Menu
2020-11-07T12:34:46-03:00
Estadão Conteúdo
Novo modelo

De olho em habitação popular, Tenda aposta suas fichas em casas de madeira

Habitações pré-fabricadas têm construção mais rápida e devem permitir ganho de escala

7 de novembro de 2020
12:34
Modelo de casa da construtora Tenda
Casa pré-fabricada da construtora Tenda. - Imagem: Divulgação

A Tenda, uma das maiores construtoras de habitações populares do País, está apostando suas fichas nas casas de madeira pré-fabricadas. A empresa está desenvolvendo um modelo de construção em que os componentes dos imóveis são produzidos em uma fábrica e, depois, transportados para os canteiros de obra para montagem e acabamento.

As primeiras unidades foram erguidas neste ano, em um projeto piloto. O plano agora é testar a viabilidade comercial do novo modelo ao longo de 2021 e, se tudo der certo, fazer o lançamento oficial em 2022. "Apostamos que essa será a grande plataforma de geração de valor para a companhia no longo prazo", disse o presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, em reunião com investidores e analistas.

Hoje, a Tenda constrói seus empreendimentos usando formas de alumínio preenchidas com concreto, modelo que ganhou escala no setor nos últimos anos. Isso substituiu a alvenaria comum, que evoluía tijolo a tijolo. O modelo proposto agora pela empresa se baseia em peças pré-fabricadas de madeira.

A técnica, que em inglês é denominada woodframe, é comum em países como Canadá, Estados Unidos e Alemanha, mas é bem pouco explorada no Brasil. A principal referência é a paranaense Tecverde, startup que já entregou cerca de 5 mil unidades, incluindo prédios de quatro andares.

A nova divisão da Tenda será gerida como uma startup, disse Osmo, e vai exigir investimentos antes de dar lucro. Até aqui, foram aportados R$ 20 milhões no projeto. A empresa também anunciou a entrada de Marcelo Willer, ex-presidente da Alphaville Urbanismo, como investidor minoritário no segmento.

A perspectiva da Tenda é que a industrialização das obras vai gerar produtividade suficiente para o modelo ser aplicado em cidades do interior onde a empresa ainda não está presente por causa dos custos.

No longo prazo, a previsão da Tenda é de atingir 60 mil unidades nesse modelo, um salto para os padrões da Tenda, que em todo o ano passado produziu 18 mil unidades no sistema construtivo convencional. A economia nos custos deve ajudar a empresa a alcançar mais clientes dentro do Programa Casa Verde e Amarela (novo nome do Minha Casa Minha Vida).

Entre analistas, o projeto é visto como uma via de crescimento para a Tenda no longo prazo e uma oportunidade de se extrair lucro a partir de uma inovação que não é vista em muitas outras empresas. "No longo prazo, esperamos ver avanços na construção industrializada. O ganho de escala poderá aumentar a geração de valor", disse Kamila Oliveira, analista do BB Investimentos.

Fundador e presidente do Centro de Tecnologia em Edificações (CET), Roberto Souza vê a chegada da tecnologia ao Brasil com entusiasmo. Segundo ele, o tempo de construção pode cair pela metade. Além disso, é uma opção mais sustentável, pois usa madeira de reflorestamento. "As edificações atendem normas de conforto térmico e acústico, resistência a incêndio e segurança estrutural."

Segundo ele, as casas de madeira não caíram no gosto do brasileiro antes por falta de incentivo. "Não tinha financiamento bancário nem normas técnicas. Foi preciso desenvolver o ambiente de negócios para gerar interesse de construtoras."

Empresa já foi da Gafisa

Após ganhar tração no início do milênio, a Tenda, fundada em Minas Gerais, chamou a atenção de investidores ao trazer sua tese voltada às habitações populares à Bolsa paulista em 2007, ano considerado símbolo para o mercado de capitais brasileiros. Em 2010, fechou o capital ao ser comprada pela gigante Gafisa. Depois de anos de dificuldades e prejuízos, a construtora fez um "spin-off" da Tenda, que voltou à Bolsa em 2017 - tudo isso sem abandonar a proposta original.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

gestão segue independente

Holding do BTG Pactual compra consultoria de energia PSR

Um dos principais objetivos da parceria é propiciar a expansão da companhia no mercado global de energia

recursos contra a doença

Câmara aprova liberação de R$ 1,9 bilhão para compra de vacinas contra Covid-19

Dinheiro vai custear contrato entre a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, e o laboratório AstraZeneca; recursos virão da emissão de títulos públicos

permissão especial

Anvisa divulga regras para autorização emergencial de vacina contra covid-19

Modo simplificado terá menos exigências do que os registros de outros medicamentos e tratamentos, mas a agência declarou que serão garantidos requisitos de segurança

seu dinheiro na sua noite

Uma previsão (conservadora) para a bolsa em 2021

Depois de tudo que passamos em 2020 (e o ano ainda não acabou), eu admiro a coragem de quem se arrisca a fazer previsões para o desempenho dos investimentos. As estimativas podem parecer mero chute — e às vezes são mesmo — mas no geral têm fundamento. Com algum trabalho, é possível calcular o fluxo […]

emissão de dívida em dólar

Tesouro capta US$ 2,5 bilhões no exterior com títulos de 5, 10 e 30 anos

Houve forte demanda pelos títulos de dívida externa, que superou a oferta em mais de 3 vezes, diz instituição; volume emitido com bônus de 10 anos foi o maior, de US$ 1,25 bi

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies