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Estadão Conteúdo

Após Datafolha

Mourão minimiza queda de popularidade: ‘Executivo não tem varinha de condão’

Nos EUA, o vice-presidente Hamilton Mourão comentou o resultado do levantamento Datafolha e disse ver com naturalidade a queda na avaliação do governo

Hamilton Mourão, vice-presidente da República
Em evento nos Estados Unidos, Mourão defendeu o diálogo com o Congresso para fazer as pautas do governo andarem - Imagem: Flickr/Palácio do Planalto

O vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, minimizou neste domingo, 7, a queda na popularidade do governo, dizendo que é preciso dar tempo ao Executivo. "Tem gente que quer que a gente acelere as coisas, mas todos têm que entender uma coisa: o Executivo não tem varinha de condão. Seria ótimo", afirmou Mourão. Os primeiros três meses do governo Bolsonaro têm a pior avaliação entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato, segundo pesquisa do Instituto DataFolha.

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"Vejo naturalmente essa queda inicial na popularidade", afirmou Mourão. O vice-presidente disse que há uma "ansiedade" muito grande por parte da sociedade e que sabe que as pessoas clamam por mudanças.

Ele defendeu o diálogo com o Congresso para fazer as pautas do governo andarem. A fala vem após o apagão na articulação política gerar problemas ao Planalto, com atritos entre o presidente, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e um embate do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Congresso ao tentar defender a reforma da Previdência.

"O presidente FHC passou oito anos nessa luta, sabe disso, temos que dialogar com o Congresso permanentemente, entender a fisiologia lá dentro, buscar convencer. Essa questão do sistema previdenciário nós temos que convencer o Congresso de uma forma e convencer a população de outra forma. Isso leva algum tempo, é normal", afirmou Mourão ao participar da Brazil Conference, evento organizado pelos alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava na primeira fila da plateia, assistindo ao painel.

O vice-presidente destacou que tem uma vida normal e tem interlocução com a sociedade. "Eu sou uma pessoa que anda na rua, não estou enclausurado no anexo 2 do Palácio do Planalto e nem no Jaburu. Eu vou ao Rio de Janeiro, eu vou à academia de ginástica que eu frequento, que é uma Smart Fit (rede de academias), vou à praia, jogo voleibol, converso com todo mundo", disse Mourão, arrancando risadas da plateia. "As pessoas apresentam suas ponderações", disse.

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"Uma coisa que sempre me angustia é quando vejo que a juventude ou quer fazer concurso público ou quer sair do País, alguma coisa está errada", afirmou Mourão.

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Mourão foi aplaudido em pé em Harvard ao responder a uma pergunta sobre o papel dos militares na política brasileira. Em uma pergunta sobre o histórico dos militares no Brasil e uma comparação feita com o general Ernesto Geisel, Mourão rebateu: "O general Geisel não foi eleito, eu fui".

Nessa hora, enquanto a plateia se levantava para aplaudir o vice-presidente, um manifestante gritou "ditadura nunca mais" e foi retirado pelos seguranças do evento. Ele minimizou o papel dos militares no governo Bolsonaro e disse que os integrantes das Forças Armadas que fazem parte do governo já estavam na reserva quando foram convocados para o Executivo.

"O presidente Bolsonaro é mais político do que um militar, mas carrega dentro de si, obviamente, toda formação que nós tivemos", disse Mourão. Ele disse que foi convocado por Bolsonaro na "décima hora" para a vice-presidência. "Positivo, é assim que funciona a coisa", brincou Mourão, sobre aceitar o convite. "Os companheiros que conhecíamos das Forças (Armadas) foram convocados, mas são todos da reserva, estão afastados", disse Mourão.

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O vice-presidente afirmou ainda que, se o governo "errar demais", a "conta" vai para as Forças Armadas. "Daí a nossa extrema preocupação e as palavras que o presidente falou no dia 28 de outubro quando fomos eleitos. Ele olhou para mim e disse assim: nós não podemos errar", disse Mourão.

O vice-presidente disse que talvez tivesse escolhido "outras pessoas" para trabalhar com ele, ao ser questionado sobre o que faria diferente de Jair Bolsonaro na presidência da República. Primeiro, Mourão evitou responder diretamente o que faria nos 100 primeiros dias de governo se fosse o presidente e enalteceu a parceria com Bolsonaro. "Minha parceria com presidente Bolsonaro é total. A gente debate as ideias, mas, quando ele toma decisão, eu estou com a decisão dele 100%", afirmou Mourão.

Olhando para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na plateia, Mourão afirmou: "Como é aquela música, presidente? Faria tudo outra vez? Faria tudo outra vez", disse Mourão. Depois, questionado mais uma vez, ele afirmou: "Talvez, pela minha personalidade, eu escolhesse outras pessoas para trabalhar comigo".

Mourão tem sido criticado por uma ala do governo, que avalia que ele tenta se mostrar como uma figura antagônica ao presidente. Em uma pergunta sobre a situação do Ministério da Educação, Mourão reforçou que deve haver uma troca no comando da pasta, como Bolsonaro indicou na semana passada. "Estamos com um problema no Ministério da Educação", disse Mourão, aplaudido pela plateia. "O presidente vai tomar uma decisão a esse respeito amanhã (segunda-feira, 8), de acordo com o que ele já definiu", afirmou Mourão.

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Na semana passada, Bolsonaro indicou que vai substituir o ministro da Educação, Ricardo Vélez, que foi indicado ao cargo pelo escritor Olavo de Carvalho. Mourão tem sido frequentemente criticado por Olavo de Carvalho.

Ainda sobre educação, Mourão disse que o governo terá que "investir pesado na educação básica". "Investimos muito no ensino superior e pouco na educação básica", disse o vice-presidente.

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