Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Porcentagem do CDI: uma âncora dos fundos de crédito e multimercados

A ancoragem é um viés cognitivo que temos ao nos basearmos ou nos apegarmos de forma intensa a uma informação quando tomamos uma decisão

14 de agosto de 2020
10:49
Imagem: Shutterstok

“Muitos fenômenos da psicologia podem ser demonstrados experimentalmente, mas poucos podem de fato ser medidos. O efeito de âncoras é uma exceção.” 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse trecho foi retirado do livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, de Daniel Kahneman. Apesar de dispensar apresentações para os três leitores mais assíduos desta newsletter, Kahneman é professor de Psicologia, vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2002 e referência em finanças comportamentais. Na obra, ele também apresenta seus estudos e medições de como o efeito de ancoragem afeta nossas decisões e pensamentos.

A ancoragem é um viés cognitivo que temos ao nos basearmos ou nos apegarmos de forma intensa a uma informação quando tomamos uma decisão. Para ilustrar melhor, um dos exemplos citados no livro de Kahneman é um caso em que visitantes do museu Exploratorium, em São Francisco (EUA), foram informados sobre os danos ambientais causados pelos petroleiros no Oceano Pacífico. 

Depois, perguntava-se sobre sua predisposição de fazer uma contribuição anual para ajudar a salvar 50 mil aves marinhas prejudicadas até que esses vazamentos pudessem ser impedidos ou os culpados responsabilizados. A pesquisa separou os entrevistados em três grupos principais:

  1. Âncora baixa: perguntava-se se a pessoa estava disposta a doar US$ 5.
  2. Sem âncora: nenhum valor era mencionado.
  3. Âncora alta: sugeriam-se valores extravagantes, como US$ 400.

Como resultado, o primeiro grupo estava disposto a doar, em média, US$ 20. O segundo, US$ 64. E, no terceiro, a média subiu para US$ 143.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O simples fato de se mencionar um número na pergunta fez com que as pessoas estivessem dispostas a contribuir com valores completamente diferentes.

Leia Também

E o mesmo pode acontecer com expectativas de retorno de investimentos.

Considere o caso A, em que um fundo de crédito rendeu, nos últimos seis anos, o equivalente a 110% do CDI. Quanto você esperaria ganhar a partir de 2020?

Agora, pense no caso B: um fundo de crédito rendeu, em média, CDI + 1% ao ano no mesmo período e pode continuar com o mesmo retorno. Você o consideraria bom ou ruim?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os casos A e B parecem completamente diferentes, mas você já percebeu que, com um CDI de 10%, o CDI + 1% foi equivalente a 110% do benchmark?

Nos últimos seis anos, a Selic média foi de 9,5% ao ano, como você pode ver abaixo no gráfico da esquerda. Se interpretarmos que a ata do Copom deu a entender que o BC não subirá a taxa básica de juros até 2021, o fundo que conseguir manter a média passada de excesso sobre o benchmark (isto é, CDI + 1%) deve ter um retorno equivalente a 150% do CDI.

De onde vem essa média de CDI + 1% dos fundos de crédito? Do famoso spread que embute os riscos relacionados ao não pagamento (default), à qualidade das garantias e a fatores de liquidez.

De acordo com Idex-CDI, índice de debêntures criado pela JGP, o spread de crédito (linha verde) no primeiro semestre de 2019 estava bem baixo, menos de 1% ao ano. Com a crise de liquidez que começou no segundo semestre, os spreads começaram a se abrir, atingindo a marca de quase 1,5%, o que já era incomum.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a pandemia de Covid-19, os spreads abriram ainda mais, alcançando, no pico, quase CDI + 5% ao ano. Desde então, eles se fecharam, chegando aos níveis atuais, ainda altos, de 2,6% ao ano.

É importante lembrar que um fundo de crédito não investe apenas em debêntures, existem outros ativos da categoria que servem como diversificação e como fontes alternativas de retorno que podem ser utilizadas para aumentar o resultado da carteira.

Se o fundo de crédito que rendia 110% do CDI continuar tendo um desempenho médio próximo a CDI + 1% ao ano ao longo do tempo, para onde poderá ir um multimercado que apresentava retornos entre 120% e 130% do CDI?

Provavelmente uma pergunta melhor seria: qual é o objetivo de retorno do multimercado?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao contrário do senso comum, os gestores não costumam usar a porcentagem do CDI para definir suas metas pessoais de performance, e sim o CDI + X% ao ano, sendo que “X” não é um valor inventado. Embora o processo seja mais complicado do que vou descrever, essa meta pessoal é derivada de uma medida de risco-retorno chamada índice de Sharpe.

Embora os assinantes da série Os Melhores Fundos já saibam que preferimos o índice de Sortino para análises de risco-retorno — por usar uma medida de risco mais adequada do que a volatilidade tradicional —, o Sharpe é mais simples e muito mais utilizado no mercado por ser de mais fácil interpretação.

Criado por William Sharpe, vencedor do Nobel de Economia de 1990, o índice mede a relação entre o retorno do fundo acima do seu benchmark e sua volatilidade, facilitando a comparação com outras carteiras. Portanto, quanto maior o Sharpe, mais eficiente é a estratégia. O Santo Graal desse índice ocorre quando o fundo consegue se manter acima de 1, pois, para cada unidade de risco, ele estaria entregando mais de uma unidade de retorno sobre o referencial.

Dessa forma, um gestor com volatilidade de 6%, para ter um Sharpe igual a 1, precisaria entregar CDI + 6% ao ano. É aí que a brincadeira fica séria, pois superar essa meta não é tarefa fácil. Selecionando 138 fundos multimercados com pelo menos três anos de existência e, fazendo uma média de seu Sharpe para diferentes janelas, chegamos à tabela abaixo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apenas 20 fundos conseguiram Sharpe superior a 1 nos últimos 36 meses. Os 7 fundos que conseguiram a mesma façanha em 60 meses também fazem parte desse grupo de 20.

Se assumirmos que o Sharpe médio dos últimos 36 meses vai se manter constante, a tabela abaixo simula quais seriam os retornos para fundos de diferentes volatilidades:

Se assumirmos que o Sharpe médio dos últimos 36 meses vai se manter constante, a tabela abaixo simula quais seriam os retornos para fundos de diferentes volatilidades:

Um retorno de CDI + 3,25% ao ano, que é o esperado para esse Sharpe com uma volatilidade de 6%, já é bom. Nos últimos três anos, os multimercados sugeridos na série Os Melhores Fundos de Investimento tiveram volatilidade média de 5,9% com Sharpe de 0,69, chegando à média de CDI + 4,07% ao ano, o que é ainda melhor. No entanto, não há garantia de que isso continue acontecendo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Minha intenção não é criar uma nova ancoragem, meu único objetivo é mostrar que os alfas gerados por essas classes não necessariamente foram impactados da forma como você pode estar imaginando.

Enquanto números representam o passado e o que já aconteceu — e não o que teria acontecido —, os gestores responsáveis por essas estratégias estão vivendo um momento único em 2020.

Novas oportunidades lucrativas no mercado de crédito podem surgir, alguns multimercados vão se aventurar em novas classes de ativo ou regiões, outros verão necessidade de aumentar sua volatilidade. Provavelmente, muitos deles vão explorar cada vez mais estratégias quantitativas, seja como auxílio no acompanhamento do mercado, seja na gestão em si, como é o caso dos fundos sistemáticos.

De todas as mudanças possíveis nessas classes, esperamos uma delas com muita ansiedade. Além do risco de criar um efeito de ancoragem, é muito estranho abrir um e-mail que mostra o retorno dos fundos em % do CDI e a carta da gestora só falar em excesso do benchmark.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gestores, quem será o primeiro a divulgar as lâminas em CDI +?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como bloqueios comerciais afetam juros e inflação, e o que analisar na ata do Copom hoje

5 de maio de 2026 - 8:48

Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Petróleo caro, juros presos e a ilusão de controle: ciclo de cortes encurta enquanto a realidade bate à porta

5 de maio de 2026 - 7:14

O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BradSaúde sai do casulo no balanço da Odontoprev, conflito entre EUA e Irã, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

4 de maio de 2026 - 8:20

Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje

DÉCIMO ANDAR

Alta do risco no mercado de crédito impacta fundos imobiliários e principalmente fiagros; é hora de ficar conservador?

3 de maio de 2026 - 8:00

Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O paladar não retrocede: o desafio da Ferrari em avançar sem perder a identidade

2 de maio de 2026 - 9:00

Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos.  “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.”  Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que é ser rico? Veja em quanto tempo você alcança a independência financeira

1 de maio de 2026 - 10:04

Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá

SEXTOU COM O RUY

No feriado do Dia do Trabalho, considere colocar o dinheiro para trabalhar para você

1 de maio de 2026 - 7:01

Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia