Desemprego sobe para 12,6% em abril e atinge 12,8 milhões
Número se manteve estável em relação ao mesmo período do ano passado; país tem 898 mil pessoas a mais procurando emprego, em relação a janeiro

O desemprego subiu para 12,6% no trimestre encerrado em abril, atingindo 12,8 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (28). O número se manteve estável em relação ao mesmo período do ano passado.
A taxa de desocupação cresceu 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em janeiro de 2020. Ou seja, o número de pessoas que buscam emprego aumentou em 898 mil nos últimos três meses. O período foi marcado pelo acirramento da crise do novo coronavírus, que derrubou a oferta e a demanda — atingindo principalmente o setor de serviços.
Segundo a analista da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, os efeitos da pandemia foram sentidos entre os informais e com carteira assinada. “A gente chega em abril com o menor contingente de pessoas com carteira assinada, que é de 32,2 milhões”, diz.
De acordo com o IBGE, a população ocupada teve queda recorde no trimestre encerrado em abril, de 5,2%, em relação ao período finalizado em janeiro - uma perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, que foram reduzidos a 89,2 milhões.
A analista do IBGE explica que a queda na população ocupada foi generalizada, atingindo sete dos dez grupos de atividades observados na pesquisa.
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Dos 4,9 milhões de pessoas que saíram da população ocupada, 1,2 milhão veio do comércio, 885 mil saíram da construção e 727 mil, dos serviços domésticos, segundo o instituto. Foi a maior queda nos serviços domésticos desde o início da série, em 2012.
Com e sem carteira
Segundo o IBGE, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu para 32,2 milhões de pessoas, menor nível da série histórica, (-4,5% frente ao trimestre anterior).
Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado caiu 13,2% em relação ao trimestre anterior, chegando a 10,1 milhões de pessoas.
O número de trabalhadores por conta própria também registrou redução, de 4,8%, para 23,4 milhões de pessoas. Enquanto isso, a taxa de informalidade foi de 38,8% da população ocupada, representando um contingente de 34,6 milhões de trabalhadores informais, o menor da série, iniciada em 2016.
O rendimento real habitual (R$ 2.425) subiu 2,0% frente ao trimestre anterior, ainda segundo o IBGE. Já a massa de rendimento real habitual (R$ 211,6 bilhões) recuou 3,3% frente ao trimestre anterior.
Setores
De acordo com o IBGE, a ocupação cresceu apenas no grupo que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,8%).
Houve redução em sete atividades: Indústria (-5,6%), Construção (-13,1%), Comércio e Reparação de Veículos (-6,8%), Transporte, Armazenamento e Correio (-4,9%), Alojamento e Alimentação (-12,4%), Outros Serviços (-7,2%) e Serviços Domésticos (-11,6%).
A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), estimada em 102,1 milhões de pessoas, caiu 3,8% (4,0 milhões de pessoas a menos) comparada ao trimestre anterior, segundo o instituto.
No mesmo período, o número de empregadores (4,2 milhões de pessoas) recuou 5,1% (-226 mil pessoas), com a mesma base de comparação.
A categoria dos trabalhadores domésticos, estimada em 5,5 milhões de pessoas, apresentou redução de 11,8% no confronto com o trimestre anterior..
Já o grupo dos empregados no setor público (11,9 milhões de pessoas), que inclui servidores estatutários e militares, apresentou aumento de 3,3% (mais 379 mil pessoas) frente ao trimestre anterior.
O número de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas (6,1 milhões) recuou 7,6% em relação ao trimestre anterior (501 mil pessoas a menos).
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