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2020-01-22T12:52:31-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
No limite

Petrobras fica à beira da privatização com venda de ações do BNDES em oferta

Petroleira não deixará de ser estatal por muito pouco: participação do governo em ações ordinárias (com direito a voto) pode cair para 50,26% após a oferta de papéis que estão na carteira do BNDES

22 de janeiro de 2020
12:31 - atualizado às 12:52
Executivos da Petrobras e da Caixa na sede da B3
Executivos da Petrobras e da Caixa na sede da B3 - Imagem: Divulgação / Petrobras

Considerada uma das joias da coroa pelo presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras ficará muito perto de perder o controle estatal após a venda de ações que hoje pertencem ao BNDES.

O banco estatal deu início a uma oferta pública de papéis da petroleira que pode movimentar até R$ 22,8 bilhões, com base nas cotações de fechamento de ontem. O BNDES detém hoje quase 10% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa.

Com a venda, a participação do governo em ações ordinárias (com direito a voto) na Petrobras cairá para 50,26%, de acordo com informações do prospecto da oferta.

Lembrando que o controle acionário de uma empresa se caracteriza por uma participação de pelo menos 50% mais um do capital votante.

Ou seja, bastaria ao governo vender um excedente de 20 milhões de ações – avaliadas em aproximadamente R$ 620 milhões – para que a Petrobras deixasse de ser uma estatal de fato.

Mas Bolsonaro já afirmou que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estão fora do programa de privatização do governo.

Há um ano, a União detinha – direta e indiretamente – 63,4% das ações ON da Petrobras (PETR3). O percentual inclui as posições do BNDES e da Caixa, que se desfez de seus papéis em uma oferta realizada em junho de 2019.

O prazo de reserva para quem quiser investir nas ações da estatal na oferta vai de 29 de janeiro a 2 de fevereiro. A definição do preço por ação acontece no dia seguinte. Até 15% dos papéis devem ser destinados ao público de varejo – que possui até R$ 1 milhão para investir.

Aderir à oferta pode ser uma oportunidade de comprar os papéis por um preço inferior ao negociado na bolsa. Na venda dos papéis que pertenciam à Caixa, o valor ficou 1,5% abaixo da cotação de mercado da época.

Mas os bancos que coordenam a oferta darão prioridade ao investidor que aceitar um período de lock-up de 45 dias, durante o qual não poderá negociar os papéis. A operação é coordenada por Bank of America, Bradesco BBI, BB Investimentos, Citi, Goldman Sachs, Morgan Stanley e XP Investimentos.

No pregão de hoje, as ações ON da Petrobras eram negociadas em alta de 0,48%, cotadas a R$ 31,17. Confira também nossa cobertura completa de mercados.

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