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Em dia de pânico nos mercados, Guedes diz que equipe econômica está tranquila

Quando questionado sobre a patamar da moeda, o ministro respondeu que o País hoje tem como prioridade o seu regime fiscal

9 de março de 2020
11:19 - atualizado às 18:10
O ministro da Economia, Paulo Guedes, em ocasião do lançamento da nova linha de crédito imobiliário com taxa fixa da Caixa Econômica Federal, em 20 de fevereiro de 2020
Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a equipe econômica está tranquila, ao ser questionado sobre o patamar do dólar e a eventualidade do aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). "Estamos absolutamente tranquilos e confiantes".

O ministro, que não respondeu sobre a possibilidade de aumentar ou não a Cide em função da queda dos preços do petróleo. "Absoluta serenidade. A crise lá fora está se aprofundando. O mundo lá fora já estava em desaceleração", disse.

"A principal mensagem de Davos, e eu avisei, é que o mundo está em desaceleração sincronizada. Todo mundo está descendo", comentou. Para o ministro da Economia, o Brasil está na direção contrária, em "reaceleração", como tem dito nos últimos dias.

O dólar começou a semana batendo mais um recorde nominal, fechando em R$ 4,72, depois de chegar a bater R$ 4,79 pela manhã.

Quando questionado sobre o patamar da moeda, o ministro respondeu que o País hoje tem como prioridade o seu regime fiscal. "O Brasil era paraíso dos rentistas e inferno dos empreendedores. Na véspera de eleição muitas vezes o Brasil praticou populismo cambial", disse, acrescentando que o governo está consertando o regime fiscal brasileiro.

"Esse novo país tem juros mais baixos e câmbio numa faixa mais alta. E o câmbio é flutuante", destacou o ministro da Economia.

Guedes ainda disse que o Brasil tem uma dinâmica própria de crescimento. "Vamos trabalhar, vamos transformar essa crise em crescimento, vamos transformar essa crise em geração de empregos", disse Guedes.

Reformas

O ministro reafirmou que a equipe econômica vai enviar ao Congresso Nacional as reformas tributária e administrativa. Ele afirmou que encaminhará "nesta semana ou semana que vem" a contribuição inicial do governo à tributária (com a unificação de PIS e Cofins). Já sobre a administrativa, o ministro adiantou que o presidente Jair Bolsonaro já deu o "ok" no texto.

"Agora é questão de oportunidade. Se o presidente estivesse aqui (no Brasil) talvez ia hoje", afirmou Guedes. Bolsonaro está em viagem nos Estados Unidos.

O ministro evitou fazer comentários sobre as articulações para o avanço das propostas. "A parte política eu não posso entrar, o presidente disse que eu não entendo de política e eu concordo, não é minha especialidade. Essa parte de articulação política é conversar com (ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo) Ramos, (presidente da Câmara, Rodrigo) Maia", disse.

Segundo o ministro, os três poderes, com "serenidade", ajudarão o Brasil a sair do abismo fiscal. "Estamos seguros que vamos prosseguir", disse. "O Brasil é uma democracia consolidada", acrescentou.

Na avaliação do ministro, o andamento das propostas do Pacto Federativo está avançado. Ele também demonstrou otimismo com a aprovação dos projetos sobre a autonomia do Banco Central e do saneamento.

Guedes aproveitou para dizer que o governo já deu "a resposta correta" ao desejo do Congresso por recursos, por meio da regulamentação do Orçamento impositivo.

Reservas

O ministro da Economia disse ainda que iria repetir algo que dizia durante o período de transição do governo e afirmou que, se as reformas avançam, e "as pessoas estão tentando comprar dólar, o Banco Central acredito que vai vender".

A afirmação foi feita quando ele foi questionado se o momento era de venda de reservas. Ele reforçou, no entanto, que esse é um "problema do Banco Central".

"Eu dizia o seguinte durante a transição: se as reformas avançam, e as pessoas estão tentando comprar dólar, o Banco Central acredito que vai vender. Se as reformas não avançam, e aí não tem fundamento a favor, aí a incerteza continua, mas isso daí é um problema do Banco Central", destacou Guedes.

*Com Estadão Conteúdo

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