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Petrobras prepara operação para vender até 30% da BR Distribuidora

Avaliada em R$ 27,3 bilhões, o equivalente a R$ 20 bilhões da BR Distribuidora pertence Petrobras; estatal quer vender 30%

11 de abril de 2019
7:34 - atualizado às 12:16
Prédio da Petrobras no Rio de Janeiro, PETR4
Fachada da Petrobras (PETR4). - Imagem: Shutterstock

Petrobras prepara operação para vender até 30% de sua participação na BR Distribuidora. A petroleira está em conversas avançadas com bancos e investidores financeiros para se desfazer de sua fatia por meio de emissão de ações (“follow on”), na B3, bolsa paulista.

Com o negócio, a estatal reduziria sua participação dos atuais 70% para 40% da companhia, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A BR Distribuidora é a maior empresa de postos de combustíveis do País, avaliada em R$ 27,3 bilhões. A Petrobras tem uma participação na BR Distribuidora que equivale a cerca de R$ 20 bilhões, pela cotação de quarta na B3.

A expectativa é levantar algo em torno de R$ 8 bilhões com a operação, segundo a reportagem.

A Petrobras confirma parte da história. Em resposta a ofício da Secretaria de Acompanhamento de Empresas da B3 e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre notícia desta quinta-feira, 11, do jornal O Estado de S. Paulo, a empresa admite que "iniciou estudos", sem especificar o porcentual da fatia a ser negociada.

A companhia diz que avalia "diversos modelos" de venda junto com as instituições financeiras contratadas, entre as quais possível oferta pública de ações ("follow on").

"Contudo, ainda não há deliberação pelos órgãos internos da Companhia acerca da quantidade da participação a ser negociada, da estrutura ideal da transação ou mesmo acerca da sua efetiva realização, o que dependerá das condições de mercado e do seu reposicionamento estratégico no setor", esclarece a Petrobras.

Potenciais investidores

De acordo com a reportagem do jornal, pelo tamanho da oferta, a empresa está em busca de um investidor para ancorar a compra de ações no mercado. O fundo americano BlackRock foi apontado como um dos potenciais investidores financeiros nesta operação. Ou seja, ele garantiria a compra de uma fatia da oferta de ações da BR Distribuidora.

Segundo essas fontes ouvidas pelo jornal, o anúncio da operação ao mercado pode ser feito nas próximas semanas com conclusão do negócio ainda neste semestre.

No momento, a estatal está alinhando a modelagem de venda com órgãos reguladores e o Tribunal de Contas da União (TCU) para não ter nenhuma surpresa de última hora. No ano passado, a Justiça suspendeu o processo de venda do gasoduto TAG, que só foi retomado neste ano depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a operação. Mas, como a BR já é listada na bolsa de valores, fontes acreditam que não haverá problema.

Em dezembro de 2017, a BR Distribuidora protagonizou a maior operação de mercado ao levantar R$ 5 bilhões na abertura de capital (IPO, na sigla em inglês). A operação foi considerada a maior desde 2013, quando o BB Seguridade captou R$ 11 bilhões.

Em alta

Líder em distribuição de combustíveis no País, a BR Distribuidora encerrou o ano passado com receita líquida de R$ 97,7 bilhões, com aumento de 15,6% sobre 2017. O lucro líquido da empresa foi de R$ 3,2 bilhões no mesmo período. Procuradas, Petrobrás, BR Distribuidora e BlackRock não comentaram o assunto.

A venda da participação da Petrobrás na distribuidora de combustível faz parte de um amplo plano de desenvolvimento iniciado ainda sob a gestão do executivo Pedro Parente para reduzir as dívidas da companhia. A meta é se desfazer de cerca de US$ 27 bilhões até 2022.

Há ainda uma lista de ativos que está na cesta de vendas da petroleira. Entre eles, a participação da estatal na Braskem, empresa petroquímica, que tem a Odebrecht como outro importante acionista do negócio. A operação está sendo negociada com a holandesa LyondellBasell e pode ser concluída ainda neste semestre.

Mais três gasodutos

A Petrobrás está preparando a venda de mais três gasodutos depois de levantar US$ 8,6 bilhões (R$ 33 bilhões) com o repasse do controle da TAG à francesa Engie, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

O conjunto de gasodutos, consideravelmente menores do que os da TAG, podem ser avaliados em mais de US$ 3 bilhões somados, segundo uma fonte. A Petrobrás contratou uma unidade do banco de investimento Credit Suisse para vender os ativos, que conectam a área do pré-sal na Bacia de Santos à infraestrutura terrestre.

Conhecidas como Rota 1, Rota 2 e Rota 3, as três unidades têm cerca de 1 mil quilômetros de extensão que partem da Bacia de Santos para a costa.

Antes da venda da TAG, a Petrobrás já havia negociado 90% da unidade de gasodutos Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por mais de US$ 5 bilhões, em 2016, para um consórcio liderado pela canadense Brookfield.

*Com Estadão Conteúdo

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