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2020-06-24T19:50:09-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Entrevista

Itaú diz que aprendeu com as críticas e defende modelo sem conflitos de interesse em investimentos

Intenção do banco com a campanha publicitária em que critica agentes autônomos foi colocar em pauta os modelos de distribuição de produtos de investimento, segundo diretores

24 de junho de 2020
19:50
Campanha publicitária do Itaú
Campanha publicitária do Itaú - Imagem: Divulgação

O Itaú aprendeu com as críticas recebidas no passado por “empurrar” produtos de investimento aos clientes e hoje possui um modelo de incentivos a seus gerentes isento de conflitos de interesse.

Foi o que me disseram Felipe Wey, diretor do Itaú Personnalité, o segmento de clientes de alta renda do maior banco privado brasileiro, e Claudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência da instituição.

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Eu conversei com os executivos em uma videoconferência hoje para tratar da polêmica campanha publicitária lançada ontem pelo Itaú, na qual o banco questiona o modelo das corretoras que trabalham com agentes autônomos.

A XP Investimentos assumiu as dores, mas a intenção do banco não foi criticar qualquer instituição ou profissional, e sim colocar em pauta os diferentes modelos de distribuição de produtos de investimento, segundo Sanches.

“É importante que o cliente tenha transparência para saber que existem formas diferentes de atuação, e ele escolhe baseado na informação”, disse.

O diretor do Itaú entende que a forma como o banco atua evita potenciais conflitos de interesse por dois motivos. O primeiro é a remuneração dos gerentes, que não é mais baseada por produto vendido, e sim pelo volume de recursos que ele traz para o banco.

“Ele ganha a mesma coisa se captar 100 mil reais no Tesouro Direto, que não rende nada para o banco porque nós zeramos a taxa, ou num fundo sofisticado que cobra 2% ao ano de taxa de administração mais performance”, disse Sanches.

O outro ponto é a recomendação dada aos clientes, que hoje é feita de forma centralizada por um algoritmo que calcula os produtos com maior rentabilidade – que podem ou não ser do Itaú – com base no perfil de risco do investidor.

A motivação inicial para a campanha publicitária foi o aniversário de 25 anos do Personnalité, segundo Wey. O Itaú abriu a prateleira para produtos de investimento de fora do banco em 2017 e hoje possui 140 fundos de terceiros na grade, com R$ 80 bilhões de recursos de clientes no varejo.

Mas o diretor do Personnalité avalia que esses avanços ainda não eram percebidos pelos clientes. “O banco vinha comunicando pouco e mal.”

Participação maior

O ataque ao modelo das corretoras seria fruto de um “desespero” com o avanço das plataformas de investimento sobre os clientes do banco? O diretor do Itaú diz que não, até porque a instituição ainda não perdeu mercado apesar do acirramento da concorrência.

Em 2017, quando abriu a plataforma de investimentos no varejo, o banco tinha uma participação do banco era de 21,5%. Hoje esse percentual está em 22,5%, de acordo com dados da Anbima, que consideram o volume total de produtos de investimento para pessoas físicas (incluindo a caderneta de poupança). “Queremos ganhar ainda mais market share, mas também não estamos perdendo”, disse Sanches.

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