O que você deve ler agora, segundo Luis Stuhlberger, o gestor do tão desejado fundo Verde
Ele está atento à guerra comercial entre EUA e China e seus efeitos sobre a economia global, de onde considera que pode vir um acordo capaz até de causar uma onda de otimismo nos mercados globais
Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde, tem dedicado seu tempo de leitura a tentar entender a China. Em evento recente, do Credit Suisse, ele contou quais foram seus mais recentes companheiros de viagem, devorados no trajeto São Paulo-Londres. E sugeriu as leituras.
Um deles foi o artigo "China's Prospective Import Binge and Globalisation 2.0", publicado em janeiro por Stephen Jen e Joana Freire, da gestora SLJ Macro Partners. O argumento básico do artigo é que a probabilidade de a guerra comercial entre chineses e americanos levar a uma China mais aberta é maior do que a de resultar em uns Estados Unidos mais protecionistas – ao contrário do que a maior parte dos analistas têm defendido.
Nessa versão da história, a China aumentaria suas importações, dando um impulso ao crescimento econômico mundial.
A segunda indicação do gestor foi do livro "China Great Wall of Debt", de Dinny McMahon, jornalista que cobriu China por dez anos no Wall Street Journal e no Dow Jones Newswire. Na verdade, Stuhlberger citou uma versão condensada do livro: "Em vez de gastar X mil horas lendo, encontrei um bom resumo..." (bom saber que gênios também leem resumos, não é mesmo?).
O livro reúne dados – como o de que o crédito bancário na China multiplicou por quatro entre 2008 e 2016 – que fazem o gestor da Verde considerar o cenário chinês extremamente desafiador.
A obra conta ainda histórias simbólicas das especificidades de operar no país, como a de Kun Huang e Jon Carnes, investidores canadenses que divulgaram um relatório e montaram uma posição vendida acusando empresas chinesas de divulgarem dados falsos de produção. As companhias acabaram deslistadas da Nasdaq, mas os investidores foram presos na China por difamação, passando inclusive por trabalho forçado e tortura.
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Em 2017, o Verde sofreu com uma posição de dólar contra a moeda chinesa, que resultou no terceiro ano atrás do CDI de seus 22 anos de história. A tese até se realizou – no ano passado, quando Stuhlberger já tinha desistido dela (como contou nesta entrevista).
Neste momento, o gestor está atento à guerra comercial entre EUA e China e seus efeitos sobre a economia global. E revelou considerar provável um acordo, que inclusive vê como a única razão possível agora para uma onda de otimismo nos mercados globais. "Trump pode não gostar dos chineses, mas gosta bem menos do S&P caindo", disse o gestor da Verde em seu discurso público mais recente.
O multimercados Verde, gerido por Stuhlberger, rende 15.776% desde que foi criado, em 1997, muito acima dos 2.034% do CDI. Neste ano já entrega 3,34%, o equivalente a 521% do CDI. O fundo infelizmente está fechado para novos investimentos no momento.
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