O primeiro dia do resto da sua vida
No principal dia do governo Bolsonaro (até agora), reforma da Previdência foi a grande protagonista e causou rebuliços em Brasília

Jair Bolsonaro ainda nem havia pisado no Congresso hoje pela manhã quando começamos a nos debruçar sobre o novo projeto de reforma da Previdência, que será intensamente debatido nos próximos meses.
A aprovação das mudanças no sistema de aposentadorias é fundamental para o equilíbrio das contas públicas. Se a proposta for aprovada da forma como chegou à Câmara, o que é improvável, o ganho fiscal pode atingir R$ 1,164 trilhão ao longo de 10 anos.
De todo modo, a expectativa é que a reforma seja suficiente para garantir a manutenção da taxa básica de juros (Selic) nos atuais níveis civilizados, o que favorece a economia e as empresas (alguém aí falou em bolsa?).
Só que, para tudo isso acontecer, não tem jeito: todos nós precisaremos trabalhar por mais tempo. Uns mais e outros menos, dependendo basicamente da idade e do tempo de contribuição.
Aqui na redação do Seu Dinheiro, como somos relativamente jovens (o mais velho é este humilde escriba, com seus 41 anos), vamos pegar integralmente a “nova Previdência”, sem os benefícios da regra de transição. No meu caso, isso significa que precisarei contribuir por 40 anos e chegar aos 65 para ter direito à aposentadoria pelo teto do INSS.
E você, já sabe quando será o primeiro dia do resto da sua vida com a nova Previdência? A Julia Wiltgen preparou um pequeno roteiro com as principais mudanças previstas no projeto do governo para te ajudar a fazer os cálculos preliminares.
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Cavando as trincheiras
Se o tema da reforma monopolizou as conversas na nossa redação, imagine em Brasília. Entre os governistas e a oposição, nenhuma novidade: Maia elogiou a reforma, Alcolumbre sinalizou conversas com os parlamentares e lideranças de esquerda vieram com uma chuva de críticas. A grande dúvida estava mesmo na reação dos governadores ao texto, já que eles estão entre os principais articuladores dentro da Câmara e do Senado. Saiba tudo o que a classe política disse sobre a reforma.
Quatro horas depois
Concorde ou não com a reforma, é consenso que as regras propostas são complexas. Tanto que a entrevista coletiva da equipe do ministro Paulo Guedes para detalhar o texto levou quatro longas horas. Ainda assim, persistem as dúvidas sobre como será a articulação do governo com o Congresso, o que vai passar e o que vai ficar pelo caminho e se o famoso lobby de algumas categorias de servidores vai prevalecer. O Eduardo Campos, nosso infiltrado em Brasília, acompanhou de perto os bastidores da divulgação do projeto e fez uma análise especial sobre o que esperar daqui para frente.
Dia 51 de Bolsonaro - Reconhecendo o erro
Como política também se faz com gestos, o presidente Jair Bolsonaro fez dois movimentos relativamente importantes neste dia. Foi ao Congresso Nacional entregar pessoalmente o projeto da reforma da Previdência e disse que... (leia mais)
Faltou combinar com o Fed
Os olhos dos investidores no mercado financeiro também passaram boa parte do dia em Brasília. Quem esperava algum tipo de euforia com a entrega da proposta da reforma da Previdência certamente ficou decepcionado. O Ibovespa ficou bastante volátil, mas sempre perto do zero a zero, até o meio da tarde, quando a queda se consolidou. Alguma declaração equivocada de alguma autoridade do governo sobre a reforma? Nada disso. Foi a divulgação da ata da última reunião do BC americano que ajudou a azedar de vez o humor, como você pode ler na nossa cobertura de mercados.
Quer pagar quanto?
A Marina Gazzoni comentou na newsletter da manhã que a Via Varejo tropeçou (e feio) com mais um prejuízo no 4º trimestre de 2018, o segundo consecutivo. Então, a queda das ações da dona da Casas Bahia e Ponto Frio no pregão de hoje era uma bola mais que cantada. Mas a reação dos analistas de mercado aos números em geral não foi assim tão ruim, tendo em vista o tamanho da decepção. E eles têm um motivo claro: a perspectiva sobre o futuro da companhia. Veja como a Faria Lima reagiu ao balanço da varejista.
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