Paulo Guedes: Algo está falhando entre nós
Ministro fala brevemente sobre articulação política em audiência no Senado e disse o que o levaria a abandonar o barco

O ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre articulação política, sua ausência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a aprovação pela Câmara dos Deputados de um PEC que aumenta a rigidez orçamentária.
Segundo Guedes, o governo tem atuado como um opositor de si mesmo. “Algo está falhando entre nós”, disse. Mas antes, rendeu homenagens ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que “está sendo construtivo com relação a minha pessoa”.
Para o ministro, há um choque de acomodação de quem está chegando e “não sabe onde está a cadeira”, com aqueles que já estão “aqui dentro” e falam que tem de conversar “com quem está na janela”.
Sobre a PEC, Guedes foi interpelado pelos senadores por duas vezes. Da primeira vez, foi meio tímido, falando que estava chegando agora e que os senadores entendiam mais dessa coisa.
Depois foi direto ao ponto, dizendo que “o que aconteceu ontem foi uma demonstração de poder de uma casa. Não consigo entrar nesse espaço. Mas houve uma exibição de poder político”.
Segundo Guedes, a Câmara mandou um recado para o governo, que tem uma reforma importante, a reforma da Previdência, que poderia ser votada em um dia só, em seus dois turnos.
Do ponto de vista econômico, Guedes voltou a dizer que defende verbas descentralizadas e carimbadas, mas que não pode se opor à decisão dos deputados que estão querendo “um dinheirinho para a base dele”.
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Guedes fez uma grande defesa de seu projeto de desvincular e desindexar receitas, dando protagonismo para os políticos em alocar as verbas e não ficarem felizes com um “balãozinho” de emendas impositivas.
Ele também falou sobre o não comparecimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Guedes disse que também tomou um susto, pois foi convocado para um lugar “que não tem relator, todo mundo preparado para te jogar pedra e seu partido também”.
Eu fico!
Sobre sua eventual saída, o ministro disse acreditar em uma dinâmica virtuosa da democracia, “cada um vai fazer seu papel” e que se o presidente apoiar as coisas que podem servir para o Brasil “eu estarei aqui”.
“Agora se o presidente ou a Câmara não quiserem, eu vou voltar para onde sempre estive”, disse. “Será um prazer ter tentado.”
Guedes disse que não vai brigar “para ficar aqui”, que não tem apego ao cargo, mas que também não tem a irresponsabilidade de sair na primeira guerra.
A audiência teve alguns embates, mas nada fora da normalidade. Guedes rebateu as colocações do senador Rogério Carvalho (PT-SE) que falou sobre a ideologia do governo, dizendo ser pragmático e que a reforma defende os mais pobres.
Enquanto defendia a proposta e dava o exemplo de que políticos se aposentam com 20 vezes o salário médio do trabalhador, Guedes se desentendeu com a senadora Katia Abreu (PDT-TO) que queria falar. Guedes disse “você vai deixar eu falar?” e teve início uma confusão que acabou mediada pelo presidente da CAE, Omar Aziz (PSD-AM) pedindo respeito e falando que Guedes não poderia mandar senador calar a boca. Depois, Guedes se desculpou e disse que apenas queria defender seu tempo de fala.
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