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efeitos da crise

Embraer se consolida como segunda maior cliente do BNDES com novo empréstimo

De 2004 a 2019, são R$ 51,274 bilhões em financiamentos do BNDES para a fabricante de aviões

Embraer
Imagem: Antônio Milena/Agência Brasil

O empréstimo emergencial de até pouco mais de R$ 3 bilhões da Embraer junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um sindicato de bancos comerciais consolidará a fabricante de aeronaves como a segunda maior cliente da instituição de fomento no século 21, atrás apenas da Petrobras.

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De 2004 a 2019, são R$ 51,274 bilhões em financiamentos do BNDES para a Embraer, conforme dados publicados pela primeira vez em 2017 e atualizados na quinta-feira, 18. Com a nova operação, anunciada na segunda-feira, 15, como resposta à crise causada pela pandemia de covid-19, o valor passará de R$ 52 bilhões.

O BNDES ficará com a metade da nova operação sindicalizada. O valor final dependerá da definição dos bancos comerciais que integrarão o sindicato. A operação terá até US$ 300 milhões (em torno de R$ 1,6 bilhão, pelo câmbio da última sexta-feira, 19) do BNDES e até o mesmo valor dos demais bancos. Se eles entrarem com menos do que o teto, o BNDES também emprestará menos.

A Embraer informou ao Estadão/Broadcast na última sexta, que "os financiamentos estão aprovados também nos bancos privados, assim como no BNDES", mas não confirmou em quanto ficou o valor final da operação.

A parte do banco de fomento sairá da tradicional linha BNDES Exim Pré-embarque, destinada a financiar investimentos gerais na produção com vistas à exportação. Embora seja a segunda maior cliente do BNDES nas últimas décadas, a Embraer não tomava empréstimos desse tipo com o banco de fomento desde 2014. De lá para cá, vinha recorrendo a outras fontes de financiamento para a produção, como emissões de títulos de dívida.

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Empréstimos

Nos últimos anos, os recursos do BNDES ficaram apenas no financiamento da venda das aeronaves, tido como essencial no mercado de aviação - as fabricantes, como Boeing, Airbus e a canadense Bombardier, agora associada à Airbus, vendem seus aviões já com o "pacote de financiamento".

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Nessas operações, quem toma o empréstimo é a companhia aérea ou o governo (se forem aviões militares) que compra a aeronave. Para isso, o banco de fomento oferece as linhas BNDES Exim Pós-embarque, usada no caso de vendas para o exterior, e os programas de financiamento a investimentos em bens de capital, no caso das vendas locais.

No caso das exportações, um estudo de técnicos do BNDES de setembro do ano passado, sobre as estratégias de monitoramento dessas operações, destaca que "a concretização dessas vendas se dá primordialmente por meio de financiamento privado, mercado de capitais ou instituições financeiras governamentais", conhecidas pela sigla ECA, "de export credit agency". Quando financia exportações, o BNDES atua como uma ECA.

Do total emprestado pelo BNDES a Embraer de 2004 a 2019, R$ 43,208 bilhões foram para o financiamento à compra das aeronaves, mas, mesmo nesse tipo de operação, a empresa vinha recorrendo a outras fontes. Em novembro passado, o diretor de financiamento de vendas e head de crédito da empresa, Marcelo Santiago, disse que a principal fonte de financiamento da empresa em 2019 foi o mercado de capitais, por meio de títulos americanos lastreados pelas aeronaves, que representavam, até novembro, 41% das entregas. O BNDES estava com 9%, mas o executivo destacou, na ocasião, a importância de ter o banco como opção, num quadro em que os poucos fabricantes globais têm forte incentivo governamental.

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Calote

Com a crise da covid-19, os empréstimos para as companhias aéreas estrangeiras comprarem aviões da Embraer podem passar por problemas. A Flybe, maior aérea regional do Reino Unido, decretou falência no início de março e parou de pagar ao BNDES financiamentos de aeronaves ainda não quitados, como revelou, na semana passada, a coluna Radar, da revista Veja. O banco e a Advocacia Geral da União (AGU) vão trabalhar para tomar os aviões de volta, como garantia dos empréstimos.

O superintendente da Área de Indústria, Serviços e Comércio Exterior do BNDES, Marcos Rossi, confirmou o calote da companhia britânica, mas disse que esse é o único caso de problemas. Esses empréstimos não preocupam, porque a maioria das operações está nos Estados Unidos, principal mercado da Embraer. O mercado de aviação regional americano é um dos maiores do mundo, e o governo do presidente Donald Trump anunciou injeção de vultosos recursos nas companhias.

"Nossa exposição é muito boa, tem concentração no mercado americano, que é resiliente", afirmou Rossi, em entrevista para comentar o empréstimo emergencial sindicalizado, na segunda-feira, 15.

Diferentemente das vendas externas, em que o exportador entra como interveniente, oferecendo o "pacote de financiamento", nas linhas voltadas para financiar as vendas locais da Embraer - como as aquisições da companhia aérea Azul e os jatinhos comprados por empresas e pessoas físicas -, não há intervenção da fabricante. Por isso, as operações para financiar as vendas locais não entram no total de R$ 51,274 bilhões. Somente em empréstimos para a compra de jatinhos, foram R$ 1,9 bilhão de 2009 a 2014, como revelou o BNDES em agosto do ano passado.

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