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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

decisão sai hoje

Com ameaça de estagnação, mercado espera mais um corte na Selic e BC mais atuante

Diante dos impactos do coronavírus na economia, a maior parte dos analistas espera uma redução de 0,5 ponto nos juros hoje à noite pelo Copom, para 3,75% ao ano

Kaype Abreu
Kaype Abreu
18 de março de 2020
5:19 - atualizado às 7:55
Roberto Campos Neto
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil

O Banco Central deve reduzir mais uma vez a taxa básica de juros (Selic) – hoje na mínima histórica de 4,25% – em mais uma medida para conter os impactos do coronavírus na economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a decisão nesta quarta-feira (18).

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A expectativa de corte é consenso entre os agentes do mercado financeiro, que também esperam um BC mais atuante nos próximos meses. A divergência é apenas o tamanho da redução esperada.

O mercado intensificou as apostas em um corte na Selic após o Federal Reserve (Fed) reduzir os juros nos Estados Unidos no último domingo de maneira extraordinária, da faixa de 1% a 1,25% para a faixa de zero a 0,25% ao ano. A decisão do BC norte-americano foi uma reação aos efeitos do coronavírus na economia global.

A mesma preocupação deve guiar a autoridade monetária brasileira. Segundo o projeções Broadcast, do Grupo Estado, de 26 instituições, 16 estimam corte de 0,5 ponto porcentual na Selic, para 3,75% ao ano.

Para cinco casas, o corte será de 1 ponto porcentual e duas casas apostam em 0,75 pp. Três instituições projetam uma diminuição de apenas 0,25 pp e nenhuma casa espera manutenção da Selic nos atuais 4,25%.

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O ciclo de cortes da Selic começou em julho de 2019 — até então a taxa estava em 6,5%. Nas reuniões seguintes, o Copom reduziu a taxa até chegar a 4,25% em fevereiro deste ano.

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À época, o BC sinalizou que a sequência de diminuições havia chegado ao fim. Mas, no início deste mês, a autarquia voltou a indicar que uma nova redução era possível, após o Fed fazer o primeiro corte fora da agenda no ano.

Fonte: BC

Ao atualizar a projeção para uma Selic de 3,25% ao ano, como a maioria das instituições, o banco suíço UBS argumentou que a perspectiva econômica piorou desde a semana passada.

Países em todo mundo anunciaram medidas de distanciamento social e a China divulgou os primeiros números da economia já impactada pelo coronavírus.

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O sócio-fundador da gestora Perservera, Guilherme Abbud, diz que a redução da Selic deveria ser ainda mais drástica. A projeção é de uma redução de 1,5 ponto percentual – ou seja, para o especialista a Selic deveria cair a 2,75% hoje.

“Não dá para se contentar com o que o mercado já precificou. O BC tem que tomar a dianteira do processo e pautar o mercado, não o contrário.” – Guilherme Abbud, Persevera Asset Management

Para o gestor, o mercado não deve ter uma reação imediata pessimista com um corte grande de juros, como aconteceu nos EUA. “No caso do Fed, a impressão que se passou foi de havia um problema maior no crédito do que o mercado enxerga hoje.”

Além dos juros

Abbud diz que o BC tem que comunicar que não existe pressão inflacionária e que as taxas vão ficar baixas por muito tempo. “Se disser que tem medo do hiato e da inflação, não vai adiantar nada. Tem que comunicar que a Selic baixa não é temporária.”

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Para ele, o melhor sinal seria a redução drástica. “Não adianta ter Selic a 4% e curva a 8%”, afirmou, em referência às apostas do mercado refletidas nos juros futuros, que registraram forte alta nas últimas semanas.

Defesa das reformas

Ex-diretor do BC e chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, José Júlio Senna, diz que é preciso também uma atuação do governo federal na frente fiscal para evitar um avanço na curva mais longa de juros.

“Precisamos das reformas para o Brasil sair da mediocridade de crescimento, o que torna o país vulnerável em situações como a do coronavírus” – José Júlio Senna, ex-diretor do BC

Para Rafael Panonko, chefe de análises da Toro Investimentos, o governo parece estar esperando o desenrolar dos acontecimentos para ter uma atuação mais firme. “Tem que fazer algo para o mercado acalmar os ânimos. Vejo que falta muita comunicação.”

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Desde o início do ano, o Ibovespa já derreteu 35% diante do pânico provocado pela pandemia do coronavírus.

Panonko diz que a Selic mais baixa em tese serve para tracionar a economia, mas ele afirma que percebe “muitos players” olhando com pessimismo para o cenário político e econômico, vendo que as reformas vão ser jogadas para o ano que vem. A Toro também prevê um corte de 0,5 ponto porcentual nesta quarta.

O sócio da Persevera concorda que mexer nos juros seria só um primeiro passo. Para ele, o BC tem que cada vez mais intervir no mercado cambial, irrigar o sistema financeiro e promover a queda de compulsório. O gestor avalia que as medidas anunciadas pelo BC na segunda-feira (16) estão na direção correta, como um primeiro passo.

Na segunda, a autoridade monetária comunicou que vai facilitar a renegociação de dívidas de empresas e pessoas físicas, além flexibilizar os requerimentos de capital dos bancos. As medidas devem dar margem para os bancos continuarem fornecendo crédito. Na terça-feira, o governo lançou um pacote de estímulos que pode chegar a R$ 147,3 bilhões.

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Em meio aos primeiros sinais do governo para combater a crise do coronavírus, o mercado já espera que o crescimento econômico do Brasil em 2020 na casa de 1%, ou menos. Ontem, o Credit Suisse cortou a projeção do PIB para zero neste ano.

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