Menu
2020-01-09T10:40:41-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
As idas e vindas do câmbio

Onde investir em 2020: o cenário para o dólar segue turbulento — e, na dúvida, é melhor comprar

Após um 2019 turbulento, especialistas acreditam que o dólar à vista deva enfrentar menos volatilidade em 2020, terminando o ano não muito distante dos níveis atuais

3 de janeiro de 2020
5:28 - atualizado às 10:40
Imagem de uma cédula de dólar com zoom
Imagem: Shutterstock

O mercado de câmbio passou por ondas de alívio e de estresse em 2019. O dólar à vista começou o ano na faixa de R$ 3,80 e chegou a encostar em R$ 3,65 em fevereiro, mas, a partir daí, começou a enfrentar turbulências — passando pelo momento mais tenso em novembro, quando foi a R$ 4,25.

Mas, quando tudo parecia caminhar para a explosão da taxa de câmbio, a calmaria tomou conta das negociações: a divisa se afastou das máximas, terminando o ano em R$ 4,01, alta de 3,63%.

  • Onde Investir 2020: veja a série especial completa com indicações do que esperar do mercado de ações, câmbio, renda fixa, imóveis, fundos imobiliários e criptomoedas.

É claro que as oscilações do dólar não são arbitrárias: o mercado reage às idas e vindas do noticiário doméstico e internacional — e, na reta final de 2019, informações mais animadoras no Brasil e no exterior contribuíram para dar algum alento ao câmbio.

Só que, por mais que o fluxo de notícias tenha sido favorável ao longo de dezembro, especialistas alertam que essa onda de alívio não é eterna: por mais que o cenário tenha ficado menos nebuloso, ele ainda não está totalmente nítido para o mercado de moedas.

Eu conversei com diversos analistas ao longo dos últimos dias para tentar entender para onde o dólar poderá ir em 2020. O diagnóstico foi quase sempre o mesmo: a moeda americana não tem espaço para recuar muito, mas também não deve passar por pressões mais intensas.

Ou seja: é bom se acostumar com o dólar à vista perto dos níveis atuais — há alguma volatilidade no horizonte, mas, por enquanto, nada que se assemelhe às fortes emoções vistas em 2019.

"Pessoas que têm viagens a lazer em 2020 deveriam comprar dólares e não se preocupar com o assunto. Podemos ter a taxa de câmbio abaixo de R$ 4,00 ou indo para perto de R$ 4,35, não vemos uma tendência muito clara", diz André Carvalho, estrategista de ações para América Latina do Bradesco BBI.

Afinal, comprar dólares nunca é mau negócio: a moeda americana serve como proteção e contribui para diversificar os ativos de sua carteira de investimentos, reduzindo os riscos.

Impasse

Como você já sabe, as perspectivas para a bolsa em 2020 são positivas, com os especialistas apostando em mais um ciclo de ganhos para o mercado acionário brasileiro. Sendo assim, por que o cenário para o dólar não é igualmente otimista?

Há diversos fatores que contribuem para impedir um alívio maior no câmbio. A começar pela queda da Selic ao piso histórico de 4,5% ao ano e a perspectiva de manutenção da taxa em níveis baixos por um tempo prolongado — uma variável que dá forças à bolsa, mas que pressiona o dólar.

Com a Selic caindo num ritmo acentuado em 2019, a diferença entre a taxa de juros do Brasil e de outros países acabou se estreitando. Com isso, a aplicação em ativos brasileiros perdeu atratividade, já que os rendimentos polpudos do passado já não existem mais — assim, há uma menor entrada de recursos estrangeiros que visavam apenas essa rentabilidade fácil.

"As taxas de juros [no Brasil] estão mais baixas que na maioria dos emergentes, como México, Turquia, África do Sul e Índia. Isso traz uma pressão [ao mercado de câmbio local]", diz Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management, também apontando o diferencial de juros como um ponto relevante de estresse em 2020.

Por outro lado, Patah afirma que a perspectiva de retomada do crescimento econômico do Brasil, somada à melhoria no front fiscal com a aprovação da reforma da Previdência, aumenta a atratividade do país aos olhos do investidor estrangeiro, balanceando um pouco as forças.

Assim, considerando as duas variáveis, o UBS vê o dólar perto de R$ 4,10 ao fim de 2020, podendo oscilar numa banda entre R$ 3,90 e R$ 4,30 ao longo do ano.

Ano eleitoral = ano de tensão

Outro foco de incerteza para o mercado de câmbio é a eleição presidencial dos Estados Unidos: do lado republicano, Donald Trump tentará o segundo mandato; do lado democrata, no entanto, ainda não há definição a respeito de quem concorrerá à Casa Branca.

Trata-se, assim, de um ano dividido em dois: no primeiro semestre, a perspectiva de retomada do crescimento global e alívio nas tensões comerciais entre americanos e chineses devem dar força aos mercados financeiros, especialmente aos ativos de países emergentes.

Mas, na segunda metade de 2020, as eleições americanas tendem a dominar a atenção dos investidores — e a trazer volatilidade ao mercado de câmbio.

"Não é só na primeira terça-feira de novembro [data da eleição dos EUA] que a coisa pega", diz Emy Shayo, estrategista para a América Latina e Brasil do J.P. Morgan — a casa enxerga o dólar a R$ 4,30 ao fim de 2020. "Depende muito de quem vai ser o candidato dos democratas".

Entre os possíveis rivais de Trump, destacam-se no momento a senadora Elizabeth Warren, o senador Bernie Sanders, o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg e o ex-vice-presidente do país, Joe Biden.

Para Carvalho, do Bradesco BBI, as eleições americanas tendem a trazer ruídos ao mercado ao longo de 2020 — e, como sempre, um cenário mais incerto em termos internacionais resulta em maior aversão ao risco em relação aos mercados emergentes, como o Brasil.

"O que pode balancear é a recuperação da economia da China. Estamos observando esse pêndulo", diz.

Tensão e alívio

Considerando todos esses fatores, pode-se dizer que o mercado de câmbio tende a repetir a dinâmica de 2019, com momentos de calmaria e de nervosismo se sucedendo — a diferença é que a magnitude dos movimentos tende a ser menor que a vista ao longo do último ano.

"Com a Selic mais baixa, temos retornos menores das aplicações, e isso contribui para um câmbio mais fraco. Mas, por outro lado, as reformas permitiram que o nível de risco, hoje, seja menor do que já foi", diz Júlia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco, apostando no dólar perto de R$ 4,15 ao fim de 2020.

Conclusão: Ainda há muitas incertezas sobre a tendência do câmbio e espera-se um ano de alta volatilidade. Se você não tem investimento em dólar, é bom comprar um pouco para manter uma carteira diversificada. Mas não é o caso de fazer uma grande aposta na moeda americana.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

mas houve queda na base anual

Mercado de capitais registra melhora em julho e captações somam R$ 34 bilhões

Mas na comparação com junho de 2019, quando a Anbima havia registrado R$ 60 bilhões em captações no mercado de capitais, a queda ainda é de 43%

ideias do paletta

O rugido do leão: Aaai, meus dividendos…

Possível taxação sobre proventos possui pontos positivos e negativos: veja agora como ela te impacta

Uma pra lá, outra pra cá

Rede de farmácias D1000 estreia com tombo de 7% na B3; Quero-Quero sobe

Ambas as empresas foram listadas no Novo Mercado, segmento com os mais elevados padrões de governança corporativa da B3; IPOs movimentaram mais de R$ 2 bilhões

reduzindo custos

Na crise, empresas migram para galpões

Pequenos lojistas de shopping center e distribuidores de produtos de moda, por exemplo, encontraram uma forma mais barata e prática para economizar nesse momento difícil

Varejo online

O balanço bom não bastou. Mercado Livre cai na bolsa e arrasta Magalu, Via Varejo e B2W

Mercado Livre registrou forte crescimento no volume de vendas, que atingiu US$ 5 bilhões no segundo trimestre, mas não foi o suficiente para empolgar os investidores

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements