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2020-12-17T12:58:52-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
fechamento dos mercados

Ibovespa fecha no maior nível em 11 meses com alta de bancos, Vale e Ambev, e fica a menos de 2 mil pontos do topo histórico

Principal índice de ações da B3 fecha sessão aos 117.860 pontos, no maior patamar de encerramento desde 24 de janeiro; agora, o índice está a 1.733 pontos da máxima histórica intradiária, de 119.593 pontos

16 de dezembro de 2020
19:06 - atualizado às 12:58
alta - topo - bolsa
Imagem: Shutterstock

O Ibovespa era um marasmo até por volta das 14h50 desta quarta-feira (16). Um marasmo com viés de baixa, que se diga, por incertezas relacionadas à aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021 e um certo compasso de espera com a agenda que contava com a decisão do Federal Reserve (banco central americano, o Fed).

Mas, a partir desse horário, o jogo mudou de figura: o principal índice acionário da B3 passou reduzir a sua queda e foi, paulatinamente, intensificando a sustentar alta no período da tarde, uma hora após a aprovação da LDO na Câmara dos Deputados.

O dia prometia volatilidade, com o vencimento de opções sobre o Ibovespa, e assim foi, tanto que o índice abriu a sessão alternando altas e baixas, oscilando perto da estabilidade.

Os papéis de bancos eram alguns dos que recuavam mais cedo, constituindo importante pressão de baixa, mas viraram e acabaram por sustentar a forte alta do Ibovespa.

Blue chips, Ambev ON e Vale ON avançaram e também sustentaram a alta do índice.

No exterior, se as principais bolsas europeias terminaram em altas de no mínimo 0,3%, não foi o caso de Nova York.

Por lá, os agentes financeiros digeriram o comunicado do Fed, que vê as taxas de juros paradas até 2023 e indicou a manutenção da compra de títulos públicos do Tesouro dos EUA e títulos hipotecários ao ritmo atual pelos próximos meses, até que haja avanço na meta de inflação média e de estabilidade dos preços.

Além disso, o cenário político se desanuviou com a perspectiva de que um pacote de estímulos possa enfim sair do papel. Houve desenvolvimentos nas conversas entre democratas e republicanos que chegaram a animar os investidores.

Os líderes do Congresso estavam mais perto de um acordo de cerca de US$ 900 bilhões, que deve incluir outra rodada de pagamentos diretos às famílias, disse o Wall Street Journal.

Com isso, S&P 500 fechou a sessão em leve alta, de 0,2%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,15%. O índice de ações de tecnologia Nasdaq avançou 0,5%.

No fim do dia, o Ibovespa, empurrado por bancos, Ambev e Vale, encerrou os negócios com uma alta de fazer inveja, de 1,5%. Foi a maior alta do índice desde 10 de dezembro. Com isso, fechou aos 117.860 pontos, no maior patamar de fechamento desde 24 de janeiro — na ocasião, terminou o dia em 118.380 pontos.

Só neste mês, o Ibovespa acumula ganhos de 8,2%. No ano, possui alta de 1,9%. Agora, o índice está a 1.733 pontos da máxima histórica intradiária, de 119.593 pontos, registrada também em 24 de janeiro.

Quem sobe, quem desce

As ações das companhias de proteína animal, como JBS ON, Minerva ON e Marfrig ON, avançaram no mínimo 3%, em meio a notícias de um novo surto de gripe aviária no Japão, ajudando a puxar o índice.

Os bancos, que têm um grande peso na composição da carteira do Ibovespa, marcaram fortes altas hoje. Bradesco PN e Itaú PN, por exemplo, subiram ao menos 2%.

Enquanto isso, outra gigante, a Vale teve ganhos de 2%, seguindo os ganhos do minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China. Na esteira dos ganhos da commodity, CSN ON subiu 0,8%.

Papel de peso no Ibovespa, Ambev ON avançou 1,7%.

Veja as principais altas do dia:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BRKM5Braskem PNA           22,40 5,61%
BEEF3Minerva ON           10,29 4,26%
NTCO3Natura ON           50,90 3,88%
BTOW3B2W ON           81,49 3,84%
MRFG3Marfrig ON           14,59 3,26%

Os papéis da Eletrobras, por sua vez, lideraram as quedas do índice, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, dizer que o modelo de venda da empresa está "sob suspeição", o que explicaria a demora em sua privatização.

Em vista da declaração de Maia, a Associação de Empregados da Eletrobras pede a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para avaliar o caso.

Confira as principais quedas do Ibovespa:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
ELET3Eletrobras ON           37,40 -3,36%
ELET6Eletrobras PNB           37,42 -2,83%
SBSP3Sabesp ON           44,60 -2,47%
YDUQ3Yduqs ON           33,75 -2,17%
GOLL4Gol PN           26,68 -1,22%

Dólar e juros sobem

O dólar avançou mesmo após o andamento da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ainda assim, terminou a sessão distante das máximas intradiárias. A moeda americana fechou em alta de 0,3%, cotada a R$ 5,1062.

Nova intervenção do Banco Central (BC), que ofereceu US$ 800 milhões em uma operação de swap (venda de dólar no mercado futuro), ajudou a manter a divisa acomodada, registrando apenas um leve ganho.

Hoje foi dia de definição do orçamento na Câmara. O texto-base da LDO foi aprovado por 444 votos a 10. Deputados também rejeitaram destaque que previa crédito extra para comprar vacinas.

A proposta prevê como meta fiscal no próximo ano um déficit primário (resultado das receitas menos despesas antes do pagamento de juros) de R$ 247,1 bilhões e a correção do salário mínimo em janeiro dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.088.

Falas de Maia sobre os ministro da Economia, Paulo Guedes, e da Saúde, Eduardo Pazuello, também voltaram ao radar e deixaram investidores um pouco aflitos sobre as relações entre governo e Congresso.

O deputado, que está de saída da presidência da Casa, disse que Guedes está enfraquecido no cargo e que Pazuello "é um desastre para o País e para o governo".

"Teve muita coisa junta no dia, LDO, Fed, fala do Maia, incerteza sobre quando começa a vacinação, mas eu te diria que o dólar está bem comportado", afirmou Cleber Alessie, operador de câmbio da Commcor. "A tendência recente da moeda é de queda, o que vemos hoje é um ajuste, o real é uma moeda líquida com que os investidores especulam normalmente."

Apesar do avanço de hoje, no mês o dólar ainda cai 4,5% e prossegue nos níveis mais baixos vistos desde junho, o que também leva os investidores a realizarem alguns lucros de curtíssimo prazo com a moeda brasileira.

Frente a outras divisas emergentes, o dólar registrou queda — caindo em relação ao peso mexicano, ao rublo russo e ao rand sul-africano.

Enquanto isso, os juros intermediários e longos subiram fortemente, devolvendo os alívios vistos ontem, quando a sinalização de que o BC não elevará a Selic no curto prazo, um leilão do Tesouro de títulos atrelados à inflação e a definição de meta fiscal fixa derrubaram as taxas.

Hoje, os juros futuros ao longo de toda a curva operaram para cima, mesmo após a votação da LDO, refletindo persistentes temores fiscais e a incerteza do avanço da pauta de reformas estruturantes em 2021. Os juros para janeiro/2023 e janeiro/2025 terminaram a 0,05 ponto percentual das suas máximas.

Confira as taxas dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,902% para 1,904%
  • Janeiro/2022: de 2,95% para 2,98%
  • Janeiro/2023: de 4,27% para 4,35%
  • Janeiro/2025: de 5,83% para 5,93%
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