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Presidente da Câmara dos Deputados defendeu as mudanças na previdência, mas criticou as alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira, 18, que o Parlamento não tem "320 liberais", numa referência à quantidade de congressistas dispostos a votar a favor da proposta de emenda constitucional (PEC) de reforma da Previdência enviada pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo Maia, o convencimento dos parlamentares será uma "construção".
"Não temos 320 liberais no Parlamento brasileiro", afirmou Maia, ao discursar na abertura do seminário "Reforma da Previdência", promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.
O deputado não indicou quantos parlamentares seriam a favor da reforma. "É uma construção, mostrando que a agenda de reformas vai criar condições para que o Estado brasileiro volte a ter condições de investir na melhoria da qualidade de vida das pessoas", completou o presidente da Câmara, que classificou o debate sobre a reforma de "amargo".
O presidente da Câmara dos Deputados defendeu a reforma da Previdência, mas criticou dois pontos da PEC enviada pelo governo: em relação às mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural.
Segundo o deputado, "o governo criou confusão desnecessária no debate" por causa da forma como desenhou as mudanças tanto no BPC quanto na aposentadoria rural, pontos destacados por ele como objetos de "problemas e polêmicas".
Maia lembrou das resistências da sociedade em relação às mudanças nas regras previdenciárias. "Às vezes, estamos debatendo a (reforma da) Previdência e parece que estamos contra as pessoas. Os brasileiros, inclusive servidores públicos, muitas vezes atacam uma reforma que é a favor deles", afirmou o presidente da Câmara, completando que "nunca conseguimos mostrar qual a importância da reforma da Previdência".
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Ainda assim, Maia ressaltou a importância de se trabalhar pela aprovação da reforma, pois "construímos, nos últimos 30 anos, um Estado inviável de continuar existindo". "Ou a política reconstrói as despesas ou o divórcio da política com a sociedade será cada vez maior", disse o deputado, numa referência à incapacidade de o Estado atender demandas sociais dos cidadãos.
No fim do discurso, Maia fez um alerta sobre as consequências de a reforma não ser aprovada. Segundo o presidente da Câmara, se o sistema previdenciário quebrar, o governo federal será obrigado a "aumentar o endividamento", mas quando não tiver mais capacidade de colocar títulos da dívida no mercado, terá que "emitir moeda", o que levaria a economia brasileira de volta à "hiperinflação", que corroeria os salários, prejudicando especialmente os mais pobres.
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