Menu
2019-08-30T14:12:15-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
crise dos hermanos

Argentina pode chegar às eleições sem nenhum dólar de reserva

Governo Macri já queimou US$ 223 milhões das reservas internacionais e diz que dispõe de US$ 57 bi, mas estimativas do merado apontam que só US$ 13 bi são reservas líquidas

30 de agosto de 2019
14:08 - atualizado às 14:12
Mauricio Macri argentina
Imagem: Shutterstock

Se mantiver o ritmo atual de leilão de dólares, o governo de Mauricio Macri, na Argentina, chegará às eleições, em 27 de outubro, sem nenhuma moeda americana de reserva.

O Executivo queimou US$ 223 milhões das reservas internacionais para conter a disparada da moeda americana, no dia seguinte ao anúncio de adiamento dos pagamentos da dívida de curto prazo. A moeda então fechou em queda de 0,17%, cotada a 57,88 pesos.

Apesar de anunciar que as reservas chegam a US$ 57 bilhões, o governo não dispõe de todo esse volume. Estimativas do mercado apontam que apenas US$ 13 bilhões são reservas líquidas. Isso porque os argentinos podem abrir contas bancárias em dólares no país.

Nesse caso, seus recursos não são emprestados e ficam depositados no Banco Central, como um compulsório. Outra parte das reservas é proveniente de um acordo feito com a China e corresponde a yuans que só podem ser usados para fins comerciais.

Por isso, na quarta-feira, com as reservas minguando, Macri teve de optar entre usá-las para pagar dívida de curto prazo ou para manter a cotação do peso. Optou por segurar a cotação do dólar, já que, em um país onde aqueles que podem poupam em dólar, uma maior desvalorização da moeda traria ainda mais risco político.

Tensão pré-eleição

A situação da liquidez argentina de curto prazo vem se agravando desde o início do segundo trimestre, quando o mercado, preocupado com a possibilidade de a chapa kirchnerista vencer as eleições, começou a cobrar juros mais elevados (o patamar subiu de uma média de 3% para 7% em dólar) do governo para manter os títulos.

Para não pagar esse juro, o governo passou a focar na venda de títulos que venceriam antes das eleições, para os quais o mercado aceitava taxa de remuneração menor. A aposta era que, se reeleito, ele conseguiria renovar esses títulos posteriormente pagando juros menores.

Em 12 de agosto - após a chapa da oposição, composta por Alberto Fernández e Cristina Kirchner (candidata a vice), derrotar por 15 pontos de diferença Macri nas eleições primárias -, a maior parte do mercado não quis renovar os papéis vendidos pelo governo argentino. Tida como mais intervencionista, a chapa kirchnerista é mal vista pelos investidores financeiros.

Rolagem

Antes das primárias, o governo conseguia rolar 88% da dívida de curto prazo - a maior parte desses papéis com vencimento anterior as eleições.

Na terça-feira, esse número caiu para 5%. “O governo não previa uma derrota tão grande nas primárias e não imaginou que essa bomba estouraria no seu colo”, diz uma fonte do mercado financeiro brasileiro que acredita ser grande a possibilidade de as reservas financeiras secarem.

A preocupação é que, com o anúncio de um “calote seletivo” na quarta-feira, parte da população corra para sacar seus dólares.

Uma fonte argentina, porém, afirmou que Macri poderá negociar com a China a liberação dos US$ 18 bilhões em yuans que fazem parte das reservas. Há ainda a possibilidade de o Fundo Monetário Internacional liberar US$ 5 bilhões em setembro, o que está em análise pelo órgão.

Nesta quinta-feira, 29, antes da abertura do mercado, Macri afirmou que faltavam 59 dias para as eleições e que não depende apenas dele o que pode ocorrer até lá. A fala repercutiu mal. Seu oponente, Fernández, rebateu dizendo que parecia que Macri estava contando os dias para o fim do mandato.

No fim do dia, a agência classificadora de risco S&P rebaixou a nota da dívida da Argentina para SD (default seletivo), ou seja, considera que o país está dando um calote seletivo.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo. 

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

FECHAMENTO

Ibovespa engata segunda alta consecutiva, mas tempo segue fechado em Brasília

O Orçamento segue empacado e a situação fiscal preocupa, mas NY e as commodities vieram para salvar o dia e fazer o Ibovespa fechar a sessão no azul

Clássicos repaginados

Hasbro se une à plataforma de games Roblox para lançar novos produtos

A gigante dos brinquedos anunciou uma série de itens das linhas Nerf e Monopoly em parceria com a novata Roblox

Bom momento

Construtoras apresentam prévias operacionais fortes, apesar de restrições por causa da pandemia

Apesar dos lançamentos fracos, Cyrela viu crescimento nas vendas líquidas em comparação ao mesmo período do ano anterior; Direcional e Moura Dubeux bateram recordes de vendas

Siri entregou a data

Vem aí um novo iPad? Apple deve lançar novos modelos em evento na próxima semana

A previsão é que o encontro, que será virtual e em 20 de abril, também revele novidades sobre a próxima geração de Airpods

Fim do impasse?

Governo prepara PEC para destravar gastos e finalizar discussão do Orçamento

Texto permitiria despesas com obras patrocinadas por parlamentares e renovação de programas governamentais

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies