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2020-08-31T21:37:26-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Mês do desgosto

Com temor fiscal, ativos de risco apanham em agosto; bitcoin e dólar lideram as altas

Alta dos juros no mês e aumento do risco fiscal castigaram títulos públicos longos e a bolsa

31 de agosto de 2020
21:28 - atualizado às 21:37
taxa de juros
Imagem: Shutterstock

Agosto fez jus à fama de mês do cachorro louco em 2020. O temor dos investidores em relação à situação fiscal do país se agravou, o que levou os ativos de risco a fecharem o mês no vermelho. Já o bitcoin e o dólar foram os melhores investimentos do mês.

Com a alta dos juros futuros, sobretudo os de longo prazo, os títulos públicos mais longos foram os investimentos que mais apanharam em agosto.

O Ibovespa também fechou o mês em queda e abaixo dos 100 mil pontos, patamar que havia sido recuperado em julho. Com baixa de 3,44%, o índice teve o primeiro mês negativo desde março, terminando aos 99.369,15 pontos.

Já o dólar avançou mais de 5%, aos R$ 5,47, na cotação à vista, e R$ 5,48, na cotação PTAX. O bitcoin nadou de braçada e fechou com valorização de 8,13% em reais, acima dos R$ 64 mil. Em dólar, a criptomoeda fechou cotada acima dos US$ 11.600.

Melhores investimentos de agosto

Após romper os 100 mil pontos em julho, o Ibovespa não teve força para ir muito além. O índice não conseguiu ultrapassar muito os 104 mil pontos em agosto, e vez por outra flertava com os 99 mil pontos.

Além da falta de fatos novos que pudessem levar o índice mais para cima, em um mês fortemente impactado por balanços em grande parte negativos das empresas, o aumento da percepção de risco em relação à situação fiscal do país deixou os investidores com o pé atrás.

O mês foi marcado pelo temor de que o governo eventualmente abandone o teto de gastos, uma vez que há, no Congresso e no próprio Executivo, setores que defendem a flexibilização do teto, o aumento dos investimentos estatais e a prorrogação do estado de calamidade pública para o ano que vem.

O ministro Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e David Alcolumbre, tiveram que sair em defesa do teto.

As discussões sobre a prorrogação do auxílio emergencial e o Renda Brasil - programa de renda básica que substituirá o Bolsa Família, também chamaram atenção do mercado, uma vez que a demanda por mais gastos sociais se justifica, ao mesmo tempo em que não se sabe como encaixá-los sob o teto.

Tudo isso temperado com alguns conflitos típicos de Brasília, além da saída de dois membros importantes da equipe econômica, o agora ex-secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e Paulo Uebel, que era secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital.

O mercado chegou a ficar bastante estressado com uma possível saída do ministro Paulo Guedes, que novamente foi reafirmado no cargo.

Com toda essa tensão em Brasília, os juros futuros, sobretudo os mais longos, avançaram no mês de agosto, precificando uma maior fragilidade fiscal do país, o que derrubou os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação. Nesta matéria, eu falei com mais detalhes sobre essa influência do risco fiscal sobre os títulos públicos.

A maior percepção de risco também contribuiu para a queda do Ibovespa no mês e a alta do dólar. Os fundos imobiliários, por sua vez, mostraram-se novamente descorrelacionados dos demais ativos de risco. Depois de um tombo surpreendente em julho, eles apresentaram uma breve recuperação.

Já o bitcoin continua na sua trajetória de valorização pós-halving e turbinado sobretudo pelo momento econômico de maior liquidez na economia mundial e potencial de desvalorização das moedas fiduciárias com o tempo.

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