O presidente da Mastercard diz como você vai pagar suas compras após a pandemia
Além do aumento do uso de meios eletrônicos nas compras, João Pedro Paro Neto aposta na consolidação dos pagamentos por aproximação e menor uso do dinheiro de papel

Desde o início de março, o presidente da Mastercard para o Brasil e Cone Sul, João Pedro Paro Neto, esteve apenas três vezes fisicamente no escritório. A empresa de meios de pagamento foi uma das primeiras a adotar o esquema de home office no país.
Mas não foi apenas uma questão de pioneirismo. O sistema de trabalho remoto precisou ser adotado às pressas logo depois da confirmação de que um funcionário havia contraído coronavírus.
A mudança na rotina de trabalho aconteceu ao mesmo tempo em que a Mastercard precisou se adaptar a uma realidade na qual os pagamentos migraram de forma abrupta do meio físico para os canais eletrônicos.
O distanciamento social em consequência da pandemia também acabou por acelerar a tendência de redução do uso do dinheiro como forma de pagamento, me disse Paro Neto, em uma entrevista por telefone.
Mas não só. Os protocolos sanitários no pós-crise também mudar a forma como fazemos as compras do dia a dia.
Em vez da tradicional digitação da senha na maquininha, o presidente da Mastercard diz que uma parcela maior dos pagamentos será realizada com uma simples aproximação na maquininha do cartão, celular ou outro dispositivo, como o relógio.
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Outras formas de vender
Com a quarentena imposta pelo coronavírus, boa parte dos estabelecimentos comerciais precisou se adaptar para tornar seus produtos disponíveis nos canais digitais, o que torna praticamente mandatório que as transações passem por algum arranjo de pagamento como o da Mastercard.
“A grande maioria das companhias encontrou outras formas de vender, muitas tiveram que mudar de forma muito rápida e nós ajudamos nisso” – João Pedro Paro Neto, Mastercard
O principal desafio para a companhia nesse período foi melhorar a qualidade das transações online. Isso porque uma parte não desprezível dos pagamentos acaba não se concretizando por problemas no fluxo de informações entre os estabelecimentos, as adquirentes e os emissores de cartões.
Com uma nova tecnologia de autenticação, a Mastercard espera aumentar a taxa de aprovação das transações, que hoje está em dois terços do total, para até 90%.
Essa já era uma agenda em andamento pela companhia, mas que teve de ser acelerada diante da necessidade provocada pelo isolamento social, segundo Paro Neto.
Fim do dinheiro?
A necessidade de maior distanciamento provocada pelo coronavírus acabou estimulando o uso dos meios eletrônicos em detrimento do dinheiro de papel. Para o presidente da Mastercard, essa é outra tendência de mercado que foi acelerada pela pandemia.
Nesse “novo normal”, ele avalia que o volume de transações por cartões e outras formas que não envolvem o papel-moeda pode chegar a 60% rapidamente. Hoje esse percentual está pouco abaixo dos 45%.
Uma pesquisa realizada pela Mastercard durante a pandemia mostrou que 14% dos entrevistados no Brasil deixaram de usar dinheiro, e 63% diminuíram significativamente o uso nesse período.
O mesmo levantamento constatou um aumento dos pagamentos por aproximação. Essa é uma grande aposta da companhia, que lançou recenetmente a tecnologia em pedágios e também no transporte público.
O presidente da Mastercard diz que o aumento dos pagamentos por aproximação devem permanecer na volta da economia, e não só por questões de protocolos de saúde.
A pesquisa da Mastercard apontou que 75% dos entrevistados que começaram a fazer pagamentos sem a necessidade de digitar a senha na maquininha disseram que continuarão se valendo da tecnologia mesmo após o fim da pandemia.
As compras na quarentena
A Mastercard naturalmente ganha com a tendência de migração mais acelerada para os pagamentos por meios eletrônicos. Mas com a parada brusca na economia forçada pelo coronavírus, o saldo acaba sendo negativo para a empresa.
“O efeito existe e é grande, principalmente no início. A queda no total de transações chegou a 20% no começo de abril, em relação ao mesmo mês do ano passado, mas hoje está mais perto de um dígito”, disse Paro Neto.
Com capital aberto na bolsa de Nova York (Nyse), a Mastercard decidiu retirar as projeções (guidance) para o desempenho neste ano em razão da pandemia. No início do ano, a companhia projetava um crescimento de pouco acima de 10% das receitas globais.
Aqui no Brasil, o relatório produzido pela empresa e que mede as vendas no varejo em todos os tipos de pagamento capta bem esse impacto. Enquanto as vendas no comércio eletrônico registraram um avanço 51,6% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume total caiu 23% na mesma comparação.
Desde o início do ano, houve queda forte nas vendas de itens como combustíveis e eletrônicos. Já outros segmentos têm surpreendido com quedas menores, como o de materiais de construção. “Com a quarentena, muitas pessoas aproveitaram para arrumar as coisas de casa.”
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