A história do fim da história
Pode parecer estranho à primeira vista, mas fome, doenças e guerras deixaram de ser manifestações imponderáveis para se tornarem desafios gerenciáveis.

Em 1989, à medida que o muro de Berlim decretava a queda do modelo soviético, o cientista político Francis Fukuyama se inspirava a escrever um artigo que teria ficado para a história, se ainda houvesse história para contar.
Pois, justamente, a tese de Fukuyama era a de que estávamos experimentando ali o fim da história.
[captacao]
O fim da história como a conhecíamos até o século 20.
"Esse é o ponto final da evolução humana baseada em ideologias, dando lugar à universalização da democracia liberal do ocidente como a forma definitiva de governo."
No caso, a alusão liberal de Fukuyama toma como referência Adam Smith, que definia o liberalismo clássico como um combo de: (i) equidade de oportunidades sociais; (ii) economia de mercado; (iii) liberdade de costumes; e (iv) justiça legal.
Leia Também
O preço da oportunidade: bolsa em queda, dólar em alta e leilões de imóveis antes do feriado
O cenário para a bolsa brasileira mudou; saiba como se preparar
Vinte e seis anos depois, em 2015, o professor Yuval Harari pegou carona em Fukuyama para qualificar melhor seu próprio fim da história.
No livro Homo Deus, Harari olhou também para trás e constatou que a humanidade havia vencido seus três algozes mais temerosos: a fome, as doenças e as guerras.
Pode parecer estranho à primeira vista, mas fome, doenças e guerras deixaram de ser manifestações imponderáveis para se tornarem desafios gerenciáveis.
Hoje, mais pessoas no mundo morrem de obesidade do que de desnutrição. Mais pessoas morrem de velhice do que de doenças contagiosas. E mais pessoas cometem suicídio do que são mortas por soldados, terroristas ou criminosos.
Ultimamente, porém, Fukuyama e Harari têm sido duramente questionados pela realidade empírica.
Governos populistas ganham votos perigosos por todo o mundo, e o coronavírus se nega a admitir a hegemonia da ciência sobre patógenos ainda incógnitos.
Sim, isso tudo é verdade, o tipo de verdade que presenciamos em 2020.
Mas é verdade também que a história se move de forma não linear, repleta de solavancos. Não é uma trajetória monotônica crescente.
O erro de Fukuyama está em tratar seu fim da história como um ponto final. Esse fim é um processo. Vamos, voltamos e então vamos novamente, um pouco mais adiante.
Veja o quanto estamos aprendendo com a Covid-19 — essa que pode ter sido a nossa grande vacina pandêmica, aquela que permitiu evitarmos o pior com futuros contágios infinitamente mais letais.
O fim da história, do ponto de vista financeiro, é marcado pelo fim das taxas de juros de curto prazo, o fim da inflação, o fim do value investing contábil, o fim das estimativas de growth, o fim do monopólio dos bancos e o fim do estereótipo da Bolsa como coisa de rico.
Talvez o fim do ouro como hedge tradicional? O fim do dólar como moeda forte? Trocaremos as bolhas de tecnologia pela tecnologia das bolhas? ETFs plain vanilla já serão ESG vindos de fábrica?
O mundo está mudando, e sua carteira precisa mudar também.
Eu sei, é difícil de acreditar por enquanto, nem sei se o mundo está mudando para melhor, mas sei que ele está mudando para sobreviver.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Não precisa ser assim: Ibovespa junta os cacos da ressaca eleitoral
27 de outubro de 2026 - 8:59INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
O choque passou pela bolsa, mas o veredito virá do fiscal
27 de outubro de 2026 - 7:10O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Nunca antes: bolsa, dólar e juros reagem à reeleição de Lula com circuit-breaker no radar dos investidores
26 de outubro de 2026 - 8:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O jogo só termina quando acaba: WEG em queda, IPCA-15 e cautela na bolsa no último pregão antes do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
23 de outubro de 2026 - 7:51SEXTOU COM O RUY
A bolsa tem bons motivos para continuar subindo, mas a WEG (WEGE3) serve como alerta
23 de outubro de 2026 - 6:03O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Uma nova aposentadoria complementar: novas pesquisas eleitorais e início da temporada de balanços movimentam os mercados
22 de outubro de 2026 - 8:27EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Na média, continua tudo meio igual
21 de outubro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Um passo de cada vez: início da temporada de balanços e pesquisa Quaest mexem com os mercados hoje
21 de outubro de 2026 - 8:44O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O joio, o trigo e os inadimplentes: eleições, temporada de balanços, revolta na França e petróleo em alta movimentam os mercados hoje
20 de outubro de 2026 - 8:23INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Protestos na França: quando a dívida cobra a conta das economias desenvolvidas
20 de outubro de 2026 - 7:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Temporada de balanços do 3T26, visão de dono para empreender e eleições: o que movimenta os mercados hoje
19 de outubro de 2026 - 8:28VISÃO DE DONO
Antes de abrir uma empresa, experimente um estágio de dono
19 de outubro de 2026 - 6:45PLANO A
Caça às bruxas: os fundos de previdência caros e pouco rentáveis que nós não recomendamos
18 de outubro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Em busca do eletroposto mais próximo e das ações que vão se dar bem na temporada de balanços; veja o que mexe com seu bolso hoje
16 de outubro de 2026 - 8:16SEXTOU COM O RUY
A bolsa subiu na expectativa, mas a realidade segue difícil. O que esperar da temporada de resultados?
16 de outubro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A volta do fantasma dos distratos, o peso dos juros para o desempenho da bolsa e tudo o que mexe com o seu bolso hoje
15 de outubro de 2026 - 8:35EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo
14 de outubro de 2026 - 19:45O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Brasileiros à prova da teoria financeira, ‘Pix MEI’, o renascimento do Magalu e o que mais mexe com o seu bolso hoje
14 de outubro de 2026 - 8:28O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para as PMES, o sumiço das LCIs e LCAs que pagavam 95% e o que agita os mercados hoje
13 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO