NHK que seu cliente concederá entrevista coletiva amanhã (8), às 15h, em Beirute, a primeira desde que deixou o Japão.

*Com Agência Brasil e NHK (emissora pública de televisão do Japão)

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