🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Porcentagem do CDI: uma âncora dos fundos de crédito e multimercados

A ancoragem é um viés cognitivo que temos ao nos basearmos ou nos apegarmos de forma intensa a uma informação quando tomamos uma decisão

14 de agosto de 2020
10:49
Imagem: Shutterstok

“Muitos fenômenos da psicologia podem ser demonstrados experimentalmente, mas poucos podem de fato ser medidos. O efeito de âncoras é uma exceção.” 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse trecho foi retirado do livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, de Daniel Kahneman. Apesar de dispensar apresentações para os três leitores mais assíduos desta newsletter, Kahneman é professor de Psicologia, vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2002 e referência em finanças comportamentais. Na obra, ele também apresenta seus estudos e medições de como o efeito de ancoragem afeta nossas decisões e pensamentos.

A ancoragem é um viés cognitivo que temos ao nos basearmos ou nos apegarmos de forma intensa a uma informação quando tomamos uma decisão. Para ilustrar melhor, um dos exemplos citados no livro de Kahneman é um caso em que visitantes do museu Exploratorium, em São Francisco (EUA), foram informados sobre os danos ambientais causados pelos petroleiros no Oceano Pacífico. 

Depois, perguntava-se sobre sua predisposição de fazer uma contribuição anual para ajudar a salvar 50 mil aves marinhas prejudicadas até que esses vazamentos pudessem ser impedidos ou os culpados responsabilizados. A pesquisa separou os entrevistados em três grupos principais:

  1. Âncora baixa: perguntava-se se a pessoa estava disposta a doar US$ 5.
  2. Sem âncora: nenhum valor era mencionado.
  3. Âncora alta: sugeriam-se valores extravagantes, como US$ 400.

Como resultado, o primeiro grupo estava disposto a doar, em média, US$ 20. O segundo, US$ 64. E, no terceiro, a média subiu para US$ 143.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O simples fato de se mencionar um número na pergunta fez com que as pessoas estivessem dispostas a contribuir com valores completamente diferentes.

Leia Também

E o mesmo pode acontecer com expectativas de retorno de investimentos.

Considere o caso A, em que um fundo de crédito rendeu, nos últimos seis anos, o equivalente a 110% do CDI. Quanto você esperaria ganhar a partir de 2020?

Agora, pense no caso B: um fundo de crédito rendeu, em média, CDI + 1% ao ano no mesmo período e pode continuar com o mesmo retorno. Você o consideraria bom ou ruim?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os casos A e B parecem completamente diferentes, mas você já percebeu que, com um CDI de 10%, o CDI + 1% foi equivalente a 110% do benchmark?

Nos últimos seis anos, a Selic média foi de 9,5% ao ano, como você pode ver abaixo no gráfico da esquerda. Se interpretarmos que a ata do Copom deu a entender que o BC não subirá a taxa básica de juros até 2021, o fundo que conseguir manter a média passada de excesso sobre o benchmark (isto é, CDI + 1%) deve ter um retorno equivalente a 150% do CDI.

De onde vem essa média de CDI + 1% dos fundos de crédito? Do famoso spread que embute os riscos relacionados ao não pagamento (default), à qualidade das garantias e a fatores de liquidez.

De acordo com Idex-CDI, índice de debêntures criado pela JGP, o spread de crédito (linha verde) no primeiro semestre de 2019 estava bem baixo, menos de 1% ao ano. Com a crise de liquidez que começou no segundo semestre, os spreads começaram a se abrir, atingindo a marca de quase 1,5%, o que já era incomum.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a pandemia de Covid-19, os spreads abriram ainda mais, alcançando, no pico, quase CDI + 5% ao ano. Desde então, eles se fecharam, chegando aos níveis atuais, ainda altos, de 2,6% ao ano.

É importante lembrar que um fundo de crédito não investe apenas em debêntures, existem outros ativos da categoria que servem como diversificação e como fontes alternativas de retorno que podem ser utilizadas para aumentar o resultado da carteira.

Se o fundo de crédito que rendia 110% do CDI continuar tendo um desempenho médio próximo a CDI + 1% ao ano ao longo do tempo, para onde poderá ir um multimercado que apresentava retornos entre 120% e 130% do CDI?

Provavelmente uma pergunta melhor seria: qual é o objetivo de retorno do multimercado?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao contrário do senso comum, os gestores não costumam usar a porcentagem do CDI para definir suas metas pessoais de performance, e sim o CDI + X% ao ano, sendo que “X” não é um valor inventado. Embora o processo seja mais complicado do que vou descrever, essa meta pessoal é derivada de uma medida de risco-retorno chamada índice de Sharpe.

Embora os assinantes da série Os Melhores Fundos já saibam que preferimos o índice de Sortino para análises de risco-retorno — por usar uma medida de risco mais adequada do que a volatilidade tradicional —, o Sharpe é mais simples e muito mais utilizado no mercado por ser de mais fácil interpretação.

Criado por William Sharpe, vencedor do Nobel de Economia de 1990, o índice mede a relação entre o retorno do fundo acima do seu benchmark e sua volatilidade, facilitando a comparação com outras carteiras. Portanto, quanto maior o Sharpe, mais eficiente é a estratégia. O Santo Graal desse índice ocorre quando o fundo consegue se manter acima de 1, pois, para cada unidade de risco, ele estaria entregando mais de uma unidade de retorno sobre o referencial.

Dessa forma, um gestor com volatilidade de 6%, para ter um Sharpe igual a 1, precisaria entregar CDI + 6% ao ano. É aí que a brincadeira fica séria, pois superar essa meta não é tarefa fácil. Selecionando 138 fundos multimercados com pelo menos três anos de existência e, fazendo uma média de seu Sharpe para diferentes janelas, chegamos à tabela abaixo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apenas 20 fundos conseguiram Sharpe superior a 1 nos últimos 36 meses. Os 7 fundos que conseguiram a mesma façanha em 60 meses também fazem parte desse grupo de 20.

Se assumirmos que o Sharpe médio dos últimos 36 meses vai se manter constante, a tabela abaixo simula quais seriam os retornos para fundos de diferentes volatilidades:

Se assumirmos que o Sharpe médio dos últimos 36 meses vai se manter constante, a tabela abaixo simula quais seriam os retornos para fundos de diferentes volatilidades:

Um retorno de CDI + 3,25% ao ano, que é o esperado para esse Sharpe com uma volatilidade de 6%, já é bom. Nos últimos três anos, os multimercados sugeridos na série Os Melhores Fundos de Investimento tiveram volatilidade média de 5,9% com Sharpe de 0,69, chegando à média de CDI + 4,07% ao ano, o que é ainda melhor. No entanto, não há garantia de que isso continue acontecendo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Minha intenção não é criar uma nova ancoragem, meu único objetivo é mostrar que os alfas gerados por essas classes não necessariamente foram impactados da forma como você pode estar imaginando.

Enquanto números representam o passado e o que já aconteceu — e não o que teria acontecido —, os gestores responsáveis por essas estratégias estão vivendo um momento único em 2020.

Novas oportunidades lucrativas no mercado de crédito podem surgir, alguns multimercados vão se aventurar em novas classes de ativo ou regiões, outros verão necessidade de aumentar sua volatilidade. Provavelmente, muitos deles vão explorar cada vez mais estratégias quantitativas, seja como auxílio no acompanhamento do mercado, seja na gestão em si, como é o caso dos fundos sistemáticos.

De todas as mudanças possíveis nessas classes, esperamos uma delas com muita ansiedade. Além do risco de criar um efeito de ancoragem, é muito estranho abrir um e-mail que mostra o retorno dos fundos em % do CDI e a carta da gestora só falar em excesso do benchmark.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gestores, quem será o primeiro a divulgar as lâminas em CDI +?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Prepare-se para um corte da Selic ainda hoje

28 de janeiro de 2026 - 15:03

Por isso, deveríamos estar preparados para um corte da Selic nesta SuperQuarta — o que, obviamente, é muito diferente de contar com isso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BC não tem pressa, bolsa dispara e dólar afunda: veja o que move os mercados hoje

28 de janeiro de 2026 - 8:32

Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, explica por que a Selic não deve começar a cair hoje; confira a entrevista ao Seu Dinheiro

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A mensagem que pode frear o foguete do Ibovespa, mais tarifas de Trump e o que mais os investidores precisam saber hoje

27 de janeiro de 2026 - 8:23

A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta sob os holofotes: juros parados, expectativas em movimento

27 de janeiro de 2026 - 7:08

A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os investimentos na tabela periódica, tensões geopolíticas e tarifas contra o Canadá: veja o que move os mercados hoje

26 de janeiro de 2026 - 8:28

Metais preciosos e industriais ganham força com IA, carros elétricos e tensões geopolíticas — mas exigem cautela dos investidores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O corre de R$ 1 bilhão: entre a rua e a academia premium, como a imensa popularidade das corridas impacta você

24 de janeiro de 2026 - 9:02

Sua primeira maratona e a academia com mensalidades a R$ 3.500 foram os destaques do Seu Dinheiro Lifestyle essa semana

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O melhor destino para investir, os recordes da bolsa e o que mais você precisa saber hoje

23 de janeiro de 2026 - 8:24

Especialistas detalham quais os melhores mercados para diversificar os aportes por todo o mundo

PARECE QUE O JOGO VIROU

Onde não investir em 2026 — e um plano B se tudo der errado

23 de janeiro de 2026 - 6:45

Foque sua carteira de ações em ativos de qualidade, sabendo que eles não vão subir como as grandes tranqueiras da Bolsa se tivermos o melhor cenário, mas não vão te deixar pobre se as coisas não saírem como o planejado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A batalha da renda fixa, o recorde da bolsa, e o que mais move os mercados hoje

22 de janeiro de 2026 - 8:30

A disputa entre títulos prefixados e os atrelados à inflação será mais ferrenha neste ano, com o ciclo de cortes de juros; acompanhe também os principais movimentos das bolsas no Brasil e no mundo

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Menos cabeças, mais PIB para a China?

21 de janeiro de 2026 - 20:13

No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja onde investir em 2026, o que esperar das reuniões em Davos e o que mais afeta as bolsas hoje

21 de janeiro de 2026 - 8:28

Evento do Seu Dinheiro tem evento com o caminho das pedras sobre como investir neste ano; confira ao vivo a partir das 10h

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A batalha pelas compras do Brasil, a disputa pela Groenlândia e o que mais move os mercados hoje

20 de janeiro de 2026 - 8:34

Mercado Livre e Shopee já brigam há tempos por território no comércio eletrônico brasileiro, mas o cenário reserva uma surpresa; veja o que você precisa saber hoje para investir melhor

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

A diplomacia gelada: um ano de Trump 2.0, tensão na Groenlândia e o frio de Davos

20 de janeiro de 2026 - 7:58

A presença de Trump em Davos tende a influenciar fortemente o tom das discussões ao levar sua agenda centrada em comércio e tarifas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Queda da Selic não salva empresas queimadoras de caixa, dados econômicos e o que mais movimenta seu bolso hoje

19 de janeiro de 2026 - 8:34

Companhias alavancadas terão apenas um alívio momentâneo com a queda dos juros; veja o que mais afeta o custo de dívida

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação certa para a reforma da casa, os encontros de Lula e Galípolo e o que mais você precisa saber hoje

16 de janeiro de 2026 - 8:17

O colunista Ruy Hungria demonstra, com uma conta simples, que a ação da Eucatex (EUCA4) está com bastante desconto na bolsa; veja o que mais movimenta os mercados hoje

SEXTOU COM O RUY

Eucatex (EUCA4): venda de terras apenas comprova como as ações estão baratas

16 de janeiro de 2026 - 6:04

A Eucatex é uma empresa que tem entregado resultados sólidos e negocia por preços claramente descontados, mas a baixa liquidez impede que ela entre no filtro dos grandes investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O fantasma no mercado de dívida, as falas de Trump e o que mais afeta seu bolso hoje

15 de janeiro de 2026 - 8:30

Entenda a história recente do mercado de dívida corporativa e o que fez empresas sofrerem com sua alta alavancagem; acompanhe também tudo o que acontece nos mercados

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Fiscalização da Receita fica mais dura, PF faz operação contra Vorcaro, e o que mais movimenta seu bolso

14 de janeiro de 2026 - 8:46

Mudanças no ITBI e no ITCMD reforçam a fiscalização; PF também fez bloqueio de bens de aproximadamente R$ 5,7 bilhões; veja o que mais você precisa saber para investir hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que a Azul (AZUL54) fez para se reerguer, o efeito da pressão de Trump nos títulos dos EUA, e o que mais move os mercados

13 de janeiro de 2026 - 8:38

Entenda o que acontece com as ações da Azul, que vivem uma forte volatilidade na bolsa, e qual a nova investida de Trump contra o Fed, banco central norte-americano

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar