Menu
Rodolfo Amstalden
Exile on Wall Street
Rodolfo Amstalden
Sócio-fundador da Empiricus e autor do Programa de Riqueza Permanente
2020-09-10T14:01:03-03:00
Exile on Wall Street

A história do fim da história

Pode parecer estranho à primeira vista, mas fome, doenças e guerras deixaram de ser manifestações imponderáveis para se tornarem desafios gerenciáveis.

10 de setembro de 2020
11:33 - atualizado às 14:01
história
Imagem: Shutterstock

Em 1989, à medida que o muro de Berlim decretava a queda do modelo soviético, o cientista político Francis Fukuyama se inspirava a escrever um artigo que teria ficado para a história, se ainda houvesse história para contar.

Pois, justamente, a tese de Fukuyama era a de que estávamos experimentando ali o fim da história.

O fim da história como a conhecíamos até o século 20.

"Esse é o ponto final da evolução humana baseada em ideologias, dando lugar à universalização da democracia liberal do ocidente como a forma definitiva de governo."

No caso, a alusão liberal de Fukuyama toma como referência Adam Smith, que definia o liberalismo clássico como um combo de: (i) equidade de oportunidades sociais; (ii) economia de mercado; (iii) liberdade de costumes; e (iv) justiça legal.

Vinte e seis anos depois, em 2015, o professor Yuval Harari pegou carona em Fukuyama para qualificar melhor seu próprio fim da história.

No livro Homo Deus, Harari olhou também para trás e constatou que a humanidade havia vencido seus três algozes mais temerosos: a fome, as doenças e as guerras.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas fome, doenças e guerras deixaram de ser manifestações imponderáveis para se tornarem desafios gerenciáveis.

Hoje, mais pessoas no mundo morrem de obesidade do que de desnutrição. Mais pessoas morrem de velhice do que de doenças contagiosas. E mais pessoas cometem suicídio do que são mortas por soldados, terroristas ou criminosos.

Ultimamente, porém, Fukuyama e Harari têm sido duramente questionados pela realidade empírica.

Governos populistas ganham votos perigosos por todo o mundo, e o coronavírus se nega a admitir a hegemonia da ciência sobre patógenos ainda incógnitos.

Sim, isso tudo é verdade, o tipo de verdade que presenciamos em 2020.

Mas é verdade também que a história se move de forma não linear, repleta de solavancos. Não é uma trajetória monotônica crescente.

O erro de Fukuyama está em tratar seu fim da história como um ponto final. Esse fim é um processo. Vamos, voltamos e então vamos novamente, um pouco mais adiante.

Veja o quanto estamos aprendendo com a Covid-19 — essa que pode ter sido a nossa grande vacina pandêmica, aquela que permitiu evitarmos o pior com futuros contágios infinitamente mais letais.

O fim da história, do ponto de vista financeiro, é marcado pelo fim das taxas de juros de curto prazo, o fim da inflação, o fim do value investing contábil, o fim das estimativas de growth, o fim do monopólio dos bancos e o fim do estereótipo da Bolsa como coisa de rico. 

Talvez o fim do ouro como hedge tradicional? O fim do dólar como moeda forte? Trocaremos as bolhas de tecnologia pela tecnologia das bolhas? ETFs plain vanilla já serão ESG vindos de fábrica?

O mundo está mudando, e sua carteira precisa mudar também

Eu sei, é difícil de acreditar por enquanto, nem sei se o mundo está mudando para melhor, mas sei que ele está mudando para sobreviver.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Airbus A320

Itapemirim começa a receber aeronaves para voos comerciais após Anac autorizar

A Itapemirim diz que a segunda aeronave Airbus A320 de sua frota deve chegar ao aeroporto de Confins (MG) neste domingo

Efeito reverso

Elon Musk fez piada sobre o Dogecoin na TV aberta — e as cotações desabaram

Elon Musk fez a aguardada participação no SNL no último sábado, fazendo piada sobre si mesmo e falando do Dogecoin — mas a cotação caiu forte

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Expansão

SPX Capital assume operações do Carlyle no país

As operações do Carlyle no Brasil serão absrovidas pela SPX Capital. Com isso, a gestora de Rogério Xavier se expande em private equity

ESTRADA DO FUTURO

Um pé no abismo e outro na casca de banana: como identificar ações de empresas decadentes

Excesso de otimismo, planos mirabolantes e desprezo pela inovação estão entre as receitas para uma empresa falhar, segundo o gestor que se dedicou a descobrir empresas terríveis

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies