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Copom vê como adequado interromper o ciclo de cortes da Selic e põe coronavírus no radar

Na semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 4,50% para 4,25% ao ano; BC reiterou em documento que próximos passos dependem da atividade econômica

Diretores do Banco Central em reunião do Copom
Diretores do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/Flickr/Banco Central

O Banco Central (BC) voltou a indicar nesta terça-feira (11) por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que não deve cortar novamente a Selic (a taxa básica de juros) na reunião de março. O BC indicou ainda que os desdobramentos do novo coronavírus na economia são elemento de preocupação.

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Na ata do encontro da semana passada, publicada nesta manhã, a autarquia reafirmou que, "considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária".

Na semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 4,50% para 4,25% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva. Na ata agora divulgada, o BC repetiu a avaliação de que "o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária".

O BC reiterou que "seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021".

Os membros do Comitê de Política Monetária reafirmaram na ata que "a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural". Esta avaliação já constou no comunicado da semana passada do Copom.

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A taxa estrutural é aquela que, em tese, permite o crescimento econômico sem gerar inflação.

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Na ata, o Copom também avaliou que sua decisão da semana passada "reflete seu cenário básico e o balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, com peso crescente, o de 2021".

Coronavírus

A ata do Copom revela que os membros do comitê discutiram os efeitos do coronavírus sobre a economia global.

"O eventual prolongamento ou intensificação do surto implicaria uma desaceleração adicional do crescimento global, com impactos sobre os preços das commodities e de importantes ativos financeiros", destaca o documento.

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A conclusão do Copom é de que a consequência desses efeitos para a condução da política monetária dependerá da magnitude relativa da desaceleração da economia global versus a reação dos ativos financeiros.

Assim como já havia sido dito no comunicado da decisão da semana passada, apesar desse aumento de incerteza, o Copom considera que o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes.

Inflação

indicou que a projeção para o IPCA de 2020 no cenário de referência, com juros e câmbio constantes, ficou em de 3,5%. Já a projeção para 2021 é de 3,8%.

Essas estimativas já constaram no comunicado da semana passada, quando o Copom reduziu a Selic (a taxa básica de juros) de 4,50% para 4,25% ao ano. Para o cálculo, o BC utilizou taxa de câmbio constante em 4,25% e Selic fixa em 4,50% ao ano.

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Assim como no comunicado da decisão da semana passada, a ata do Copom não trouxe agora as projeções do BC para a inflação no cenário de mercado, que considera as trajetórias de câmbio e juros da pesquisa Focus.

A ata também indicou que a projeção para o IPCA de 2020 no cenário híbrido com câmbio fixo e Selic variável está em 3,5%. Já a projeção para 2021 está em 3,7%.

As estimativas já constaram no comunicado da semana passada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) publicado em dezembro passado, as projeções neste cenário híbrido eram de inflação de 3,7% para 2020 e 2021.

*Com Estadão Conteúdo

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