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Como fazer dinheiro e influenciar pessoas

A cada casamento entre um bid e um ask, o comprador se encontra com o vendedor, com vistas a resolver diferenças de prazo, liquidez, propensão ao risco, retorno esperado, etc.

Influência
Imagem: Shutterstock

"Evite discutir com seu antagonista em um âmbito privado.Você será incapaz de convencê-lo do seu argumento.Em vez disso, discuta com ele em público, com vistas a convencer as pessoas em torno dele."

Essa é uma das recomendações que o Taleb faz questão de escrever (publicamente) sob a forma de aforismo.

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Mesmo sem ter nenhum antagonista específico em mente, notamos a implicação direta desse preceito talebiano dentro do mercado.

O que é o mercado senão uma enorme discussão pública?

A cada casamento entre um bid e um ask, o comprador se encontra com o vendedor, com vistas a resolver diferenças de prazo, liquidez, propensão ao risco, retorno esperado, etc.

Trata-se de um encontro pacífico, amoral; não há intenção alguma de convencimento. 

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Uma parte não visa a convencer outra parte; o comprador não quer transformar o vendedor em outro comprador. 

Ao contrário: até certo ponto, o comprador prefere começar sozinho em seu argumento, pois assim compra mais barato; e acha ótimo que o vendedor tenha uma posição contrária à sua, quaisquer que sejam os motivos alheios.

Na maioria das milhares de transações ocorridas a cada dia, o comprador não conhece o vendedor — o que inibe o uso de argumentos ad hominem.

Ainda mais importante: o comprador não quer provar ao vendedor que está certo — ou, ao menos, não deveria querer provar nada. Na discussão de mercado, queremos apenas ganhar dinheiro.

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No entanto, ao ganhar dinheiro, acabamos convencendo as pessoas ao redor de que estamos certos, sendo que nem queríamos estar certos!

Não é maluco isso?

No momento, há uma série de vendedores de stay at home, enquanto compradores buscam casos descontados pelo isolamento — naquilo que é chamado de "rotation trade".

Sem querer convencer ninguém se estou certo ou errado, considero extremamente infeliz a ideia de vender techs para comprar aéreas neste momento.

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Boa parte dos prêmios desenvolvidos pelas tech stocks nos últimos meses diz respeito ao teste pandêmico pelo qual todos passamos, e do qual as techs saíram como antifrágeis e as aéreas saíram como frágeis.

Embora o conceito talebiano de antifragilidade seja maravilhoso na teoria, sua aplicação prática é raríssima. Há pouquíssimos ativos antifrágeis à disposição do investidor, e são todos dependentes de contexto. Quando eles aparecem, devemos celebrá-los com justiça.

Ademais, sempre há o risco da eclosão de novas ondas de contágio, com sérias consequências financeiras. Se essas ondas vierem, as aéreas derreterão uma vez mais, obrigando o mercado a correr de volta para as techs, perdendo nas duas pontas.

As techs funcionam bem com pandemia ou sem pandemia. A decisão de comprá-las ou não tem a ver com preço, mas não tem a ver com a própria existência das mesmas em longo prazo.

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Para as aéreas, entretanto, o payoff é bem menos favorável, é quase que binário.

É claro, estou aqui falando de techs e aéreas, mas o raciocínio se estende para outras classes de ativos situadas nos extremos de stay at home versus I want to break free.

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