Crescimento pode ser afetado se forem impostas restrições à circulação, diz Campos Neto
Presidente do BC destacou que houve um avanço significativo no desenvolvimento das vacinas, ajudando a mitigar os riscos de uma nova onda de covid-19

Com uma série de países impondo restrições a mobilidade de pessoas, diante do aumento no número de covid-19, o Brasil pode acabar indo pelo mesmo caminho caso a pandemia volte a ganhar força, e isso pode ter efeitos sobre as projeções de crescimento de curto prazo, segundo o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.
Ele também ressaltou que atrasos no cronograma de vacinação da população também são um risco para a retomada econômica.
No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira (17), a autoridade monetária projeta que o PIB deve crescer 3,8% em 2021, mas informou que a estimativa considera que “não deve haver restrições significativas do lado da oferta”, como o fechamento de empresas para combater a disseminação da covid-19, e é condicionada “ao arrefecimento gradual da crise sanitária e à manutenção do regime fiscal”.
“Nos países em que a gente está vendo uma restrição de mobilidade maior, e a mobilidade tem caído, começou a aparecer, ainda que de forma muito embrionária, uma revisão de crescimento para baixo. Isso pode afetar um pouco o primeiro trimestre”, disse ele em entrevista coletiva para tratar do RTI de dezembro. “Se houver uma restrição de mobilidade [no Brasil] pode ter um impacto no crescimento de curto prazo.”
Apesar de o Brasil estar atrás de outros países que já têm um cronograma definido de vacinação em massa, Campos Neto avaliou que nada indica que haverá um atraso no plano de vacinas no País.
"Se houver atraso de vacina que implique em mobilidade menor, haverá impacto na atividade, mas temos que esperar um pouco para ver qual será o impacto disso, como será a logística e como a população vai reagir a isso", completou.
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Ele enfatizou a importância dos imunizantes, dizendo que é muito mais eficiente e bom pelo lado fiscal apostar na vacinação das pessoas do que tentar estender o auxílio emergencial e outras medidas de apoio à economia.
“É muito mais eficiente gerar condições para que as pessoas possam voltar a trabalhar do que ajudar as pessoas que não podem sair de casa”, disse. “É importante a gente entender que uma solução definitiva sempre vai ser mais eficiente do que uma solução temporária.”
Forward guidance
Campos Neto disse ainda que a autoridade monetária tem tentado ser mais transparente sobre o processo de entrada e potencial retirada do forward guidance.
"Queríamos concatenar as ideias que levaram à adoção do forward guidance e ser mais transparentes. Havia muitas dúvidas sobre como iríamos atuar tanto na entrada como na retirada do forward guidance", afirmou.
O presidente do BC lembrou que o Copom considera que uma parte de 2021 terá inflação mais alta e que o ano de 2022 - cujas expectativas estão na meta - irá ganhar mais peso no horizonte relevante de política monetária.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, reforçou que as três cláusulas do forward guidance seguem igualmente importantes.
* Com informações da Estadão Conteúdo
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