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Na polêmica do teto

Guedes diz que governo e Congresso estão prontos para resolver o problema fiscal

Ministro da Economia não citou a polêmica recente envolvendo a flexibilização ou não do teto de gastos

Paulo Guedes
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Edu Andrade/ASCOM/Ministério da Economia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que o governo e o Congresso estão prontos para "resolver o problema" fiscal do País. Sem citar a polêmica recente envolvendo a flexibilização ou não do teto de gastos, ele disse que o Brasil é um "caso clássico de descontrole de gastos por 40 anos".

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"Estamos prontos para resolver problema e, pela minha experiência, o Congresso está pronto para resolver o problema", disse.

Para o ministro, os congressistas "entenderam a armadilha em que caíram" e estão com um diálogo maduro sobre a necessidade de reformas fiscais no País. "A armadilha do gasto obrigatório encurralou a classe política inteira", disse.

Ele criticou os altos salários de servidores e citou o gasto com pessoal como um dos que pressionam as despesas discricionárias, que incluem o custeio da administração e os investimentos. "Você tem altos salários, estabilidade. Você vive em Brasília, é outro planeta. É Versalhes", afirmou Guedes, referindo-se ao palácio símbolo da corte francesa.

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O ministro disse que o País passou muito tempo no passado combatendo os sintomas do problema de excesso de gastos - manifestados na hiperinflação -, mas acabou adotando "inovações" que indexaram o orçamento e dificultaram o ajuste. Por isso, segundo ele, o País ainda precisa controlar despesas e descentralizar recursos.

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Só lamentos

Guedes falou ainda sobre a tramitação da reforma da Previdência no Senado. Disse lamentar a desidratação adicional sofrida pelo texto. A principal mudança aprovada na quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é a revinculação das pensões por morte ao salário mínimo, drenando R$ 35 bilhões da economia esperada com a proposta.

Ele demonstrou ainda temer que os congressistas promovam novas flexibilizações por meio da proposta "paralela", feita para promover ajustes sem atrasar o cronograma da reforma. "Agradeço a Tasso (Jereissati, relator da reforma) por incluir Estados e municípios na reforma. Claramente lamento a desidratação do texto original, mas entendo", disse.

O ministro acrescentou que lamenta "tecnicamente", porque apoia a reversão da desoneração previdenciária de algumas instituições filantrópicas. Guedes classificou algumas delas de "pilantrópicas".

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"Mas obviamente bondades serão aprovadas e maldades não (na PEC paralela). Aí amplia o buraco mais um pouquinho (na economia da reforma)", resignou-se o ministro. Apesar disso, ele demonstrou otimismo com a possibilidade de o Senado "recompor a estrutura básica" necessária à reforma.

Guedes classificou como "decisiva" a inclusão de Estados e municípios na reforma e disse ainda que a migração para um regime de capitalização no futuro é essencial. "Ou vai para capitalização, ou a cada 5 anos vai ter que fazer o que fizemos agora (reforma)", afirmou.

*Com Estadão Conteúdo.

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