O que dirá Paulo Guedes em Davos?
Ideia é atualizar as perspectivas com relação ao futuro do Brasil, transmitindo a imagem de uma democracia vibrante e que funciona bem

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vai tratar de três temas nas suas reuniões no Fórum Econômico Mundial: reforma da Previdência, privatizações e reforma administrativa.
Segundo uma fonte do Ministério da Economia, que também viaja para o encontro em Davos (Suíça), entre os dias 22 a 25, a ideia principal é mostrar que o novo governo vai diminuir a importância e o peso relativo do Estado na economia brasileira. Ou, de forma mais coloquial, “tirar o Estado do cangote do empreendedor brasileiro”.
Essa agenda, centrada em três pontos, é vista como a “terraplenagem” do sistema macroeconômico, algo necessário para tornar o ambiente propício ao crescimento da economia.
Também será apresentada uma agenda de “construção do futuro” ou uma “conexão de alta velocidade entre o Brasil e seu futuro”.
Dentro dessa parte, está a meta de dobrar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos próximos quatro anos. Para dar uma base de comparação, Coreia do Sul tem investimentos de 4,5% a 5% do PIB.
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A avaliação é que esse aumento será possível pela diminuição do papel relativo do Estado, principalmente via a redução da carga tributária. Hoje, os impostos representam de 36% a 37% do PIB. A ideia do governo é reduzir em cerca de 10 pontos percentuais, liberando um “estoque de recursos para os empreendedores fazerem seus investimentos”. A possibilidade de redução de impostos advém, justamente, da agenda de "terraplenagem".
Outra “agenda de futuro” é ampliar a fatia do comércio internacional em proporção do PIB, com meta de elevar a corrente de comércio de 20% a 25% do PIB, atualmente, para 30% até o fim do governo. Os motes são: facilitação de comércio, convergência regulatória, modernização da estrutura tarifária e inserção competitiva coordenada.
Guedes também externará a intenção do governo de ampliar os acordos internacionais e ecoar a mensagem do presidente Jair Bolsonaro quanto à disposição de fazer negócios sem viés ideológico.
Antes de falar sobre todos esses temas, Guedes vai explicar as razões que levaram o país a cair na “armadilha do baixo crescimento” e o “filme tenebroso dos anos 1980”, com crise de endividamento e hiperinflação. Aqui entram as boas frases do ministro contra o capitalismo de compadrio, o dirigismo econômico, os piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político. Seu discurso de posse servirá de base.
Além do evento aberto sobre o momento atual e futuro do Brasil, junto com Bolsonaro e Sergio Moro (Ministro da Justiça), Guedes terá uma série de encontros com organismos internacionais, como FMI, Banco Mundial e OMC. Também há agendas bilaterais com ministros de outros países, com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, fundos soberanos, fundos de investimento e líderes empresarias dos setores de infraestrutura e tecnologia.
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