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MAU PRESSÁGIO

Bilionário Warren Buffett pode estar dando um recado aos investidores

A gestora Berkshire Hathaway, do qual o investidor lendário é sócio, tinha guardado no fim de junho nada menos que US$ 122 bilhões em caixa. Mesmo fenômeno ocorreu em outros momentos anteriores a crises

Warren Buffett, investidor americano | Apple
Warren Buffett: bilionário segue fiel a suas tesesImagem: Shutterstock

O bilionário investidor Warren Buffett tem chamado a atenção no mercado por uma postura aparentemente defensiva. Digo “aparentemente” porque o Oráculo de Omaha pode tirar um coelho, digo uma aquisição, da cartola a qualquer momento.

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A gestora Berkshire Hathaway, do qual Buffett é sócio, tinha guardado no fim de junho nada menos que US$ 122 bilhões em dinheiro. O valor representa 60% dos US$ 208 bilhões investidos pela empresa em ações de companhias listadas em bolsa, um recorde em seu histórico.

Na prática, o dinheiro em caixa permite duas interpretações complementares entre si. A primeira, confirmada por Buffett recentemente, é de que a gestora estaria se capitalizando enquanto avalia aquisições. A última vez que isso aconteceu foi em 2015, quando a Berkshire comprou a Precision Castparts, fabricante de bens industriais e peças do setor aéreo.

Porém, como ressaltou o próprio bilionário, os valores estratosféricos das empresas em seu radar estão empurrando esse plano para frente.

A segunda interpretação, de caráter um pouco mais macro, é a de que Buffett está considerando as ações dos índices americanos muito caras - o que, em sua visão, pode mudar em breve...

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Os números mentem?

Um elemento que sustenta uma tendência baixista no mercado americano é um dos termômetros preferidos do bilionário: a razão entre o valor total do mercado de ações e o PIB americano. O aumento desse índice seria um sinalizador de que o mercado está distorcido e pode migrar do bullish (mercado de alta) para o bearish (de baixa).

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Como aponta a agência Bloomberg, as duas últimas fortes quedas do mercado acionário americano foram antecedidas por picos desse indicador. No auge da chamada bolha da internet (dot-com bubble), em 2000, essa razão atingiu 146%, um recorde até então. No pré-crise de 2008, escalou novamente para 137%.

O último valor divulgado pelo Banco Mundial, referente a 2017, foi de 154%, quase o dobro da média histórica de 88%. Desde então, o rali no mercado americano indica que essa razão apenas subiu.

Nos últimos 32 anos, o período em que o grupo administrado por Buffett mais guardou dinheiro em caixa foi o que precedeu a crise de 2008. Para um fundamentalista incurável como ele, uma queda generalizada das ações seria uma grande oportunidade de comprá-las por seu valor real. "Tenha medo quando os outros estiverem gananciosos e ganância quando tiverem medo", disse o guru em uma de suas frases mais famosas.

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A carteira bilionária de Buffett

Hoje, parte do portfólio da Berkshire está alocado em gigantes de tecnologia como Apple e Amazon, e a fabricante de bebidas e alimentos Coca-Cola. Porém, 8 dos 12 principais papéis da carteira seguem no setor financeiro, em instituições como Bank of America Corp., Wells Fargo e American Express. Trata-se de uma aposta criticada, já que o segmento tem sofrido na última década entre disrupções e quedas de juros.

Desde o início do ano, os papéis da gestora de Buffett têm andado de lado, bem atrás dos principais índices americanos. Há quem possa dizer que o desempenho modesto do bilionário em 2019 deponha contra sua posição mais conservadora. Porém, as palavras “dessa vez será diferente” não se consagraram à toa como as quatro mais perigosas do mundo dos investimentos.

Quer saber mais sobre a trajetória e as lições de Warren Buffett? Vale a pena ler seu perfil completo na série Rota do Bilhão.

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