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Richard Camargo
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Richard Camargo
Formado em Economia pela Universidade de São Paulo, Richard trabalhou por 5 anos na área tecnológica até chegar na Empiricus.
2020-08-02T11:00:42-03:00
O QUE ESPERAR DE CADA INVESTIMENTO

Como ganhar dinheiro sem assumir riscos absurdos: entenda os quatro tipos de investimentos

TODOS os produtos financeiros em que você pensar em investir terão seu perfil de risco e retorno explicados por um dos quatro tipos.

2 de agosto de 2020
5:50 - atualizado às 11:00
moto capacete

Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre Aposentadoria FIRE® (Financial Independence, Retire Early). 

Hoje trago a segunda, de um total de quatro colunas sobre como ganhar dinheiro sem assumir riscos absurdos. 

Na semana passada, comecei explicando que o clássico “sou conservador e não gosto de perder dinheiro” é uma desculpa esfarrapada de quem tem preguiça de começar a investir. 

É claro que nem conservadores e nem arrojados gostam de perder dinheiro; um bom investidor sabe que seu retorno está diretamente ligado à sua gestão de risco, nosso tema de hoje. 

A seguir, explico que existem quatro tipos diferentes de investimentos, e já te adianto: 

TODOS os produtos financeiros em que você pensar em investir terão seu perfil de risco e retorno explicados por um dos quatro tipos que vou te mostrar agora.

Não tinha teto, não tinha nada...

Quando o assunto é investimento, só existem dois resultados possíveis: 

  1. ou você ganha, 
  2. ou você perde dinheiro. 

Mas entre esses dois resultados existe uma infinidade de combinações possíveis: existem investimentos em que você tem muito a perder e pouco a ganhar; em outros casos, você pode ter pouco a ganhar, porém também pouco a perder…

Eu gosto de explicar essas possibilidades com dois exemplos simples: o teto e o piso. 

Alguns investimentos possuem teto, ou seja, existe um valor máximo que você pode ganhar investindo naquele ativo. 

Outros investimentos não possuem teto nenhum, simplesmente não existe um valor máximo que você pode ganhar - seus ganhos podem ser teoricamente ilimitados. 

Mas claro, ao olharmos para cima não podemos nos esquecer de olhar também para baixo: alguns investimentos tem piso, outros não.

Isso significa que há casos em que você sabe exatamente o quanto pode perder, bem como casos em que as perdas podem ser ilimitadas. 

Sob o nosso exemplo do piso e teto, podemos classificar TODOS os tipos de investimento. 

São quatro combinações possíveis… 

1. Investimento com piso, mas sem teto.

O exemplo perfeito de um investimento com piso e sem teto é o das ações. Ao comprar uma ação, você pode perder apenas aquilo que investiu. 

Se você investiu R$ 1.000 numa ação, tudo o que pode perder são esses R$ 1.000. 

Porém, os ganhos com ações podem ser ilimitados. Você pode ter rentabilidades de 100%, 200%, 500%, 1000%...

Dizemos que no caso das ações a assimetria está ao seu lado; pois você tem muito a ganhar (não possui um teto) e pode perder apenas o quanto decidiu investir (você possui um piso). 

Assumir riscos enormes com ações depende unicamente de você, de quanto você decide alocar do seu patrimônio pessoal nessa classe de ativos. 

A gestão do risco, neste caso, está em suas mãos, e deve ser feita dosando o tamanho das aplicações.

2. Investimento com piso, e com teto.

Neste segundo caso, com piso e teto, temos volatilidade limitada. 

São investimentos em que sabemos o quanto podemos perder, mas sabemos também o quanto podemos ganhar. 

Os dois principais exemplos dessa categoria são os títulos de renda fixa e os famosos COEs.

Por exemplo, num CDB com rentabilidade de 105% do CDI, o máximo que você ganhar é, veja bem, 105% do CDI. Não tem conversa, não tem tese de investimento… apenas 105% do CDI. 

Mas caso o banco emissor do CDB declare falência e você sofra o calote, existe uma perda máxima de 100%, ou seja, todo o valor investido (caso você não esteja coberto pelo FGC). 

No caso dos COEs existem uma infinidade de produtos possíveis, onde houver oportunidade de cobrar taxas e contar uma boa história, vai existir um COE. 

Mas sobre eles eu falo na semana que vem…

3. Investimento sem piso, e com teto.

Este terceiro caso é o mais problemático e parece conter um magnetismo para atrair gente que se leva muito a sério. 

Um investimento sem piso, porém com teto, é um investimento em que você sabe exatamente o quanto pode ganhar, mas não faz ideia do quanto pode perder. 

Aqui estão operações um pouco mais sofisticadas, como vender ações ou opções a descoberto. 

Como assim? 

Eu não vou entrar nos detalhes operacionais, mas assim como você pode comprar uma ação para apostar em sua alta, você pode vender uma ação ou uma opção (sem possuí-las) para apostar na sua queda. 

Você pode recorrer ao mercado de aluguel, alugar um lote de Petrobras, vender as ações a mercado torcendo por sua queda, para posteriormente recomprá-las mais baratas e devolver seu aluguel. 

Qual o problema dessa estrutura? 

Bom, o problema é que o máximo que você pode ganhar é 100% (caso a ação passe a valer zero), mas você pode sofrer perdas ilimitadas caso a ação suba indefinidamente. 

Falo das ações pois são mais simples de entender, mas o bicho pega mesmo para o pessoal que vende opções a descoberto…

Sobre eles, também falarei na semana que vem.

4. Investimento sem piso, nem teto

E por último, quero relembrar um fato real. 

Em maio de 2018, a CVM determinou que a XP Investimentos ressarcisse um pequeno investidor em R$ 120 mil.

A história pode ser acessada na seguinte reportagem da revista Veja.

Esse pequeno investidor havia feito um aporte inicial de R$ 100 mil no Tesouro Direto. Depois, ao realizar um novo aporte de R$ 10 mil, conta a matéria que o assessor o procurou propondo diversificação.

Sempre bom diversificar, não é mesmo?

De acordo com a reportagem, o investidor perdeu não só os R$ 10 mil reais do segundo aporte, como encerrou a operação proposta pelo assessor com um prejuízo de R$ 123.446. 

Lá se foram inclusive os títulos do Tesouro Direto que haviam sido utilizados como garantia para montagem de alguma “operação estruturada”.

Meu objetivo com a história não é demonizar o assessor, pelo contrário, toda história tem dois lados. O mais provável é que o investidor tenha se deixado seduzir pelo ganho potencial da operação, ignorando suas perdas potenciais.

Claramente, tratava-se de um caso sem piso e (apenas talvez) sem teto. 

Isso acontece tipicamente nos casos em que se utilizam alavancagem. Se o teto de um investimento puder ser artificialmente dilatado em dez ou vinte vezes, o mesmo se aplica ao seu piso. 

Na semana que vem…

Agora você conhece os quatro tipos de investimento possíveis, vamos entrar numa discussão mais prática: alocação para diferentes perfis e melhores estratégias para cada um dos quatro tipos. 

Te espero no próximo domingo,

Obs: até lá, aproveite para baixar gratuitamente o aplicativo da Empiricus; está chovendo IPOs na Bolsa brasileira e estamos disponibilizando nossos relatórios de análise das ofertas de graça a todos que baixarem o aplicativo.

Um abraço!

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