Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O novo equilíbrio brasileiro ou (Paulo Guedes está certo)

Vamos falar do primeiro ponto: o dólar. Resumo: tudo absolutamente normal, em linha com o livro-texto e é bizarro que tenha se dado tanto alarde em cima de uma declaração. 

27 de novembro de 2019
10:56 - atualizado às 11:00
O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, concede entrevista coletiva.
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quando George Orwell escreveu suas “Notas sobre o nacionalismo”, o contexto era bem diferente. Estávamos em outubro de 1945, cerca de um mês depois do encerramento da Segunda Guerra Mundial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O caráter aparentemente atual do texto chega a arrepiar. A certa altura, temos algo assim, na minha péssima tradução livre: “Aqueles que reescrevem a história provavelmente acreditam com parte de suas mentes que eles efetivamente estão introjetando fatos no passado (…). Eles acreditam que sua própria versão dos fatos realmente aconteceu diante dos olhos de Deus e que têm assim justificativa para rearranjar as coisas em harmonia com ela”.

Há algo especialmente problemático com as finanças e os investimentos. O conjunto de análises, artigos, livros e estudos sobre o tema fingem-se de portadores de rigor científico quando, na verdade, costumam apenas atuar no nível do storytelling, ou seja, da construção de uma narrativa crível. A ciência está interessada naquilo que efetivamente é. Ou, nas palavras de Richard Feynman, pode ser definida como “um método para tentar responder perguntas que poderiam ser colocadas como ‘se eu fizer isso, o que vai acontecer?’”.

O storytelling apenas está interessado em construir uma história bonita, associando supostas causas e efeitos que a tornem palatável aos ouvidos do espectador. O problema com a economia, as finanças e o investimento é que eles não são muito suscetíveis ao escrutínio do “vou fazer este teste e ver o que vai acontecer”. Estamos fora do ambiente de laboratório e testes errados podem ter consequências bastante danosas — a criatividade e a invencionice da nova matriz econômica prova o argumento; o curioso teste custou-nos 16 milhões de desempregados.

Como muito bem resumiu Alberto Dines, há situações verossímeis que não são verdadeiras. E há situações verdadeiras que não são verossímeis. Uma história bonitinha e bem contada pode facilmente não corresponder à realidade. Incorremos com certa frequência em falácias da narrativa, sem qualquer apego à verdade, encontrando correlações espúrias e estabelecendo links causais onde há apenas aleatoriedade. Confundimos razão com racionalização, ciência com cientifização — e essas são coisas bem diferentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por décadas no Brasil, os economistas heterodoxos, autobatizados “desenvolvimentistas”, como se a eles pertencessem exclusivamente a capacidade de promover o desenvolvimento, um assunto que, claro, não interessaria aos ortodoxos liberais, resumiram os problemas macroeconômicos do país ao juro alto e ao câmbio muito apreciado. O juro alto seria, por evidente, um esforço dos rentistas, interessados em ver sua transformação marxista e fetichista do dinheiro em mais dinheiro (D-M-D’). Já o câmbio excessivamente apreciado teria motivações menos conhecidas e óbvias — quem sabe fosse o caso de esses seres maquiavélicos deliberadamente favorecerem as importações em prol do enriquecimento das matrizes dos empresários estrangeiros, mais bem representados pelo voraz capitalismo ianque.

Leia Também

Bom, a taxa básica de juros brasileira foi para a mínima histórica, em linha com civilizados padrões internacionais, e o câmbio marcou recorde nominal. E o que aconteceu com nosso parque industrial? Nada. Absolutamente nada.

Mas o pior não foi o desmonte do argumento típico dos economistas heterodoxos e, em geral, associados ao discurso da esquerda. Para mim, o ponto mais grave é que essa turma, sob aplausos de uma imprensa sensacionalista e desprovida de conhecimento técnico, agora critica a política liberal de Paulo Guedes, citando a desvalorização recente do real como sinal inequívoco das diretrizes macro do nosso ministro da Economia.

A situação ganhou contornos mais marcados com as recentes declarações de Paulo Guedes. A primeira delas ao se referir à necessidade de nos acostumarmos com um dólar mais alto. E a segunda no tal “não se assustem se alguém pedir o AI-5”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vamos falar de câmbio

Vamos falar do primeiro ponto: o dólar. Resumo: tudo absolutamente normal, em linha com o livro-texto e é bizarro que tenha se dado tanto alarde em cima da declaração.

Destarte, lembro que o valor da moeda é basicamente o inverso da inflação. Lição mais elementar de economia monetária: reais são trocados por coisas. Se as coisas ficam mais caras, o valor do real está caindo. Ora, se a inflação no Brasil é sistematicamente superior àquela dos EUA (de fato, é), é natural esperarmos uma tendência à desvalorização do real (alta do dólar) no tempo. Ou seja, não deveria ser surpreendente convivermos com recordes nominais para o câmbio em razoável frequência.

Além disso, mudamos o equilíbrio macro brasileiro — e entendo que, em termos líquidos, para melhor. Aqui basta recorrer à chamada “interest rate parity”, ou paridade câmbio-juro. O juro de equilíbrio num determinado país com conta de capital aberta (como o Brasil) é dado pelo juro internacional, mais o prêmio de risco-Brasil e a expectativa de desvalorização cambial. De maneira mais intuitiva, como os juros aqui sempre foram muito altos, éramos um destino óbvio do “carry trade” — investidores tomavam dinheiro emprestado no exterior a juros baixos e vinham aplicar aqui a juros muito mais altos. Essa entrada de moeda estrangeira pela conta de capital valorizava nosso real. Agora, a dinâmica histórica foi interrompida, quem sabe até invertida. Com a Selic em torno de 5% ao ano, deixamos de ser destino do capital especulativo internacional, sendo, inclusive, em determinados casos, fonte de financiamento para se aplicar em outros países emergentes cujas taxas de juro são maiores.

Em reforço, com juros mais baixos e civilizados, empresas brasileiras que historicamente se endividaram no exterior podem agora fazê-lo em moeda local. Esse é outro motivo em prol de uma taxa de câmbio mais depreciada, porque não há mais captações externas e existe uma demanda por dólares para pagamento de dívidas no exterior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Robert Mundell e seu trilema impossível já nos provaram a incapacidade de qualquer país ter conta de capital aberta, controlar juro e câmbio ao mesmo tempo. O real mais depreciado é consequência natural da excepcional conquista de juros baixos no Brasil. Claro que há efeitos negativos também. A economia é feita de trade offs e existem grupos perdedores no processo. Uma moeda fraca tem como desdobramento eventual pressão sobre a inflação e deterioração da margem dos importadores. Em contrapartida, os juros mais baixos estimulam consumo e investimento e beneficiam endividados, enquanto o dólar mais fraco ajuda nas exportações.

O equilíbrio atual me parece, em termos líquidos, bem melhor do que o anterior. Ele é absolutamente alinhado à prescrição do livro-texto e não há qualquer motivo para alarde ou surpresa nas acertadas palavras de Paulo Guedes a respeito. Ao mesmo tempo, não tomemos, como tentou fazer parte do mercado ontem, a afirmação do ministro como uma espécie de “licença para matar”, como se, diante do novo equilíbrio, o dólar pudesse subir indefinidamente, em qualquer velocidade e para qualquer nível.

Embora o regime seja de câmbio flutuante, todo banco central guarda, em maior ou menor grau, o chamado “fear of floating”, o medo de uma volatilidade excessiva na taxa de câmbio. Subidas muito rápidas, flutuações além daquelas razoáveis (em linha com os fundamentos estruturais e/ou com a movimentação de outras moedas emergentes), disfuncionalidades por falta de liquidez ou procura súbita por hedge geram quase necessariamente a intervenção do banqueiro central. Um câmbio muito volátil retira previsibilidade de exportadores, importadores e investidores, machuca quem tem dívida em dólar, inibe a entrada de capital, pois aumenta a incerteza sobre o nível do câmbio lá na frente, quando o investidor for sair.

Dizer que devemos nos acostumar com um dólar mais alto não significa dizer que aceitaremos qualquer coisa. Tudo precisa estar dentro da razoabilidade. A atitude do Banco Central ontem ao atuar duas vezes no câmbio e a declaração de Roberto Campos Neto de que manterá as intervenções caso sigam as disfuncionalidades na relação entre real e dólar estão rigorosamente em linha com essa construção e em nada confrontam o ministro Paulo Guedes. Ao contrário, conseguiram conter um pouco da desvalorização cambial e devolver um pouco da desejada razoabilidade às coisas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E o AI-5?

Já em relação às manifestações de Paulo Guedes mencionando o AI-5, um brevíssimo comentário. Talvez tenha sido uma atitude não tão feliz citar o termo. Poderia ser evitado, em especial diante de uma imprensa pronta para fazer um escândalo a respeito e um exército das hienas do tio Scar no Parlamento ávido por aproveitar qualquer pequeno deslize para rotular o governo de ditador. Mas não há nada material ali. Guedes fazia, na verdade, um apelo à moderação, criticando a tentativa do ex-presidente Lula de inflamar as massas num momento de protestos na América Latina — o que inclusive pode ter atrasado nossa plataforma de reformas, sob o potencial risco de se trazerem manifestações populares e fortalecer o discurso da esquerda.

Qualquer um que já conversou com Paulo Guedes ou acompanha mais de perto sua trajetória sabe de sua insistência em associar o Brasil a uma sociedade aberta e a uma democracia liberal. Aqueles com cabelo branco ou, como eu, já sem cabelos talvez possam se lembrar da proximidade da turma do Pactual nos anos 1990 do investidor George Soros (o “P”, de Pactual, vem de Paulo Guedes). Soros é também um grande defensor das sociedades abertas, como um bom discípulo de Karl Popper. No final do dia, o que falta a essa gente escandalosa é um pouco de espírito científico e falseacionismo popperiano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O TSE EXPLICA

Mito ou verdade? Saiba se a regra dos 50% de votos nulos cancela uma eleição

28 de março de 2026 - 16:45

O equívoco nasce de uma leitura imprecisa do artigo 224 do Código Eleitoral. O texto menciona, de fato, a necessidade de novas eleições caso a “nulidade” atinja mais da metade dos votos

ELEIÇÕES 2026

Lula lidera entre eleitores de centro, mas cenário é de empate técnico no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, segundo Datafolha

28 de março de 2026 - 11:35

Apesar da vantagem numérica do petista no primeiro turno entre os moderados, a disputa se acirra em uma eventual rodada decisiva

AUXÍLIO-AUXÍLIO

STF veta auxílio-moradia, auxílio-panetone, auxílio-peru e auxílio-iPhone, mas a lista de penduricalhos agora vetados prima pela criatividade

26 de março de 2026 - 16:23

Decisão do STF limita verbas indenizatórias, suspende auxílios e tenta conter supersalários, embora preserve margem para penduricalhos na magistratura

MAIS UM NA LISTA

Cláudio Castro se torna o 7º ex-governador do RJ a ficar inelegível; entenda a decisão do TSE e relembre os casos de prisões, cassações e impeachments no estado

25 de março de 2026 - 16:31

A pena estipulada pelo TSE foi de 4 anos, retirando o ex-governador da corrida eleitoral deste ano e de 2030

MUDANÇA NO COMANDO

Quem é Dario Durigan: o “técnico” que pode substituir Haddad na Fazenda

11 de março de 2026 - 20:02

Atual secretário-executivo da Fazenda tem perfil mais técnico e pode assumir a pasta com o desafio de tocar a agenda econômica em ano eleitoral

A BANDEIRA DE LULA

Isenção do imposto de renda beneficiou 31% dos eleitores, segundo pesquisa Genial/Quaest

11 de março de 2026 - 18:00

Além do efeito da bandeira do governo Lula na renda, levantamento mostra que a violência permanece no topo das preocupações dos entrevistados

CUIDADO, ELEITOR!

De olho na IA nas eleições, TSE fixa regras contra deepfakes; saiba como denunciar

10 de março de 2026 - 19:29

Especialistas apontam que a observação detalhada da face e do áudio é o primeiro filtro de segurança, mas não é o único

AMIGOS?

O que Daniel Vorcaro conversava com Alexandre de Moraes? Veja as conexões encontradas no celular do banqueiro

6 de março de 2026 - 17:42

Investigação da PF encontra mensagens do ministro do STF no WhatsApp do banqueiro que apontam para uma relação de pelo menos dois anos

INAUGURAÇÃO OFICIAL

Haddad é responsável pelo equilíbrio da economia, diz Lula no pontapé da campanha em São Paulo

3 de março de 2026 - 19:27

Ex-governador de São Paulo e nome forte no Estado, Geraldo Alckmin também foi lembrado com elogios por Lula pela nova política da indústria brasileira

ESQUENTA

Lula e Flávio Bolsonaro têm empate técnico no primeiro turno das eleições, e pressão para Haddad concorrer ao governo de SP aumenta

27 de fevereiro de 2026 - 11:04

Os dados mostram também o filho de Jair Bolsonaro numericamente a frente de Lula no segundo turno, apesar da igualdade técnica entre ambos

CORRIDA PRESIDENCIAL

Vantagem de Lula cai ao menor nível contra Flávio Bolsonaro, mas presidente ainda lidera no 1º turno, diz Atlas/Bloomberg

25 de fevereiro de 2026 - 10:14

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra Lula ainda à frente de Flávio Bolsonaro e Tarcísio no primeiro turno, mas com a menor vantagem da série histórica contra o senador. No segundo turno, cenário indica empate técnico com o filho do ex-presidente e desvantagem contra o governador paulista

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Flávio Bolsonaro encosta em Lula no 2º turno; desaprovação do presidente segue acima de 50%, diz Meio/Ideia

4 de fevereiro de 2026 - 11:11

O avanço do senador nas intenções de voto para as eleições 2026 ocorre em um momento em que a avaliação do governo Lula segue pressionada

CRISE NOS PODERES

Senadores protocolam pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli por conduta no caso do Banco Master

15 de janeiro de 2026 - 11:19

O magistrado é acusado de crime de responsabilidade, suspeição e conflito de interesses na condução do inquérito que apura as fraudes bilionárias

ELEIÇÕES 2026

Lula lidera todos os cenários da eleição presidencial, aponta pesquisa Genial/Quaest; candidatura de Flávio Bolsonaro é vista como erro por maioria

14 de janeiro de 2026 - 13:55

Levantamento mostra Lula à frente em todas as simulações, enquanto a avaliação de seu governo segue em empate técnico, com 49% de desaprovação e 47% de aprovação; confira quem tem mais chances no embate contra o petista

CORRIDA ELEITORAL

Pesquisa Meio/Ideia mostra Lula líder em 2026: petista vence Tarcísio e Flávio nos dois turnos, mesmo com 40% de rejeição

13 de janeiro de 2026 - 16:08

Apesar da rejeição elevada, Lula mantém vantagem sobre Tarcísio, Flávio, Michelle e outros adversários em todos os cenários; levantamento mostra o petista com 40,2% no primeiro turno e vitórias apertadas no segundo

CLUBE DO LIVRO

Ler liberta? Quanto tempo de pena Bolsonaro conseguiria reduzir tornando-se um leitor voraz

9 de janeiro de 2026 - 11:10

Bolsonaro pede ao STF para entrar em programa de leitura para redução de pena. Veja como funciona o sistema por meio do qual o ex-presidente tenta reduzir tempo de reclusão

TOUROS E URSOS #255

Lula 3 faz 3 anos: o saldo de altos e baixos do governo petista e a sombra do “efeito Maduro” para as eleições

7 de janeiro de 2026 - 14:25

Erich Decat, analista político da Warren, faz um balanço da gestão Lula 3 no podcast Touros e Ursos, e comenta os impactos da queda de Nicolas Maduro nas eleições brasileiras

DE OLHO NA FRONTEIRA

Itamaraty divulga nota sobre ataque na Venezuela após reunião com presidente Lula; entenda os impactos da operação para o Brasil

3 de janeiro de 2026 - 16:12

Até o momento, não há notícias de brasileiros entre as possíveis vítimas dos ataques dos EUA ao país vizinho

ELEIÇÕES 2026

Estilo Tarcísio? Flávio Bolsonaro adota agenda liberal para conquistar o mercado; veja as propostas

22 de dezembro de 2025 - 15:54

Em entrevista à agência Reuters, o senador falou em corte de gastos, privatizações e governo “enxuto”

NO FECHAR DAS CORTINAS

Congresso aprova Orçamento de 2026 com cortes em despesas obrigatórias e mais dinheiro para emendas

19 de dezembro de 2025 - 16:49

Previdência e seguro‑desemprego têm redução, enquanto emendas somam R$ 61 bilhões em ano eleitoral; texto vai ao plenário e pode ser votado ainda nesta sexta-feira (19)

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia