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Estatais não são confiáveis. Monopólios, menos ainda. Monopólios estatais, simplesmente um terror.
Isso aconteceu há mais ou menos 45 anos. Meu filho do meio chegou em casa recitando o seguinte verso, que aprendera àquele dia no Jardim de Infância:
"No vermelho, perigo. No verde, pode passar. O amarelo é nosso amigo. Aconselha a esperar."
Ao sustar, no dia 11 de abril, um aumento de 5,74% no preço do óleo diesel, praticado pela Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro acendeu uma luz amarela para os acionistas, ou para aqueles que pretendiam comprar papéis da estatal.
Amarelo é sinal alerta, mas não de pânico. E, num passado não tão distante, a situação da estatal já foi pior. Muito pior. Em certo momento, o sinal era “vermelho perigo”, tal era o rombo na empresa. Nem balanço ela conseguia publicar. Os auditores externos se recusavam a legitimar as contas.
Calcula-se, por baixo, que R$ 6 bilhões foram desviados por funcionários de seu alto escalão e por políticos dos mais diversos partidos. O que jamais poderá ser estimado é quanto a Petrobras perdeu, e deixou de ganhar, em função dos negócios espúrios que geraram esse rombo: obras superfaturadas, compra de uma refinaria (Pasadena) obsoleta no Texas, projetos parados como o do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), em Itaboraí, e da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, este último uma parceria do Brasil com (dá vontade de chorar) a Venezuela, para a qual os bolivarianos não compareceram com um centavo sequer. Esse era, portanto, um caso típico de sinal vermelho.
Só que, sendo a empresa controlada pelo estado, os investidores mais experientes sabiam que não quebraria. Por duas razões: é impossível roubar os lençóis petrolíferos nas profundezas do pré-sal; se o caixa zerasse, o Tesouro (leia-se, o contribuinte) compareceria com o aporte necessário.
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Por ser uma estatal, estou dizendo que só vale a pena comprar Petrobras quando a companhia está em situação difícil, ou até desesperadora. E, por conseguinte, com os preços depreciadíssimos. É mais ou menos isso.

Até que teve. Pôs em prática um sistema de reajuste de preços de combustíveis baseado numa conta aritmética elementar: cotação do barril de petróleo no mercado internacional, multiplicada pelo valor do dólar frente ao real.
Veio então a greve de caminhoneiros, precedida em quase um ano pela divulgação da conversa gravada de Michel Temer com o empresário Joesley Batista, aquela do “Tem que manter isso, viu?”.
Propina praticamente provada, transporte rodoviário parado, ameaça de colapso no abastecimento… Só restou a Temer proibir a Petrobras de aumentar o preço do diesel. Pedro Parente pulou fora.

Castello teve liberdade total para conduzir a política de preços da empresa. Sinal verde. Certo? Errado!
Para se entender por que a direção de uma estatal não pode praticar o preço justo é só raciocinar pelo exagero. Imaginemos que em pleno período de crescimento pífio que o Brasil está vivendo haja uma crise internacional e o petróleo suba a 100 dólares o barril.
Pedro Parente iria acompanhar? Não.
Roberto Castello Branco iria acompanhar? Não.
Roberto Campos, o gênio de A Lanterna na Popa, se vivo fosse iria acompanhar? Não.
Portanto, quando o sinal está parecendo verde, finja que é daltônico e venda ações da Petrobras. Porque logo vai amarelar, isso se não acontecer uma desgraça e descer logo para o vermelho.
Alguém se lembra da invasão do Kuwait pelo Iraque? Ou o caro leitor é muito jovem para isso. Eu, por outro lado, já tinha meio século de idade e 32 anos de mercado.
Estatais não são confiáveis. Monopólios, menos ainda. Monopólios estatais, simplesmente um terror.
Não é só no Brasil. John Davison Rockefeller era o homem mais rico dos Estados Unidos. Sua empresa, a Standard Oil Company, só não detinha o monopólio da produção, transporte, refino e distribuição de derivados de petróleo porque não queria.
Era mais confortável, e menos suscetível a críticas, ter alguns concorrentes. Desde que, e esse era o pulo de gato de Rockefeller, ele pudesse usar seu poderio para diminuir o preço de custo de seus produtos e aumentar os dos competidores.
“Você mai me dar um desconto de dez por cento no frete”, John D. dizia para o diretor de uma ferrovia. ”Mas como? Eu trabalho na linha de corte. Se baixar o preço vou ter prejuízo.?” “Quem falou em prejuízo?”, argumentava Rockefeller. “Você vai diminuir o meu em dez e aumentar o dos outros em vinte. Seu lucro vai crescer.”
Repetindo: como se pode perceber, estatização e monopólio não são os melhores modelos para o negócio de petróleo. E a Petrobras tem os dois. Pior, é dirigida de fora. Será manipulada por interesses políticos, quando não escusos, com a mesma volúpia com que John D. Rockefeller usava para obter lucros obscenos.
Isso até a a Suprema Corte dos Estados Unidos, em 1911, baseada nas leis antitruste, decidiu que a Standard Oil fosse fatiada em 34 companhias diferentes. Não, eu não digitei errado. Foram trinta e quatro.
Portanto, fora algumas oportunidades esporádicas, a Petrobras jamais fará jus a um sinal verde de fato. Isso só poderá acontecer após ser privatizada e fatiada. Aí o caminhoneiro não terá contra quem fazer greve. Por outro lado, poderá comprar seu diesel no posto de abastecimento que vende mais barato, posto esse que pode praticar esse preço porque conseguiu uma pechincha pesquisando entre as diversas refinarias independentes. E estas dos perfuradores com menor custo de produção.
Entre todas essas empresas, exploradoras, refinadoras, distribuidoras, varejistas, umas exibirão sinal verde. Outras, amarelo. Sobrarão algumas com vermelho.
É curioso como economia é uma ciência simples. Não precisa ser um Posto Ipiranga para entendê-la. Nem se debruçar sobre mil equações matemáticas. Basta ser dotado de um pouco de lógica rodriguiana para compreender o óbvio ululante.
O momento é de sinal amarelo, que é nosso amigo e aconselha a esperar.
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