Menu
2019-04-04T13:56:01-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Risk-On

Para gestores, reforma da Previdência é aprovada em 2019 e Brasil recupera grau de investimento

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch também mostra otimismo com alta do Ibovespa e avaliação de dólar abaixo de R$ 3,60 no fim de 2019. Pesquisa global, no entanto, fala em estagnação e menores lucros corporativos

16 de janeiro de 2019
11:30 - atualizado às 13:56
Bull-Bovespa touro
Imagem: Andrei Morais / Montagem/Shutterstock

O Bank of America Merrill Lynch apresentou uma nova rodada de sua pesquisa com gestores e o título diz: “Brasil: hora de brilhar”. Para 91% dos pesquisados, a reforma da Previdência será aprovada neste ano e 85% deles acreditam que o Brasil reconquistará a classificação de grau de investimento.

A pesquisa feita com gestores da América Latina também mostra que o momento é de “risk-on”. A exposição aos ativos de risco é a maior já registrada pela sondagem, com mais de um terço dos gestores com posições “acima do normal”.

Já o volume de dinheiro em caixa e o número de investidores fazendo hedge (proteção) contra uma queda acentuada no mercado de ações está no menor patamar desde o início da pesquisa. O banco nota que há uma retoma de otimismo inclusive com relação à Argentina, o que também é boa notícia para o Brasil.

Reformas

Com relação à reforma da Previdência, 91% dos participantes, percentual recorde, acreditam em aprovação ainda em 2019 (contra 83% da pesquisa anterior). E para 30%, essa aprovação ocorrerá ainda no primeiro semestre.

Ainda de acordo com a sondagem, as reformas são o elemento mais esperado para os investidores adotarem uma postura ainda mais positiva como relação ao Brasil, fator mais mencionado do que o “crescimento econômico”.

Ibovespa e câmbio

Para 90% dos investidores, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, encerra o ano acima do patamar atual (ao redor dos 95 mil pontos). Na sondagem anterior, o percentual era de 65%. No câmbio, 30% dos pesquisados acreditam que a taxa de câmbio fecha o ano abaixo de R$ 3,60.

Retomando o grau de investimento

Os gestores também estão mais otimistas com o Brasil em comparação com o México. O banco questionou os participantes se o Brasil vai reconquistar a classificação de grau de investimento, perdida em 2015, e se e quando o México perderá o seu “investment grade”.

Para 85%, o Brasil tem chance de ganhar, novamente, o selo de bom pagador dado pelas agências de classificação de risco, mas sem prazo definido. Para 60%, essa retomada vai acontecer durante o governo de Jair Bolsonaro. Apenas 6% não acreditam nessa possibilidade em um futuro previsível.

Com relação ao México, as opiniões estão um pouco mais divididas, já que 41% dos gestores acreditam que o país vai perder seu grau de investimento, 32% afirmam que o país vai manter a nota de bom pagador e 27% “não sabem”.

Onde está o risco

O principal risco permanece no cenário externo. Os quesitos China/commodities ficou com 42% das indicações (31% na pesquisa anterior). Preocupações com um eventual fortalecimento do dólar e guerra comercial recuaram um pouco.

Segundo a pesquisa, essa preocupação com commodities aliada à expectativa de recuperação do Brasil resulta em uma rotação da exposição para o setor de consumo, com 44% dos gestores como posição acima da média “overweight” em consumo (33% no mês passado). Houve queda no “overweight” de finanças e materiais.

Pesquisa global mostra pessimismo

Se o cenário é brilhante para o Brasil, a pesquisa global do BofA Merrill Lynch é pouco animadora, falando em um “crash macro” e um retorno à estagnação secular.

"Os investidores permanecem pessimistas, com expectativas de crescimento e lucros despencando neste mês”, diz o chefe de estratégia da instituição, Michael Hartnett, em comunicado.

Ainda assim, ponderou Hartnett, o diagnóstico deles é de estagnação e não de recessão, já que os gestores de fundos estão colocando no preço um Federal Reserve (Fed, banco central americano) mais moderado (dove) e um curva de juros mais inclinada.

As expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) global continuaram caindo, com 60% dos pesquisados acreditando em enfraquecimento do crescimento mundial nos próximos 12 meses, pior avaliação desde julho de 2008.

Mas apenas 14% dos gestores acreditam em uma recessão global em 2019. Os investidores estão falando em uma "estagnação secular" nos próximos dois a três trimestres.

Empresas

A preocupação dos investidores com o ciclo de crédito continua aumentando, com 48% deles avaliando os balanços corporativos como sobre alavancados (overleveraged).

Pela primeira vez desde 2009, a alavancagem corporativa é a maior preocupação entre os gestores, com metade deles preferindo que as empresas usem dinheiro para melhorar a composição dos balanços em detrimento a investimentos (39%) e retorno aos acionistas (13%).

Já a perspectiva para os lucros é o pior desde 2008, com 52% dos participantes falando em piora dos resultados no próximo ano. Tal resultado marca uma forte reversão de expectativas, pois há 12 meses, a perspectiva era de aumento dos lucros para 39% dos pesquisados.

Riscos

Pelo oitavo mês consecutivo, o maior risco citado pelos gestores globais foi a guerra comercial (27%). Na sequência, aparecem o “quantitative tightening”, redução do balanço dos bancos centrais, e uma desaceleração da China, ambos com 21%.

Entre os negócios mais “congestionados” (crowded trade), que concentram um grande volume de agentes de mercado com posições semelhantes, aparecem a posição comprada em dólar (21%) e em ações das FAANG+BAT, grupo formado por Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Alphabet (Google), Baidu, and Tencent. Outro “crowded trade” é a posição vendida em mercados emergentes (17%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 10 de janeiro e teve participação total de 234 respondentes que são responsáveis por US$ 645 bilhões em ativos sob gestão. Nas pesquisas regionais, como a do Brasil, foram 119 participantes, com US$ 282 bilhões sob gestão. Na pesquisa global foram 177 entrevistas com responsáveis por US$ 494 bilhões.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Novos dados

Brasil tem 374.898 casos confirmados e 23.473 óbitos de covid-19

Até o momento, 153.833 pacientes estão recuperados da covid-19

seu dinheiro na sua noite

Descompressão geral

Caro leitor, Hoje foi dia de alívio geral nos mercados brasileiros, em continuidade ao movimento iniciado no mercado futuro na última sexta-feira, após a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. O entendimento do mercado é de que não havia fatos novos no vídeo que pudessem trazer mais preocupações à governabilidade, e […]

Olho no balanço

Magazine Luiza tem lucro líquido de R$ 30,8 milhões no 1T, em queda de 77%

Empresa estima que as lojas físicas deixaram de vender cerca de R$ 500 milhões nos últimos dias de março com o fechamento pelas medidas de isolamento social

Concessões rodoviárias

Ministro volta a afastar prorrogação de rodovias perto de fim da concessão

Aumentar o prazo de concessão é uma das formas de o governo reequilibrar contratos que foram afetados pela pandemia do novo coronavírus

Mudança de foco

Após 3 anos, CPFL deixa mercado de geração distribuída solar residencial

Grupo, controlado pela estatal chinesa State Grid, optou por focar os seus esforços no mercado de GD solar para grandes consumidores por meio da CPFL Soluções

Ex-ministro da Fazenda

Reabertura da economia não está para ser anunciada na Grande SP, diz Meirelles

O secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 25, que o governo estadual “não está para anunciar” uma reabertura da economia na Região Metropolitana de São Paulo

Mercados tranquilos

Alívio generalizado: Ibovespa dispara e dólar cai a R$ 5,45 na sessão pós-vídeo

O Ibovespa foi às máximas desde 10 de março e o dólar à vista chegou à menor cotação em maio. Os investidores aproveitaram o feriado nos EUA para focar nas questões domésticas — com destaque para o vídeo da reunião ministerial, divulgado no fim da tarde de sexta

Presidente falou hoje

Bolsonaro atribui imagem ruim à ‘imprensa mundial de esquerda’

A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira, 25, a uma apoiadora que o recomendou usar a Secretaria Especial de Comunicação para fazer propaganda positiva

otimismo apesar de covid-19

Vamos arrebentar na venda de aeroportos, vamos conseguir vender todos, diz ministro

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, demonstrou nesta segunda-feira, 25, otimismo com os próximos leilões de aeroportos, mesmo diante da pandemia, que afeta bruscamente a aviação civil

Dados de hoje

Déficit da balança brasileira na 3ª semana de maio foi de US$ 701 milhões

A balança comercial brasileira registrou déficit comercial de US$ 701 milhões na terceira semana de maio (de 18 a 24), de acordo com dados divulgados hoje

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements